Visão geral
Mauro Cid é um tenente-coronel do Exército Brasileiro que ganhou notoriedade por sua participação como delator em investigações sobre uma suposta trama golpista. Ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Cid foi condenado por crimes relacionados à tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, entre outros. Sua colaboração premiada foi considerada crucial para as investigações, implicando diretamente o ex-presidente em tratativas golpistas. Em janeiro de 2026, foi anunciada sua passagem para a reserva do Exército. Em 11 de setembro de 2025, foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado, sendo a primeira condenação de generais por golpe de Estado na história do Brasil.
Contexto histórico e desenvolvimento
Mauro Cid serviu como ajudante de ordens de Jair Bolsonaro durante sua presidência. Ele se tornou uma figura central nas investigações sobre uma suposta trama golpista que visava manter o ex-presidente no poder após a derrota nas eleições de 2022. Em sua delação premiada, Cid apontou a participação direta de Bolsonaro em reuniões que discutiam essas tratativas. Sua colaboração foi vista como um elemento chave para o avanço das investigações, apesar de ter sido descrita por sua defesa como um processo traumático que resultou em isolamento e acusações de traição por parte de antigos colegas e figuras militares de alta patente, como Braga Netto.
Em janeiro de 2026, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, assinou a portaria que autoriza a passagem de Mauro Cid para a reserva, após um pedido feito pelo próprio militar em agosto do ano anterior. A medida, que representa uma aposentadoria antecipada, permite que Cid mantenha a patente de tenente-coronel e receba uma remuneração proporcional aos seus quase 35 anos de serviço militar, estimada em cerca de R$ 16 mil. Ele terá até 90 dias para desocupar a residência na vila militar em Brasília. Atualmente, Cid cumpre uma pena de dois anos de prisão em regime aberto, com restrições como recolhimento noturno, proibição de saída do país e uso de redes sociais. Em 30 de outubro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena em regime aberto e a retirada da tornozeleira eletrônica; Cid começou a cumprir a pena em 3 de novembro de 2025.
Linha do tempo
- Agosto de 2025: Mauro Cid solicita sua passagem para a reserva do Exército.
- 11 de setembro de 2025: Condenado a dois anos de prisão em regime aberto pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio tombado.
- 28 de janeiro de 2026: A defesa de Mauro Cid anuncia que ele passará para a reserva do Exército.
- 30 de outubro de 2025: Ministro Alexandre de Moraes determina cumprimento da pena em regime aberto e retirada da tornozeleira eletrônica.
- 3 de novembro de 2025: Início do cumprimento da pena em regime aberto.
- 31 de janeiro de 2026: Previsão para a publicação da portaria de passagem para a reserva no Diário Oficial da União.
- 1º de fevereiro de 2026: Passagem efetiva para a reserva remunerada do Exército.
Principais atores
- Mauro Cid: Tenente-coronel do Exército Brasileiro, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator na trama golpista.
- Jair Bolsonaro: Ex-presidente do Brasil, apontado por Cid como participante direto em tratativas golpistas.
- General Tomás Paiva: Comandante do Exército, responsável por assinar a portaria de passagem de Cid para a reserva.
- Braga Netto: General de alta patente, mencionado por Cid em sua delação.
- Supremo Tribunal Federal (STF): Instituição responsável pelo julgamento do caso e pela homologação da delação premiada.
Termos importantes
- Delação premiada: Acordo legal em que um investigado ou réu fornece informações relevantes para a investigação ou processo criminal em troca de benefícios, como redução de pena.
- Reserva do Exército: Situação em que um militar é desligado do serviço ativo, mas permanece vinculado à força, podendo ser convocado em caso de necessidade. No caso de Cid, refere-se a uma aposentadoria antecipada compulsória.
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: Crime que consiste em tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, impedir ou restringir o exercício dos poderes constitucionais ou a livre manifestação da vontade popular.
- Golpe de Estado: Ato de derrubar um governo legalmente constituído de forma ilegal e violenta, geralmente por meio de forças militares ou grupos paramilitares.
