Tensão EUA x Venezuela
Adicionado evento de 09/01/2026 sobre a declaração de Donald Trump de realizar ataques terrestres contra cartéis na Venezuela e a inclusão da seção sobre Narcoterrorismo e Operações Militares.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos sinalizaram uma possível normalização diplomática, explorando a reabertura de embaixadas, embora o cenário interno venezuelano permaneça marcado por repressão e ameaças de novas intervenções militares terrestres focadas no combate ao narcoterrorismo.
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, a quem os EUA acusavam de liderar um regime ilegítimo vinculado ao narcotráfico. Após anos de sanções iniciadas em 2019, a estratégia americana mudou drasticamente em janeiro de 2026 com a captura de Maduro por forças dos EUA. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou Delcy Rodríguez como presidente interina para assumir o poder após a remoção de Maduro.
A justificativa para a captura de Maduro baseou-se parcialmente no combate ao narcoterrorismo. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump elevou o tom da retórica militar ao afirmar que os EUA realizarão ataques terrestres contra cartéis na Venezuela, sinalizando uma nova fase de operações militares diretas em solo venezuelano sob o pretexto de segurança nacional e combate ao crime organizado.
Internamente, a queda de Maduro não arrefeceu o controle estatal; pelo contrário, o regime intensificou a repressão sob um decreto de estado de emergência. Relatos indicam o aumento de patrulhas por milícias armadas ("colectivos"), interrogatórios em postos de controle e vistorias de telefones celulares em busca de oposição ao chavismo. O governo ordenou a captura de todos os envolvidos no apoio à operação americana, resultando em novas detenções, inclusive de jornalistas. A incerteza sobre a estabilidade política e o fluxo de exportações contribuiu para a instabilidade nos preços do Brent e do WTI no início de 2026.
A administração Trump tem utilizado o combate ao narcoterrorismo como pilar central para suas ações na Venezuela. Além da captura do ex-presidente, a nova diretriz de Washington prevê o uso de forças terrestres para desmantelar infraestruturas de cartéis de drogas que operam no país. Essa postura cria um cenário de dualidade, onde os EUA buscam reabrir canais diplomáticos ao mesmo tempo em que planejam incursões militares diretas contra alvos específicos no território venezuelano.
Com a nova administração dos recursos venezuelanos pelos EUA, petroleiras americanas começaram a reavaliar sua presença no país. A Chevron, que já possui operações ativas, serve como modelo para os novos termos de negociação. Donald Trump afirmou que a cooperação com o governo interino visa a reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás da Venezuela em uma escala "maior, melhor e mais moderna". No mercado financeiro, a crise provocou uma valorização nos contratos futuros de petróleo. Em 9 de janeiro de 2026, os preços fecharam em alta, refletindo o temor de investidores sobre interrupções na oferta global e as novas dinâmicas de mercado impostas por Washington.
Em 9 de janeiro de 2026, os governos dos EUA e da Venezuela iniciaram um processo exploratório para o restabelecimento de missões diplomáticas. Uma equipe de diplomatas americanos viajou a Caracas para realizar uma avaliação preliminar sobre a reabertura da Embaixada dos EUA. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, atribuiu a possibilidade de distensão a esforços de mediadores internacionais, agradecendo nominalmente ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Qatar.
Como gesto unilateral de paz, o governo venezuelano anunciou a libertação de prisioneiros políticos, incluindo a ativista Rocío San Miguel e o ex-candidato presidencial Enrique Márquez. No entanto, a medida foi recebida com ceticismo por organizações de direitos humanos. O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciou a falta de transparência e opacidade no processo, afirmando que menos de dez pessoas foram efetivamente soltas, enquanto mais de 1.000 cidadãos permanecem detidos por motivos políticos e visitas a presídios como Tocorón foram suspensas sem explicação.