Visão geral
As políticas de imigração do governo de Donald Trump, em seu segundo mandato iniciado em 2025, focam na repressão intensiva à imigração ilegal, com deportações recordes, envio de agentes federais a cidades e revogação de status legais temporários. Planeja-se ampliação em 2026, com US$ 170 bilhões adicionais para o ICE e Patrulha da Fronteira até 2029, apesar de queda na aprovação pública e reações negativas. O governo também tem utilizado avisos em múltiplos idiomas para dissuadir novos imigrantes. Trump justifica suas ações, incluindo a repressão a imigrantes e a perseguição de fraudadores, como uma defesa contra o que ele descreve como roubo e fraude generalizados. O estado de Minnesota, em particular, tornou-se o epicentro da ofensiva anti-imigração de Trump, com a Operação Metro Surge, que o governo descreve como a "maior operação até hoje", visando deportar criminosos. Após as mortes de Renée Nicole Good e Alex Pretti em operações anti-imigração em Minneapolis, Trump mudou o tom, buscando "reduzir a tensão" e adotar uma abordagem mais tradicional nas operações, realocando agentes e expressando condolências à família da vítima. Em 30 de janeiro de 2026, o governo ampliou o poder de atuação dos agentes do ICE, permitindo prisões sem a necessidade de mandados, conforme noticiado pelo The New York Times.
Contexto e histórico
Trump retornou à Casa Branca prometendo deportações massivas após anos de imigração ilegal elevada no governo Biden. Desde janeiro de 2025, autorizou operações em cidades, bairros e empresas, resultando em 605 mil deportações até 10 de dezembro de 2025. Além disso, 1,9 milhão de imigrantes se "autodeportaram" voluntariamente, influenciados por ameaças veiculadas nas redes sociais e incentivos financeiros. Inicialmente evitou setores dependentes de imigrantes, mas agora mira locais de trabalho. Há protestos, ações judiciais por discriminação e uso excessivo de força, com detenção de não criminosos (41% dos casos) e imigrantes legais. Líderes locais, como o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, têm denunciado o uso excessivo da força e a falta de apoio policial local, gerando confrontos verbais diretos com o presidente Trump, que acusa esses líderes de "incitar a desordem" e "insurreição". A intensificação das prisões relacionadas à imigração tem gerado tensões e confrontos, como os ocorridos em Minneapolis, onde houve denúncias de uso de crianças como "isca" para prender imigrantes. A condução das audiências de fiança para imigrantes detidos pelo governo Trump tem sido alvo de críticas e intervenção judicial, com o juiz federal-chefe de Minnesota, Patrick J. Schiltz, apontando a não conformidade com ordens judiciais e a privação do devido processo legal para detidos como Juan T.R. A escolha de Minnesota como foco da ofensiva migratória de Trump, com a Operação Metro Surge, é atribuída a um escândalo de fraude envolvendo a comunidade somali no estado e à tensão política entre o governo republicano de Donald Trump e o governo democrata de Minnesota. Trump atacou a comunidade somali, qualificando-a de "lixo" e atribuindo-lhe a culpa por perdas financeiras em fraudes, apesar de a maioria dos somalis no estado serem cidadãos americanos. As ações do ICE no estado, inicialmente focadas na comunidade somali, passaram a se concentrar mais na comunidade latina. A morte da cidadã americana Renée Nicole Good em 7 de janeiro de 2026 e do enfermeiro Alex Pretti em 24 de janeiro de 2026 durante operações em Minneapolis gerou forte repercussão negativa, levando a protestos e alertas de lideranças republicanas sobre o desgaste político das ações do ICE. Essa pressão resultou em uma mudança de postura de Trump, que passou a buscar a redução da tensão e a colaboração com as autoridades locais, além de realocar o comandante da operação e enviar Tom Homan para reavaliar a estratégia em Minneapolis. Minnesota, um estado-santuário, tem um histórico de ativismo e resistência às políticas de Trump, com a população se organizando para proteger imigrantes contra deportações e abusos, utilizando "observadores" para monitorar as ações do ICE. Em 30 de janeiro de 2026, o poder de atuação dos agentes do ICE foi significativamente ampliado, com a permissão para efetuar prisões sem a necessidade de mandados, uma medida que pode intensificar ainda mais as operações e gerar novas discussões sobre direitos e devido processo legal.
Linha do tempo
- Janeiro 2025: Trump assume e inicia operações de deportação.
- Março 2025: Aprovação da política em 50%.
- Julho 2025: Congresso aprova US$ 170 bilhões extras para imigração até 2029.
- Novembro 2025: 54 mil detidos pelo ICE, 41% sem antecedentes criminais.
- Dezembro 2025: Aprovação cai para 41%; eleição de prefeita democrata em Miami atribuída à rejeição às políticas; revogação de status para haitianos, venezuelanos e afegãos. O governo afirma ter deportado 605 mil pessoas e que 1,9 milhão se "autodeportaram" até 10 de dezembro. Um vídeo viral de um youtuber, Nick Shirley, expõe supostas fraudes em creches somalis em Minnesota, levando a declarações da secretária de Segurança Nacional Kristi Noem sobre uma investigação "porta a porta".
- 6 de janeiro de 2026: Início da Operação Metro Surge em Minneapolis, com o destacamento de mais de 2 mil agentes federais, descrita como a "maior operação até hoje" pelo DHS, com o objetivo de "ERRADICAR a fraude" em Minnesota.
- 7 de janeiro de 2026: Uma mulher, Renée Nicole Good, morre em Minneapolis durante uma operação de imigração. O governo Trump defende que os agentes atuaram em legítima defesa.
- 15 de janeiro de 2026: Departamento de Estado norte-americano emite aviso em português (e outras línguas) alertando que imigrantes que vierem aos EUA para roubar serão presos e deportados.
- 24 de janeiro de 2026: Ataque a agentes federais de imigração em Minneapolis resulta na morte de Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos. O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirma que um agente realizou "tiros defensivos" após o homem, armado, se aproximar da patrulha de fronteira. A polícia de Minneapolis informa que o homem era cidadão americano, morador da cidade e possuía permissão para porte de arma. Trump defende as ações federais, acusa líderes locais de "fracos" e de "incitar a desordem" e "insurreição", afirmando que o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, "estão incitando insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante!". O governador Walz classifica o incidente como "mais um ataque a tiros atroz" por parte de agentes federais.
- 25 de janeiro de 2026: Trump começa a mudar o tone publicamente, pedindo colaboração ao governador de Minnesota e ao prefeito de Minneapolis, após repercussão negativa da morte de Pretti e alertas de lideranças republicanas.
- 26 de janeiro de 2026: Trump conversa por telefone com o governador Tim Walz. O prefeito Jacob Frey anuncia que a Casa Branca concordou em reduzir o número de agentes federais em Minneapolis. A imprensa americana informa a realocação de Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira em Minneapolis, para a Califórnia.
Principais atores
- Donald Trump: Presidente dos EUA, principal articulador das políticas. Inicialmente defendeu a atuação federal e acusou líderes locais de incitar a desordem, mas mudou o tom após as mortes de Renée Nicole Good e Alex Pretti, buscando "reduzir a tensão" e expressando condolências à família da vítima. Atacou a comunidade somali de Minnesota, qualificando-a de "lixo" e atribuindo-lhe a culpa por perdas financeiras.
- Tom Homan: "Czar da fronteira", prometeu explosão nos números de prisões. Após a segunda morte por agente de imigração em Minnesota, Trump o ordenou a assumir a ofensiva migratória do governo no estado, com a intenção de adotar uma abordagem mais tradicional.
- ICE e Patrulha da Fronteira: Agências executoras, com novos agentes e centros de detenção. Agentes do DHS justificaram "tiros defensivos" em Minneapolis. O diretor interino do ICE, Todd Lyons, foi ordenado a comparecer em tribunal para explicar a não conformidade com ordens judiciais. O comandante Gregory Bovino foi realocado após a morte de Alex Pretti. O foco das operações em Minnesota, inicialmente na comunidade somali, passou para a comunidade latina. Em 30 de janeiro de 2026, agentes do ICE foram autorizados a efetuar prisões sem a necessidade de mandados.
- Departamento de Estado norte-americano: Responsável pela divulgação de avisos e ameaças contra imigrantes em múltiplos idiomas.
- Kristi Noem: Secretária de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que os mortos em operações eram "terroristas" e que o ICE faria uma investigação "porta a porta" sobre "fraude galopante" em Minnesota.
- Mike Madrid: Estrategista republicano moderado, critica desgaste político.
- Sarah Pierce: Diretora do Third Way, prevê reação de empresas.
- Tim Walz: Governador de Minnesota, crítico das operações federais e do uso excessivo da força, classificou o incidente de 24 de janeiro de 2026 como "mais um ataque a tiros atroz" por agentes federais. Conversou com Trump sobre a redução da tensão. Adversário político de Trump, foi seu oponente na campanha presidencial de 2024 como candidato à vice-presidência na chapa de Kamala Harris.
- Jacob Frey: Prefeito de Minneapolis, crítico da resposta do governo Trump e das operações federais. Anunciou o acordo para reduzir o número de agentes federais na cidade.
- Patrick J. Schiltz: Juiz federal-chefe de Minnesota, ordenou a presença do diretor interino do ICE em tribunal para explicar a não conformidade com ordens judiciais e a privação do devido processo legal para imigrantes detidos.
- Todd Lyons: Diretor interino do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), foi ordenado a comparecer pessoalmente ao tribunal para explicar as violações das ordens judiciais relativas às audiências de fiança de imigrantes detidos.
Termos importantes
- ICE: Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, responsável por detenções e deportações. Seu diretor interino foi intimado a comparecer em tribunal por violações de ordens judiciais. O foco de suas operações em Minnesota mudou da comunidade somali para a latina. Em 30 de janeiro de 2026, agentes do ICE foram autorizados a efetuar prisões sem a necessidade de mandados.
- Deportações: Remoção de imigrantes sem status legal; meta de 1 milhão/ano.
- Status legal temporário: Revogado para centenas de milhares de haitianos, venezuelanos e afegãos.
- Batidas em locais de trabalho: Fiscalizações em empresas para prender imigrantes ilegais.
- Ameaças em múltiplos idiomas: Avisos emitidos pelo governo, como o do Departamento de Estado em português, para dissuadir a imigração.
- Autodeportação: Saída voluntária de imigrantes do país, muitas vezes influenciada por políticas governamentais e avisos.
- Fraude e roubo: Termos usados por Trump para justificar a repressão à imigração e a perseguição de indivíduos, equiparando a imigração ilegal a crimes financeiros. Um escândalo de fraude envolvendo a comunidade somali em Minnesota foi usado como justificativa para a Operação Metro Surge.
- Devido processo legal: Direito fundamental que garante a todos os indivíduos, incluindo imigrantes detidos, o direito a um julgamento justo e a procedimentos legais adequados, como audiências de fiança, cuja violação foi apontada pelo juiz Schiltz.
- Recalculando a rota: Expressão utilizada para descrever a mudança de estratégia do governo Trump em relação às operações anti-imigração após as mortes de Renée Nicole Good e Alex Pretti, buscando reduzir a tensão e adotar abordagens mais tradicionais.
- Operação Metro Surge: Maior operação de destacamento de agentes federais do DHS em Minnesota, iniciada em 6 de janeiro de 2026, com o objetivo declarado de deportar criminosos e "ERRADICAR a fraude".
- Estado-santuário: Estados ou cidades que tradicionalmente acolhem imigrantes sem documentos e cooperam de forma limitada com as autoridades federais para sua detenção e deportação, como Minnesota.
- Prisões sem mandado: Nova autorização concedida aos agentes do ICE em 30 de janeiro de 2026, permitindo-lhes efetuar prisões sem a necessidade de um mandado judicial prévio, ampliando significativamente seu poder de atuação.