Petróleo da Venezuela SA - PDVSA
Adicionado evento de 09/01/2026 sobre a libertação parcial de presos políticos (incluindo Enrique Márquez), a mediação internacional de Brasil, Espanha e Qatar, e o aumento da repressão interna sob estado de emergência.
A Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) é a empresa estatal venezuelana responsável pela exploração, produção, refino e comercialização de petróleo e gás natural. A PDVSA é a principal empresa do setor petrolífero da Venezuela, país que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Recentemente, a empresa passou por uma mudança drástica em sua estrutura de comercialização e governança, com os Estados Unidos assumindo o controle direto sobre as negociações e as receitas das vendas de petróleo venezuelano, enquanto colaboram na reconstrução da infraestrutura energética do país.
A PDVSA foi fundada em 1975, após a nacionalização da indústria petrolífera venezuelana. Ao longo das décadas, a empresa se tornou um pilar fundamental da economia venezuelana, financiando grande parte dos programas sociais e investimentos do governo. No entanto, a partir de meados dos anos 2010, a PDVSA enfrentou desafios significativos, incluindo a queda dos preços do petróleo, sanções internacionais e problemas de gestão.
Em janeiro de 2026, após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas em território venezuelano, a dinâmica de controle da PDVSA mudou radicalmente. O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, estabeleceu que qualquer empresa interessada no petróleo venezuelano deve negociar diretamente com Washington. Sob um novo acordo, os EUA anunciaram o refino e a venda de até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, com as receitas sendo depositadas em contas controladas pelos americanos para garantir a "integridade da distribuição". Parte desse acordo prevê que a Venezuela utilize esses recursos exclusivamente para a compra de produtos fabricados nos EUA, como itens agrícolas, medicamentos e equipamentos para a rede elétrica. Além disso, os dois países iniciaram uma cooperação técnica para a reconstrução moderna da infraestrutura de petróleo e gás da PDVSA.
Após a remoção de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela confirmou Delcy Rodríguez como presidente interina. Sob sua liderança, iniciou-se um processo de reaproximação diplomática com Washington. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos anunciaram negociações para a reabertura de embaixadas em Caracas e Washington. Como gesto de boa vontade e "sinal de paz", o governo interino e lideranças do chavismo, representadas por Jorge Rodríguez, anunciaram a libertação de prisioneiros políticos, incluindo a ativista Rocío San Miguel e o ex-candidato presidencial Enrique Márquez.
Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, atribuiu os esforços de mediação a figuras internacionais como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o governo do Qatar. Essa cooperação resultou no cancelamento de novas operações militares americanas e no foco conjunto na modernização do setor energético venezuelano.
Apesar dos gestos diplomáticos, a situação interna permanece tensa sob um decreto de estado de emergência. Relatos indicam um aumento da repressão estatal e perseguição a indivíduos acusados de apoiar a operação americana que capturou Maduro. Postos de controle foram estabelecidos em todo o país, com agentes de segurança e milícias conhecidas como "colectivos" realizando vistorias em veículos e dispositivos móveis.
A eficácia das libertações de prisioneiros também é contestada. O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciou a falta de transparência no processo, afirmando que, embora o governo tenha prometido solturas significativas, menos de uma dezena de casos foram confirmados de um total de mais de 1.000 detidos. Além disso, visitas em prisões como Tocorón foram suspensas sem justificativa oficial.
A crise política na Venezuela e as mudanças na gestão da PDVSA tornaram-se fatores determinantes para a volatilidade dos preços internacionais do petróleo em 2026. A incerteza sobre a continuidade dos suprimentos globais e os riscos operacionais sob a nova supervisão americana têm impulsionado os benchmarks globais, como o WTI e o Brent. Investidores monitoram de perto a situação venezuelana, que, somada a outras tensões geopolíticas internacionais, tem gerado preocupações sobre a oferta global de commodities e sustentado altas acumuladas nos mercados de energia.
Com a nova administração liderada pelos EUA, grandes petroleiras americanas começaram a reavaliar sua presença no mercado venezuelano. Enquanto a Chevron manteve operações contínuas no país, gigantes como ExxonMobil e ConocoPhillips, que deixaram a Venezuela há quase 20 anos após nacionalizações, pesam agora o retorno às reservas venezuelanas. Apesar das oportunidades de exploração e dos planos de reconstrução da infraestrutura, investidores expressam preocupação com os riscos operacionais e a estabilidade política a longo prazo, equilibrando o potencial de lucro com a segurança jurídica sob o novo modelo de gestão.