Visão geral
O Programa Move Brasil é uma iniciativa do governo federal brasileiro lançada em 2026, destinada a estimular a renovação da frota de caminhões no país. O programa oferece linhas de financiamento com taxas de juros reduzidas para a aquisição de caminhões novos e seminovos que atendam a critérios de sustentabilidade e conteúdo local. O objetivo principal é modernizar a logística de transporte de cargas, apoiar o agronegócio e o comércio exterior, e contribuir para a redução das emissões de carbono, além de impulsionar a indústria automobilística e manter empregos no setor.
Contexto histórico e desenvolvimento
O lançamento do Programa Move Brasil ocorreu em um cenário de retração nas vendas de caminhões, com uma queda de 9,2% em 2025 em comparação com o ano anterior, e uma retração ainda mais acentuada de 20,5% nos modelos pesados. No início de 2026, o mercado continuava em declínio, com uma queda de 34,67% em janeiro em relação a 2024, segundo a Anfavea. Essa baixa performance era atribuída principalmente às altas taxas de juros no país, que chegavam a 22% ou 23% ao ano para financiamentos de bens duráveis.
Diante desse quadro, e com o crescimento da safra agrícola (17%) e do comércio exterior (exportações de US$ 349 bilhões e corrente de comércio de US$ 629 bilhões), o governo federal identificou a necessidade de modernizar a frota para garantir o escoamento da produção. O programa foi elaborado com a colaboração de empresas, sindicatos e o governo, visando não apenas a recuperação do setor de transportes, mas também a manutenção de empregos e a transição para modelos de logística mais sustentáveis. O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que o programa conseguiu reduzir os juros do financiamento para menos de 13% ao ano (0,99% ao mês).
Linha do tempo
- 2025: Vendas de caminhões recuam 9,2% em relação a 2024; modelos pesados caem 20,5%.
- Início de 2026: Lançamento oficial do Programa Move Brasil pelo governo federal.
- Janeiro de 2026: Mercado de caminhões registra retração de 34,67% em relação a janeiro de 2024. O programa já havia beneficiado caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras em 532 municípios, com 1.152 operações e valor médio de R$ 1,1 milhão.
- Fevereiro de 2026: Um mês após o lançamento, o programa já havia aprovado aproximadamente R$ 1,3 bilhão (ou R$ 1,9 bilhão, segundo outra fonte) em operações de crédito para compra de caminhões novos ou seminovos em 532 cidades. O vice-presidente Geraldo Alckmin participa de evento em Guarulhos (SP) para discutir o programa.
Principais atores
- Governo Federal do Brasil: Idealizador e implementador do programa.
- Geraldo Alckmin: Vice-presidente da República e Ministro da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), figura central na divulgação e defesa do programa.
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): Responsável por operar as linhas de crédito do Move Brasil.
- Tesouro Nacional: Contribui com recursos para o programa.
- Caminhoneiros autônomos e cooperados: Beneficiários diretos das linhas de crédito.
- Empresas de transporte rodoviário de cargas: Beneficiárias das linhas de crédito.
- Scania: Fabricante de caminhões, representada pelo CEO Christopher Polgorski, que participou de eventos e defendeu a manutenção do programa.
- Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: Representado por Wellington Damasceno, participou da elaboração do programa e destacou seus benefícios para a manutenção de empregos.
- Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea): Fornece dados sobre o mercado de caminhões, contextualizando a necessidade do programa.
Termos importantes
- BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, principal agente financeiro do governo brasileiro para fomento e desenvolvimento.
- Conteúdo local: Critério que exige que os veículos financiados tenham uma porcentagem mínima de componentes fabricados no Brasil.
- Fundo Garantidor de Investimentos (FGI): Fundo que oferece garantias de até 80% do valor financiado, reduzindo o risco para as instituições financeiras.
- Juros reduzidos: Taxas de juros abaixo das praticadas no mercado, oferecidas como incentivo para a adesão ao programa.
- Renovação da frota: Substituição de veículos antigos por modelos mais novos, geralmente mais eficientes e menos poluentes.
- Sustentabilidade: Critérios ambientais que os veículos devem atender, como menor emissão de poluentes e maior eficiência energética.
- Teto de financiamento: Limite máximo de crédito disponível para o programa, estabelecido em R$ 10 bilhões.