Visão geral
O mercado de metais preciosos refere-se à compra e venda de metais como ouro, prata, platina e paládio, que são valorizados por sua raridade, beleza e propriedades industriais. Esses metais são frequentemente considerados ativos de refúgio, especialmente em períodos de incerteza econômica ou inflação, e podem ser negociados em diversas formas, incluindo barras, moedas e contratos futuros.
Contexto e histórico
Historicamente, metais preciosos, particularmente o ouro, têm sido utilizados como reserva de valor e meio de troca por milênios. Sua escassez e durabilidade contribuíram para seu papel como moeda e, posteriormente, como base para sistemas monetários. No contexto moderno, o mercado é influenciado por fatores macroeconômicos, políticas de bancos centrais (como as decisões sobre taxas de juros do Federal Reserve - Fed), demanda industrial e especulação, levando a flutuações de preços e ajustes de posições por investidores. Tensões geopolíticas, como as observadas no Irã e as ameaças de tarifas dos EUA relacionadas à Groenlândia, também desempenham um papel crucial na sustentação da demanda por esses ativos, que são buscados como proteção contra a inflação e a desvalorização de outras moedas em momentos de instabilidade. Ataques à independência do Federal Reserve também influenciam a confiança dos investidores e a busca por ativos de refúgio. Mais recentemente, uma "crise de confiança" na administração dos Estados Unidos e em seus ativos, desencadeada por decisões erráticas e ameaças de tarifas a aliados europeus, Canadá e França, tem atuado como um catalisador significativo para a corrida por ativos de refúgio, impulsionando os preços dos metais preciosos. A volta de Donald Trump à Casa Branca intensificou essa crise, com sua política externa, incluindo a disputa comercial com a China e a política tarifária, sendo apontada como um dos principais fatores para a valorização do ouro. O economista Sérgio Vale, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, descreve a escalada do preço do metal precioso como uma "febre", um sintoma de que a economia global passa por um período de grave instabilidade. A desvalorização do dólar e a busca contínua por investimentos de proteção em momentos de incerteza nos mercados também têm favorecido a alta do ouro e da prata. Analistas como Stephen Innes apontam que a valorização do ouro reflete uma perda de credibilidade nas políticas e não apenas o medo de recessão, indicando que o metal se torna uma alternativa quando a confiança nas políticas enfraquece. As tensões geopolíticas também têm um impacto mais amplo, elevando os preços de outras commodities como o petróleo.
Linha do tempo
- 24 de dezembro de 2025: O ouro fecha estável na véspera de Natal, após atingir recordes e passar por realização de lucros. A prata registra alta, enquanto a platina reduz perdas, em um período de baixa liquidez no mercado.
- 26 de dezembro de 2025: O ouro sobe 1,11%, estendendo um rali nos metais preciosos. A prata também registra alta firme, enquanto platina e paládio saltam quase 10% em um dia de forte desempenho do mercado.
- 14 de janeiro de 2026: O ouro e a prata renovam recordes de preço no mercado internacional, impulsionados pela tensão geopolética no Irã e pelas incertezas sobre a política de juros do Federal Reserve (Fed) nos EUA.
- 19 de janeiro de 2026: O ouro e a prata alcançam novos recordes de preço, com investidores aumentando suas posições em meio a tensões geopolíticas mais agudas, incluindo ameaças de tarifas dos EUA por Groenlândia, e ataques à independência do Federal Reserve.
- 26 de janeiro de 2026: O ouro atinge um novo recorde histórico de US$ 5.110,50 por onça, ampliando um rali impulsionado por incertezas geopolíticas e uma crise de confiança na administração dos EUA. A prata avança para um recorde de US$ 109,44 por onça, ultrapassando a marca de US$ 100 pela primeira vez. A platina também alcança um recorde de US$ 2.891,6 por onça, e o paládio se valoriza para uma alta de mais de três anos.
- 28 de janeiro de 2026: O preço do ouro atinge a marca de US$ 5.100 por onça, refletindo o aumento das incertezas globais e a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Este valor representa um aumento significativo em relação aos US$ 2.730 por onça registrados em janeiro do ano anterior (2025).
- 29 de janeiro de 2026: O preço do ouro dispara e atinge um novo recorde, aproximando-se de US$ 5.600 por onça, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar ordenar um ataque militar contra o Irã. A desvalorização do dólar também favorece a alta. A prata também registra uma alta temporária, com investidores em Hong Kong buscando-a como alternativa ao ouro, que se tornou inacessível devido ao preço recorde.
Principais atores
- Investidores: Indivíduos e instituições que compram e vendem metais preciosos para fins de investimento, especulação ou proteção de capital. Em momentos de alta do ouro, como os recentes, investidores em mercados como Hong Kong chegam a comprar barras de prata como alternativa, devido ao preço elevado do ouro.
- Bancos Centrais: Mantêm reservas de ouro e podem influenciar o mercado através de suas políticas monetárias e compras/vendas de metais.
- Mineradoras: Empresas responsáveis pela extração dos metais preciosos.
- Indústria Joalheira e Eletrônica: Consumidores significativos de metais como ouro, prata, platina e paládio.
- Mercados de Futuros: Bolsas onde contratos futuros de metais preciosos são negociados, permitindo a proteção contra riscos de preço e a especulação.
Termos importantes
- Ativo de Refúgio: Um investimento que tende a reter ou aumentar seu valor em tempos de turbulência no mercado.
- Realização de Lucros: Venda de um ativo após uma valorização significativa para garantir os ganhos obtidos.
- Liquidez: A facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro sem afetar seu preço de mercado. Baixa liquidez significa menos compradores e vendedores, o que pode levar a maiores oscilações de preço.
- Contratos Futuros: Acordos para comprar ou vender um ativo em uma data futura a um preço predeterminado.
- Rali: Um período de forte e sustentado aumento nos preços de um ativo ou mercado.
- Desvalorização do Dólar: A perda de valor da moeda americana em relação a outras moedas, o que geralmente torna os metais preciosos mais baratos para compradores com outras moedas, impulsionando sua demanda e preço.