Visão geral
O resultado primário do Brasil refere-se à diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida pública. É um indicador crucial da saúde fiscal de um país, pois mostra a capacidade do governo de financiar suas operações básicas sem recorrer a mais endividamento para cobrir juros. Um superávit primário indica que o governo arrecadou mais do que gastou (excluindo juros), enquanto um déficit primário significa o oposto. O governo brasileiro tem estabelecido metas de resultado primário anuais como parte de sua política fiscal para garantir a sustentabilidade das contas públicas e a estabilidade econômica.
Contexto histórico e desenvolvimento
Historicamente, o Brasil tem enfrentado desafios para manter um superávit primário consistente. Após períodos de déficits significativos, o governo tem buscado a consolidação fiscal através de reformas e medidas de aumento de receita. Para 2024, o governo conseguiu atingir a meta de déficit primário zero, com uma margem de tolerância de 0,25% do PIB, apesar das previsões mais pessimistas do mercado. Isso foi impulsionado por receitas extraordinárias e dividendos de estatais. Para 2026, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê um superávit primário de R$ 34,5 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa meta, proposta em abril de 2025, ainda aguarda aprovação do Congresso. Para alcançar esse superávit, o governo estima a necessidade de R$ 118 bilhões em receitas adicionais, que devem vir de medidas para melhorar o ambiente de negócios, facilitar a recuperação tributária em litígios e impulsionar a arrecadação de créditos tributários, sem aumento de impostos. As metas para os anos seguintes são de 0,5% do PIB em 2027 e 1,0% do PIB em 2028, com uma margem de tolerância de 0,25 pontos percentuais do PIB para cima ou para baixo.
Linha do tempo
- Abril de 2025: Governo propõe meta de superávit primário de 0,25% do PIB para 2026.
- Agosto de 2025: Prazo para o governo enviar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 ao Congresso.
- 29 de agosto de 2025: Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 é submetido ao Congresso, projetando superávit primário de 0,25% do PIB.
- 30 de janeiro de 2025: Governo federal atinge a meta de déficit primário zero para 2024, com um déficit de 0,09% do PIB (excluindo gastos não considerados na meta).
Principais atores
- Governo Federal do Brasil: Responsável pela formulação e execução da política fiscal e pelo estabelecimento das metas de resultado primário.
- Congresso Nacional: Responsável pela aprovação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que contêm as metas fiscais.
- Ministério da Fazenda: Órgão responsável pela gestão da política econômica e fiscal do país.
- Secretaria do Tesouro Nacional: Responsável pela administração da dívida pública e pela divulgação dos resultados fiscais.
- Banco Central do Brasil: Monitora o cenário macroeconômico e as projeções de crescimento do PIB, que impactam as metas fiscais.
Termos importantes
- Resultado Primário: Diferença entre as receitas e despesas do governo, excluindo os gastos com juros da dívida pública. É um indicador da saúde fiscal.
- Superávit Primário: Ocorre quando as receitas do governo superam suas despesas, excluindo os juros da dívida.
- Déficit Primário: Ocorre quando as despesas do governo superam suas receitas, excluindo os juros da dívida.
- Produto Interno Bruto (PIB): Soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um determinado período. É usado como base para expressar as metas fiscais.
- Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO): Lei que estabelece as metas e prioridades da administração pública federal para o ano seguinte, incluindo as metas fiscais.
- Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA): Lei que estima as receitas e fixa as despesas da União para o exercício financeiro seguinte, detalhando a alocação dos recursos.