Visão geral
María Corina Machado é uma proeminente figura da oposição venezuelana ao regime chavista, inicialmente liderado por Nicolás Maduro, cuja captura pelos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, em operação ordenada pelo presidente Donald Trump sob alegação de crimes de narcotráfico, levou à assunção de Delcy Rodríguez à presidência. Reconhecida por sua atuação política, ela foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. Recentemente, ganhou destaque internacional por sua "fuga cinematográfica" da Venezuela para receber o prêmio em Oslo, Noruega, uma operação complexa que envolveu planejamento meticuloso, disfarces e uma perigosa travessia marítima, resultando em ferimentos físicos. O contexto de repressão ao dissenso incluiu prisões de opositores como Rocío San Miguel, com libertações recentes sinalizando possível desescalada. Após a captura de Maduro, Machado sugeriu publicamente a possibilidade de entregar seu Prêmio Nobel da Paz de 2025 ao presidente Donald Trump, como um gesto de gratidão do povo venezuelano. Contudo, o Instituto Nobel da Noruega esclareceu que o prêmio é intransferível, inalterável e não pode ser revogado ou compartilhado.
Contexto e histórico
María Corina Machado tem sido uma voz ativa na oposição venezuelana, desafiando o governo de Nicolás Maduro. Sua atuação política a levou a viver na clandestinidade a partir de agosto de 2024, após desafiar o regime nas eleições presidenciais. A tensão política na Venezuela tem sido marcada por repressão e perseguição a figuras da oposição, incluindo detenções arbitrárias como a de Rocío San Miguel em fevereiro de 2024, acusada de plano para assassinar Maduro e mantida no Helicoide, prisão classificada como centro de tortura. A captura de Maduro pelos EUA em janeiro de 2026, ordenada pelo presidente Donald Trump sob alegação de crimes de narcotráfico, e as subsequentes libertações unilaterais de prisioneiros anunciadas por Jorge Rodríguez representam mudanças no cenário político, vistas como gesto de paz pela oposição. Líderes regionais, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Gustavo Petro (Colômbia), expressaram grande preocupação com os eventos recentes na Venezuela. Em meio a esses desenvolvimentos, Machado, agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2025, sugeriu em janeiro de 2026 a possibilidade de entregar seu prêmio a Donald Trump, gerando um debate sobre a transferibilidade do reconhecimento, com o Instituto Nobel da Noruega afirmando que o prêmio é definitivo e intransferível. Machado foi impedida de concorrer às eleições venezuelanas de 2024 e apoiou um candidato substituto, cujos resultados oficiais foram contestados por auditorias independentes.
Linha do tempo
- Agosto de 2024: María Corina Machado passa a viver escondida na Venezuela por desafiar o regime de Maduro nas eleições presidenciais.
- Dezembro de 2025 (semana anterior a 15/12): María Corina Machado realiza uma fuga da Venezuela, em uma operação que durou cerca de três dias, com etapas terrestre, marítima e aérea.
- Noite de quinta-feira (anterior a 15/12/2025): Chegada de María Corina Machado a Oslo, Noruega, onde recebe atendimento médico no Hospital Universitário Ullevål.
- 15 de dezembro de 2025: Jornais como "Aftenposten", "The Wall Street Journal" (WSJ) e "CBS News" divulgam detalhes da fuga e os ferimentos sofridos por Machado, incluindo uma vértebra fraturada.
- 3 de janeiro de 2026: Nicolás Maduro é capturado pelos Estados Unidos em uma operação ordenada pelo presidente Donald Trump, sob alegação de envolvimento em crimes de narcotráfico, levando Delcy Rodríguez a assumir a presidência.
- 8 de janeiro de 2026: Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, anuncia a libertação unilateral de um número significativo de prisioneiros venezuelanos e estrangeiros, incluindo a ativista oposicionista Rocío San Miguel, detida desde fevereiro de 2024, e o ex-candidato presidencial Enrique Márquez.
- 8 de janeiro de 2026: Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Gustavo Petro (Colômbia) conversam sobre a situação na Venezuela, expressando "grande preocupação" com os eventos recentes.
- Semana de 5 a 11 de janeiro de 2026: María Corina Machado sugere em entrevista à Fox News a possibilidade de entregar seu Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump. Trump expressa que ficaria honrado em aceitar o prêmio durante uma reunião planejada para a semana seguinte em Washington.
- 10 de janeiro de 2026: O Instituto Nobel da Noruega afirma que o Prêmio Nobel da Paz é intransferível, inalterável e não pode ser revogado ou compartilhado, em resposta às declarações de María Corina Machado.
Principais atores
- María Corina Machado: Líder da oposição venezuelana, agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. Sugeriu a possibilidade de entregar seu prêmio a Donald Trump.
- Nicolás Maduro: Ex-presidente da Venezuela, cujo regime foi confrontado por Machado e capturado pelos EUA em janeiro de 2026 sob alegação de crimes de narcotráfico.
- Claudia Macero: Coordenadora de comunicação da equipe de María Corina Machado.
- Bryan Stern: Veterano das Forças Especiais dos EUA e chefe de uma organização americana de resgate sem fins lucrativos, que liderou a operação de fuga de Machado.
- Governo dos EUA: Embora não tenha financiado a operação de fuga de Machado, autoridades americanas acompanharam a fuga em tempo real e o Exército dos EUA foi acionado para auxiliar na localização da embarcação de Machado e evitar bombardeios; responsável pela captura de Maduro.
- Donald Trump: Presidente dos Estados Unidos, ordenou a operação de captura de Nicolás Maduro. Expressou que ficaria honrado em aceitar o Prêmio Nobel da Paz de Machado, caso ela o ofereça.
- Empresa privada dos EUA: Responsável pelo planejamento e execução da fuga de Machado.
- Hospital Universitário Ullevål (Oslo, Noruega): Local onde María Corina Machado recebeu atendimento médico após sua chegada.
- Rocío San Miguel: Ativista venezuelana com nacionalidade espanhola, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, presa em fevereiro de 2024 no aeroporto de Caracas e libertada em 8 de janeiro de 2026 após detenção no Helicoide.
- Jorge Rodríguez: Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e irmão de Delcy Rodríguez, anunciou as libertações unilaterais de prisioneiros em janeiro de 2026.
- Delcy Rodríguez: Assumiu a presidência da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro.
- Enrique Márquez: Ex-candidato à Presidência da Venezuela, detido desde o início de 2025 e libertado em janeiro de 2026.
- Luiz Inácio Lula da Silva (Lula): Presidente do Brasil, conversou com Gustavo Petro sobre a Venezuela em 8 de janeiro de 2026, expressando grande preocupação.
- Gustavo Petro: Presidente da Colômbia, conversou com Lula sobre a Venezuela em 8 de janeiro de 2026, expressando grande preocupação.
- Instituto Nobel da Noruega: Afirmou que o Prêmio Nobel da Paz é intransferível e definitivo.
Termos importantes
- Regime Maduro: Refere-se ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, frequentemente criticado por práticas autoritárias e repressivas, sucedido por Delcy Rodríguez após sua captura.
- Prêmio Nobel da Paz: Reconhecimento internacional concedido a indivíduos ou organizações que tenham realizado o maior ou o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela formação e promoção de congressos de paz. O Instituto Nobel da Noruega esclareceu que o prêmio é intransferível.
- Operação de extração: Termo utilizado para descrever a retirada de uma pessoa de um local perigoso ou de difícil acesso, muitas vezes de forma sigilosa e planejada.
- Helicoide: Prisão notória do serviço de inteligência venezuelano (SEBIN), classificada por organizações de direitos humanos como centro de tortura.