Visão geral
A Operação Galho Fraco é uma investigação da Polícia Federal (PF) brasileira que apura desvio de recursos públicos provenientes de cotas e emendas parlamentares. Deflagrada em dezembro de 2025, a operação visa combater crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com foco em supostas irregularidades no uso da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) por deputados federais. A investigação aponta para indícios de "despesas inexistentes" e uso de empresas de fachada para desviar verbas, com a utilização de métodos como o "smurfing" para despistar a fiscalização. A liquidação extrajudicial do Banco Master e a prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, estão intrinsecamente ligadas a esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos investigados pela Operação Galho Fraco, especialmente no que tange ao uso de instituições financeiras para ocultar a origem ilícita de fundos. As investigações sobre o Banco Master, que se aprofundam com a Operação Compliance Zero e a Operação Barco de Papel, sugerem que as fraudes podem ser mais graves do que o inicialmente revelado, podendo envolver as maiores fraudes bancárias da história do país, conforme apontado pelo Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O caso do Banco Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025, com o ministro Dias Toffoli decretando sigilo sobre todo o processo.
Contexto e histórico
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), ou cota parlamentar, foi criada em 2009 para custear despesas ligadas ao mandato de deputados federais, como passagens, aluguel de escritórios e veículos. Seu valor varia por estado e pode ser acumulado dentro do mesmo ano. A prestação de contas é pública desde 2014, com notas fiscais disponíveis online. A Operação Galho Fraco é um desdobramento da Operação Rent a Car, de dezembro de 2024, que investigou assessores parlamentares, e utilizou informações colhidas, como mensagens de celular e quebras de sigilo, para avançar sobre os próprios parlamentares. A decisão judicial que autorizou a operação, do ministro Flávio Dino, aponta para um esquema envolvendo funcionários comissionados e empresas ligadas aos assessores dos parlamentares para desviar os recursos. A complexidade das fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, que incluem a venda de carteiras de crédito falsas para o BRB e o desvio de recursos através de fundos para laranjas, fornece um contexto mais amplo para as irregularidades financeiras que podem se cruzar com o escopo da Operação Galho Fraco. A capacidade da Polícia Federal de acessar dados de celulares, mesmo bloqueados ou desligados, por meio de uma técnica avançada e exclusiva, tem sido crucial para a obtenção de provas em grandes investigações criminais como a Operação Galho Fraco, garantindo o acesso completo ao sistema dos aparelhos apreendidos. O caso do Banco Master, que envolve suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões, é alvo de uma disputa institucional e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli, que determinou sigilo sobre todo o processo. As investigações também apuram pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central. Mais recentemente, a Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro de 2026, revelou operações financeiras irregulares de quase R$ 1 bilhão entre o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) e o Banco Master, colocando em risco o patrimônio de 235 mil servidores públicos do Rio de Janeiro.
Linha do tempo
- Novembro de 2023 a Julho de 2024: Período em que o Rioprevidência teria aplicado R$ 970 milhões no Banco Master, em operações consideradas irregulares pela Polícia Federal.
- Dezembro de 2024: Deflagração da Operação Rent a Car, que mirou assessores parlamentares, coletando materiais que subsidiariam investigações futuras.
- 18 de novembro de 2025: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Master. Daniel Vorcaro, dono do banco, é preso pela Polícia Federal em São Paulo. Bens da controladora e administradores do banco são bloqueados. Dias depois, Daniel Vorcaro é solto pela Justiça.
- 19 de dezembro de 2025: Deflagração da Operação Galho Fraco pela Polícia Federal, com mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino do STF, em Brasília e no Rio de Janeiro. Na mesma data, a PF apreende cerca de R$ 400 mil em espécie no flat de Sóstenes Cavalcante em Brasília. O sigilo da decisão do ministro Flávio Dino é retirado, revelando detalhes sobre o esquema investigado, incluindo o uso de "smurfing" e a participação de assessores.
- 26 de dezembro de 2025: Silvinei Vasques é preso no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador utilizando documentos falsos.
- 13 de janeiro de 2026: A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão no apartamento funcional do deputado Felix Mendonça em Brasília, em investigação sobre supostas irregularidades em emendas parlamentares.
- 14 de janeiro de 2026: Deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, focada no Banco Master, Daniel Vorcaro, seus parentes (incluindo pai e irmã), Nelson Tanure e João Carlos Mansur. A operação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, investiga a venda de carteiras de crédito falsas para o BRB e desvio de recursos via fundos para laranjas. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Uma empresária de Rosário do Sul (RS) é alvo de busca e apreensão, negando ligação com a fraude e suspeitando de clonagem de CPF.
- 16 de janeiro de 2026: É revelado que a Polícia Federal utiliza uma técnica avançada e exclusiva para acessar dados completos de celulares bloqueados ou desligados, crucial para a obtenção de provas em grandes investigações.
- 23 de janeiro de 2026: Deflagração da Operação Barco de Papel pela Polícia Federal, que investiga o presidente e diretores do Rioprevidência por operações financeiras irregulares de quase R$ 1 bilhão com o Banco Master. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, incluindo na casa do presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, e dos ex-diretores Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Principais atores
- Polícia Federal (PF): Órgão responsável pela investigação e deflagração da operação. Possui técnicas avançadas para extração de dados de celulares, mesmo bloqueados ou desligados. Deflagrou a Operação Barco de Papel, que investiga o Rioprevidência e suas relações com o Banco Master.
- Ministro Flávio Dino (STF): Responsável por expedir os mandados de busca e apreensão e pela decisão que autorizou a Operação Galho Fraco, cujo sigilo foi retirado.
- Ministro Dias Toffoli (STF): Autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero, afastando especulações sobre a paralisação das investigações, e decretou sigilo sobre o processo do Banco Master no STF.
- Fernando Haddad (Ministro da Fazenda): Sugeriu que o caso Master pode envolver as maiores fraudes bancárias da história do Brasil.
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ): Deputado federal, líder do PL na Câmara, alvo de mandados de busca e apreensão. Suspeito de desvio de verbas e lavagem de dinheiro, teve cerca de R$ 400 mil em espécie apreendidos em seu flat em Brasília. Ele alegou que o dinheiro é lícito, proveniente da venda de um imóvel em Minas Gerais, e que não o depositou por "lapso" devido à correria de trabalho. Cavalcante também afirmou ser vítima de perseguição judicial e negou as acusações.
- Carlos Jordy (PL-RJ): Deputado federal, alvo de mandados de busca e apreensão. Suspeito de desvio de verbas e lavagem de dinheiro. Jordy publicou nota e vídeo nas redes sociais, alegando ser vítima de perseguição e defendendo a legalidade do uso da empresa citada desde o início de seu mandato.
- Felix Mendonça: Deputado federal, alvo de mandado de busca e apreensão em seu apartamento funcional em Brasília, em investigação sobre supostas irregularidades em emendas parlamentares.
- Daniel Vorcaro (Dono do Banco Master): Preso pela Polícia Federal em São Paulo em 18 de novembro de 2025, no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master. Foi solto dias depois. Sua prisão e as investigações subsequentes, como a Operação Compliance Zero e a Operação Barco de Papel, estão ligadas às investigações de desvio de recursos e lavagem de dinheiro da Operação Galho Fraco. É alvo de investigações sobre desvio de recursos por meio de fundos para laranjas e venda de carteiras de crédito falsas, e seus parentes também foram alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero.
- Nelson Tanure: Empresário, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
- João Carlos Mansur: Investidor e ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
- Silvinei Vasques: Ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), preso no Paraguai em 26 de dezembro de 2025, ao tentar embarcar para El Salvador com documentos falsos. Sua prisão está sendo investigada no contexto da Operação Galho Fraco.
Termos importantes
- Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP): Também conhecida como cota parlamentar, é um valor mensal pago a deputados federais para cobrir despesas relacionadas ao exercício do mandato, como passagens, hospedagens, aluguel de veículos e manutenção de escritórios.
- Peculato: Crime praticado por funcionário público contra a administração em geral, que consiste em apropriar-se de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.
- Lavagem de dinheiro: Conjunto de operações comerciais ou financeiras que buscam a incorporação na economia de cada país, de modo transitório ou permanente, de recursos, bens e valores de origem ilícita.
- Organização criminosa: Associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais.
- Smurfing (ou Estruturação): Técnica de lavagem de dinheiro que consiste em fracionar grandes quantias de dinheiro em várias pequenas operações (saques ou depósitos) para evitar os sistemas de controle das autoridades financeiras e despistar a fiscalização da aplicação dos recursos.
- Ativos podres: Termo usado para descrever ativos financeiros de baixa qualidade ou com alto risco de inadimplência, muitas vezes resultantes de empréstimos que não foram pagos ou de investimentos que perderam valor. No contexto do Banco Master, refere-se a carteiras de crédito falsas ou de difícil recuperação.
- Gestão fraudulenta: Crime que consiste em gerir instituição financeira de forma fraudulenta, causando prejuízos a terceiros ou à própria instituição.
- Indução de repartição pública ao erro: Ato de levar um órgão público a cometer um engano, geralmente para obter alguma vantagem indevida.
- Fraude à fiscalização ou ao investidor: Conduta que visa enganar órgãos de fiscalização ou investidores, omitindo informações ou apresentando dados falsos para obter benefícios ilícitos.