A parceria entre Brasil e Rússia é vista como sólida, baseada em interesses estruturais mútuos que transcendem conjunturas globais. Em 2025, o comércio bilateral atingiu aproximadamente US$ 10,9 bilhões, sendo US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e US$ 9,4 bilhões em importações. Este valor é considerado significativo, mas ainda aquém das capacidades produtivas, tecnológicas e logísticas de ambos os países. O Brasil tem buscado uma política de neoindustrialização, com foco em uma indústria mais verde, digital e integrada às cadeias de valor internacionais, o que cria novas oportunidades para a cooperação econômica e comercial com a Rússia. Apesar do fluxo comercial de US$ 10,9 bilhões em 2025, a relação é marcada por baixa diversificação e concentração em produtos primários. Ambos os países expressaram interesse em diversificar o comércio para produtos de maior valor agregado e em projetos de longo prazo em áreas como química, energia, farmácia e tecnologia, incluindo a transferência de tecnologias.
Brasil e Rússia defendem o multilateralismo e criticam o uso de “medidas coercitivas unilaterais”, que são consideradas ilícitas, ilegítimas e incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas. Essas medidas são vistas como prejudiciais ao desenvolvimento sustentável e uma afronta à independência e soberania dos Estados. Ambos os países também reforçam o compromisso com o fortalecimento da parceria estratégica no âmbito do BRICS, com a intenção de contribuir para a presidência da Índia em 2026 e a exitosa realização da XVIII Cúpula do BRICS em Nova Delhi. Adicionalmente, Brasil e Rússia destacam a importância da manutenção do status da América Latina e Caribe como zona de paz, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção, conforme a Declaração dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) de 2014.