Visão geral
A investigação de Jerome Powell refere-se ao inquérito criminal aberto pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. A investigação foi confirmada por Powell em janeiro de 2026 e, segundo ele, está ligada à pressão do governo Donald Trump sobre a política de taxas de juros do Banco Central americano. O inquérito formalmente decorre de um depoimento de Powell ao Congresso em junho de 2025, a respeito da reforma da sede do Fed em Washington.
Contexto histórico e desenvolvimento
Desde o primeiro mandato de Donald Trump e após seu retorno à Casa Branca, tem havido um confronto recorrente entre o presidente e Jerome Powell, principalmente em relação às decisões sobre as taxas de juros. Trump tem criticado abertamente o Fed por manter as taxas estáveis ou por não as cortar, alegando que taxas mais baixas beneficiariam a economia dos EUA, especialmente diante de suas políticas tarifárias. Powell, por sua vez, defende a independência do Fed na definição da política monetária, baseada em dados econômicos e não em pressão política.
A disputa escalou com a abertura da investigação criminal. Em junho de 2025, Powell depôs perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do Fed. Durante o depoimento, ele minimizou os custos excessivos e a aquisição de itens de luxo, como terraços, jardins na cobertura e pisos de mármore, rebatendo alegações de que o projeto se assemelhava ao Palácio de Versalhes. Um mês depois, a congressista republicana Anna Paulina Luna anunciou que encaminharia uma acusação de perjúrio e declarações falsas contra Powell ao Departamento de Justiça. Em janeiro de 2026, Powell confirmou a investigação, classificando-a como uma "ação sem precedentes" e um pretexto para a pressão política sobre a política monetária do Fed. A Casa Branca e Trump negaram envolvimento direto na investigação, embora Trump tenha reiterado suas críticas a Powell.
Linha do tempo
- Março de 2025: Donald Trump critica o Fed por manter as taxas de juros estáveis.
- Abril de 2025: Trump afirma que taxas de juros mais baixas ajudariam a economia dos EUA a lidar com novas tarifas de importação.
- Junho de 2025: Jerome Powell depõe perante o Comitê Bancário do Senado dos EUA sobre a reforma da sede do Fed.
- Julho de 2025: Trump critica novamente o Fed por não cortar as taxas de juros, dizendo que a política monetária estava "prejudicando as pessoas". A congressista Anna Paulina Luna anuncia que encaminhará uma acusação contra Powell ao Departamento de Justiça.
- Meados de 2025: Imprensa dos EUA noticia que Scott Bessent seria o principal nome para substituir Powell.
- Dezembro de 2025: Trump oferece o cargo de presidente do Fed a Scott Bessent, que não aceita. Trump sugere Kevin Hassett como favorito e anuncia que nomearia o sucessor de Powell em janeiro.
- 11 de janeiro de 2026: Jerome Powell confirma ter se tornado alvo de uma investigação do Departamento de Justiça, atribuindo-a à pressão do governo Trump.
- 13 de janeiro de 2026: Um grupo de presidentes de bancos centrais manifesta apoio a Powell, defendendo a independência dos bancos centrais.
Principais atores
- Jerome Powell: Presidente do Federal Reserve, alvo da investigação e defensor da independência do Banco Central.
- Donald Trump: Presidente dos EUA, crítico das políticas de juros do Fed e envolvido em confrontos com Powell.
- Departamento de Justiça (DOJ): Órgão responsável pela abertura da investigação criminal contra Powell.
- Anna Paulina Luna: Congressista republicana que encaminhou a acusação contra Powell ao Departamento de Justiça.
- Tim Scott: Presidente do Comitê Bancário do Senado, que expressou preocupação com os custos da reforma da sede do Fed.
- Scott Bessent: Secretário do Tesouro americano, considerado um possível sucessor de Powell.
- Kevin Hassett: Conselheiro econômico de Trump, apontado como favorito para a sucessão de Powell.
- Federal Reserve (Fed): Banco Central dos EUA, cuja independência é central para a disputa.
Termos importantes
- Federal Reserve (Fed): O Banco Central dos Estados Unidos, responsável pela política monetária do país, incluindo a definição das taxas de juros, controle da inflação e estabilidade do sistema financeiro.
- Política monetária: Conjunto de medidas adotadas por um Banco Central para controlar a oferta de dinheiro, o crédito e as taxas de juros, visando estabilizar a economia e atingir metas como inflação e pleno emprego.
- Taxas de juros: Custo do dinheiro emprestado ou o retorno sobre o dinheiro economizado. As decisões do Fed sobre as taxas de juros afetam empréstimos, investimentos e a atividade econômica em geral.
- Independência do Banco Central: Princípio que defende que o Banco Central deve operar livre de interferências políticas diretas, permitindo que suas decisões sejam baseadas em critérios técnicos e econômicos de longo prazo.
- Perjúrio: Ato de fazer uma declaração falsa sob juramento ou afirmação solene, especialmente em um tribunal ou perante um órgão legislativo.
- Departamento de Justiça (DOJ): Principal agência federal de aplicação da lei e de advocacia do governo dos Estados Unidos, responsável por investigar crimes federais e representar o governo em questões legais.
- Tarifas de importação: Impostos cobrados sobre bens importados, usados para proteger indústrias domésticas ou como ferramenta de política externa.