Visão geral
As relações entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul são marcadas por um complexo histórico de conflito, divisão e tensões militares, apesar de compartilharem uma mesma origem cultural e geográfica. A Península Coreana permanece tecnicamente em estado de guerra desde o armistício de 1953, que encerrou a Guerra da Coreia, mas não resultou em um tratado de paz formal. A presença militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul e os exercícios militares conjuntos são pontos de constante atrito com a Coreia do Norte, que os considera uma ameaça à sua soberania.
Contexto histórico e desenvolvimento
A divisão da Coreia após a Segunda Guerra Mundial, com o estabelecimento de regimes distintos no Norte (comunista, apoiado pela União Soviética e China) e no Sul (capitalista, apoiado pelos Estados Unidos), levou à Guerra da Coreia (1950-1953). Desde então, as relações têm sido caracterizadas por períodos de alta tensão e esporádicas tentativas de diálogo. A Coreia do Norte critica a presença militar dos EUA na Coreia do Sul e os exercícios conjuntos, vendo-os como preparativos para uma invasão. Em contrapartida, a Coreia do Sul e os EUA afirmam que essas forças são defensivas e essenciais para a segurança regional.
Recentemente, o Pentágono indicou uma possível mudança na estratégia de dissuasão da Coreia do Norte, prevendo um papel “mais limitado” para os EUA, com a Coreia do Sul assumindo a responsabilidade primária. Essa mudança pode levar a uma redução das forças americanas na Península Coreana e reflete o interesse dos EUA em atualizar sua postura de força na região, possivelmente para maior flexibilidade em outras ameaças, como a crescente influência militar da China e a defesa de Taiwan. A Coreia do Sul, que hospeda cerca de 28.500 soldados americanos e aumentou seu orçamento de defesa, tem trabalhado para aumentar suas capacidades militares e assumir o comando em tempo de guerra das forças combinadas.
Linha do tempo
- 1950-1953: Guerra da Coreia. Armistício assinado, mas sem tratado de paz formal.
- Últimos 20 anos: Coreia do Sul trabalha para aumentar suas capacidades de defesa com o objetivo de assumir o comando em tempo de guerra das forças combinadas EUA-Coreia do Sul.
- 2020 (Estimativa): Coreia do Sul aumenta seu orçamento de defesa em 7,5%.
- 24 de janeiro de 2026: Pentágono divulga documento de Estratégia de Defesa Nacional prevendo um papel “mais limitado” dos EUA na dissuasão da Coreia do Norte, com a Coreia do Sul assumindo a responsabilidade primária.
Principais atores
- Coreia do Norte: País com regime comunista, principal objeto da dissuasão militar na península.
- Coreia do Sul: País com regime capitalista, aliado dos EUA, aumentando sua capacidade de defesa.
- Estados Unidos: Mantém cerca de 28.500 soldados na Coreia do Sul, com planos de ajustar sua postura militar na região.
- Pentágono: Departamento de Defesa dos EUA, responsável pela formulação da Estratégia de Defesa Nacional.
- Ministério da Defesa sul-coreano: Contraparte do Pentágono, responsável pela defesa da Coreia do Sul e pela cooperação com os EUA.
- China: Potência regional com crescente alcance militar, mencionada como foco estratégico do Pentágono na região do Indo-Pacífico.
- Taiwan: Ilha democrática reivindicada pela China, cuja defesa pode influenciar a postura militar dos EUA na Península Coreana.
Termos importantes
- Dissuasão: Estratégia militar que visa impedir um ataque inimigo pela ameaça de retaliação ou pela demonstração de capacidade de defesa.
- Estratégia de Defesa Nacional: Documento do Pentágono que orienta as políticas de defesa dos Estados Unidos.
- Forças combinadas: Refere-se à união de forças militares de diferentes países (neste caso, EUA e Coreia do Sul) para operações conjuntas.
- Indo-Pacífico: Região geopolítica que abrange o Oceano Índico e o Oceano Pacífico, de crescente importância estratégica para os EUA e a China.
- Armistício: Acordo formal para cessar as hostilidades, mas que não encerra formalmente o estado de guerra. O armistício da Guerra da Coreia foi assinado em 1953.
- Zelo hegemônico: Termo usado pela Coreia do Norte para descrever o que considera ser a busca dos EUA por dominação ou influência excessiva na região.