Ricardo Lewandowski
Adicionado evento de 27/01/2026 sobre os pagamentos do Banco Master ao escritório de Lewandowski, incluindo detalhes do contrato e a indicação de Jaques Wagner.
Ricardo Lewandowski é um jurista brasileiro que atuou como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e, posteriormente, como ministro da Justiça e Segurança Pública. Sua trajetória é marcada por decisões emblemáticas no STF e pela gestão da pasta da Justiça, onde focou no enfrentamento ao crime organizado e na proposição de reformas na segurança pública. Em um de seus últimos atos como ministro, solicitou investigação contra Flávio Bolsonaro por supostos crimes contra a honra do presidente Lula. Após sua aposentadoria do STF, atuou como advogado para o Banco Master, cessando essa atividade ao assumir o Ministério da Justiça. No entanto, seu escritório de advocacia continuou a receber pagamentos do Banco Master mesmo após sua nomeação para o ministério, gerando discussões sobre a conduta ética.
Ricardo Lewandowski iniciou sua carreira jurídica em 1990, após formar-se em direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo. Em 2006, foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), onde permaneceu por 17 anos. Durante sua atuação no STF, Lewandowski foi revisor do julgamento do mensalão do PT e presidiu a sessão do Senado que conduziu o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele também foi relator de decisões importantes, como a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, a proibição do nepotismo no serviço público e a adoção de cotas raciais em universidades federais. Na pandemia de COVID-19, relatou ações que autorizaram restrições a não vacinados e determinaram a apresentação de um plano nacional de enfrentamento à crise sanitária. Após se aposentar do STF em abril de 2023, Lewandowski retornou às atividades de advocacia, prestando serviços de consultoria jurídica. Em 28 de agosto de 2023, seu escritório firmou um contrato com o Banco Master, por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA), para consultoria jurídica, com pagamentos mensais de R$ 250 mil. Ao ser convidado para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública em janeiro de 2024, ele retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos. Contudo, os pagamentos do Banco Master ao seu escritório prosseguiram até setembro de 2025, totalizando R$ 5 milhões, mais de um ano e meio após Lewandowski assumir a pasta, conforme divulgado pela colunista Andreza Matais do jornal "Metrópoles". Sua gestão na pasta foi elogiada por autoridades como Gilmar Mendes e Jorge Messias, que destacaram o fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado, o planejamento, a inteligência policial e a cooperação institucional. Em janeiro de 2026, pouco antes de entregar sua carta de demissão, Lewandowski solicitou à Polícia Federal a investigação contra Flávio Bolsonaro por supostos crimes contra a honra do presidente Lula, baseada em denúncia de uma deputada petista. Lewandowski entregou sua carta de demissão ao presidente Lula em janeiro de 2026, antecipando sua saída em meio a discussões sobre a possível divisão do ministério em duas pastas separadas.