Visão geral
As relações internacionais referem-se ao estudo e à prática das interações entre diferentes atores no cenário global, incluindo estados, organizações internacionais, empresas multinacionais e grupos não estatais. Este campo abrange uma vasta gama de temas, como política externa, segurança, economia, direito internacional e questões sociais e culturais que transcendem fronteiras nacionais. Eventos recentes destacam a complexidade e a dinâmica das relações internacionais, com mudanças nas estratégias de grandes potências, cooperação em investigações transnacionais e desafios na formação de acordos comerciais e na segurança regional. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tem enfatizado a importância do diálogo na política internacional, defendendo que "é mais barato conversar do que fazer guerra" e se colocando à disposição para mediar conflitos, como o da Venezuela.
Contexto histórico e desenvolvimento
A década de 2020 tem sido marcada por uma reconfiguração significativa nas relações internacionais. A administração Trump, em seu primeiro mandato, iniciou uma era de "competição entre grandes potências" com a China e a Rússia. No entanto, em seu segundo mandato, observou-se uma mudança para uma abordagem de cooperação, buscando acordos e uma menor contenção das ambições dessas potências. Essa nova estratégia, detalhada na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, sugere que os assuntos de outros países são preocupação apenas se ameaçarem diretamente os interesses americanos. Isso se manifestou na flexibilização de sanções e proibições comerciais com a China e na busca por uma "estabilidade estratégica" com a Rússia, que inclui a aceitação de conquistas territoriais e a proposta de um acordo de cooperação econômica pós-guerra na Ucrânia.
Paralelamente, a Europa enfrenta uma "transição de ordem mundial", com a Ucrânia alertando para a necessidade de o continente assumir a responsabilidade por sua própria segurança diante da ameaça russa. Países do leste europeu, como Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Bulgária, emitiram uma declaração conjunta pedindo a priorização urgente das defesas do flanco leste da União Europeia contra a Rússia, considerada a ameaça mais significativa à segurança regional. Essa preocupação é intensificada por "operações híbridas complexas" e atos de sabotagem atribuídos à Rússia. A situação de segurança na Europa é ainda mais complexa com a implantação do míssil hipersônico russo Oreshnik, com capacidade nuclear, em Belarus, um país vizinho de membros da OTAN como Polônia, Letônia e Lituânia. Esta implantação, que ocorreu em 18 de dezembro de 2025, segue a instalação de armas nucleares táticas russas em Belarus em 2023, aumentando as tensões regionais.
No âmbito comercial, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, negociado por 26 anos, enfrenta obstáculos, com o Brasil cobrando França e Itália por sua relutância em assinar o pacto. A França, em particular, expressa receios sobre a competitividade de seus produtos agrícolas frente aos do Mercosul. A aprovação de mecanismos de salvaguarda pelo Parlamento Europeu visa mitigar esses temores, mas as negociações continuam. A Itália, através de sua primeira-ministra Giorgia Meloni, indicou que pode apoiar o acordo desde que as preocupações dos agricultores italianos sejam atendidas, solicitando um prazo de uma semana a um mês para construir apoio político interno. O presidente Lula expressou frustração com a demora, afirmando que o Mercosul cedeu "tudo que era possível ceder" e que o acordo é mais favorável à UE. A expectativa de assinatura do tratado na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu em 20 de dezembro de 2025 foi adiada devido à falta de consenso na UE, especialmente com a França e a Itália resistindo à aprovação.
Em outro cenário, a cooperação internacional é evidenciada na investigação de um atentado terrorista em Sydney, Austrália, onde Filipinas e Índia colaboram com as autoridades australianas para apurar os detalhes do incidente, que teve motivação extremista e resultou em múltiplas vítimas.
Linha do tempo
- Outubro de 2025: Trump e Xi Jinping chegam a uma trégua comercial, com a China concordando em combater precursores de fentanil e comprar produtos agrícolas dos EUA.
- Novembro de 2025: Atiradores do atentado em Sydney viajam para as Filipinas, permanecendo lá por quase todo o mês.
- Dezembro de 2025:
- 12 de dezembro: Trump levanta a proibição de exportação de chips Nvidia H200 para a China, sinalizando uma mudança na política de competição entre grandes potências.
- 15 de dezembro: Macron e Meloni concordam em adiar a votação do acordo UE-Mercosul.
- 16 de dezembro:
- Países da UE vizinhos à Rússia pedem priorização urgente das defesas do flanco leste do bloco.
- Filipinas e Índia contribuem com a investigação do atentado em Sydney, Austrália.
- Parlamento Europeu aprova mecanismos de salvaguarda para importações agrícolas no acordo UE-Mercosul.
- Presidente Lula cobra França e Itália por assinatura do acordo UE-Mercosul.
- 17 de dezembro:
- Ministro da Defesa da Ucrânia, Denys Shmyhal, alerta a Europa para a necessidade de assumir a responsabilidade por sua segurança.
- Presidente Lula, em reunião ministerial, defende o diálogo internacional e afirma ter dito a Trump que "é mais barato conversar do que fazer guerra", oferecendo-se para mediar o diálogo com a Venezuela.
- Lula expressa frustração com a indecisão da UE sobre o acordo Mercosul-UE, afirmando que o Mercosul cedeu tudo o que era possível.
- 18 de dezembro:
- Primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirma que o país pode apoiar o acordo UE-Mercosul se as preocupações dos agricultores italianos forem atendidas, pedindo mais tempo para construir apoio interno.
- Belarus anuncia a implantação do míssil hipersônico russo Oreshnik, com capacidade nuclear, em seu território.
- 19 de dezembro: Noticiário europeu destaca as principais notícias do dia.
- 20 de dezembro: Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, com expectativa de assinatura do acordo com a UE, que foi adiada.
Principais atores
- Estados Unidos: Presidente Trump e sua administração, com uma nova Estratégia de Segurança Nacional.
- China: Presidente Xi Jinping, envolvido em acordos comerciais e geopolíticos com os EUA.
- Rússia: Presidente Vladimir Putin, considerado uma ameaça à segurança europeia e envolvido em negociações de paz na Ucrânia. Aliado com Belarus.
- Ucrânia: Ministro da Defesa Denys Shmyhal, alertando a Europa sobre a ameaça russa.
- União Europeia (UE): Países membros como Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia e Bulgária (preocupados com a segurança do flanco leste), França (Presidente Macron) e Itália (Primeira-Ministra Meloni) (relutantes no acordo com o Mercosul), e o Parlamento Europeu.
- Mercosul: Bloco comercial sul-americano, buscando a finalização do acordo com a UE. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).
- Austrália: Autoridades investigando o atentado em Sydney.
- Filipinas: Autoridades contribuindo com a investigação do atentado em Sydney.
- Índia: Autoridades contribuindo com a investigação do atentado em Sydney.
- Belarus: Presidente Alexander Lukashenko, aliado da Rússia e local de implantação de mísseis nucleares russos.
Termos importantes
- Competição entre Grandes Potências: Conceito que descreve a rivalidade estratégica e geopolítica entre nações influentes, como EUA, China e Rússia.
- Estratégia de Segurança Nacional: Documento que delineia os interesses de segurança de um país e as abordagens para protegê-los.
- Operações Híbridas: Ações que combinam táticas militares e não militares, como ciberataques, desinformação e sabotagem, para desestabilizar um adversário.
- Acordo UE-Mercosul: Tratado comercial em negociação entre a União Europeia e o Mercosul, visando liberalizar o comércio de bens e serviços.
- Mecanismos de Salvaguarda: Cláusulas em acordos comerciais que permitem a suspensão temporária de benefícios tarifários para proteger setores domésticos de um país em caso de danos significativos.
- Transição de Ordem Mundial: Período de mudança fundamental na estrutura e dinâmica do sistema internacional, com a emergência de novas potências e rearranjos nas relações globais.
- Flanco Leste da UE: Região geográfica da União Europeia que faz fronteira com a Rússia e Belarus, considerada estratégica para a segurança do bloco.
- Estado Islâmico (EI): Grupo extremista jihadista que reivindica responsabilidade por ataques terroristas globalmente, servindo de inspiração para atos de violência.
- Hanukkah: Festival judaico das luzes, celebrado por oito noites e dias.
- Míssel Hipersônico Oreshnik: Míssel russo de nova geração, com capacidade nuclear, capaz de voar em velocidades hipersônicas, implantado em Belarus.