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Hugo Motta
Adicionado: Informações sobre a tentativa de Hugo Motta de impor uma agenda de ajuste fiscal ao governo Lula em junho de 2025, incluindo a revisão de renúncias fiscais e a retomada da reforma administrativa, em resposta ao aumento do IOF. Também foi incluída a suspensão dos decretos do IOF pelo STF em julho de 2025 e a avaliação de sua liderança no final de 2025.
Hugo Motta é um político brasileiro, filiado ao Republicanos, e atualmente ocupa a presidência da Câmara dos Deputados. Ele representa o estado da Paraíba. Recentemente, Motta esteve no centro de um debate público após rebater críticas de seu antecessor, Arthur Lira, sobre sua gestão na Câmara, defendendo o papel do Congresso Nacional. Além disso, Motta defendeu publicamente a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e de órgãos de controle em investigações contra parlamentares, afirmando que a Câmara não tem compromisso com quem age de forma irregular. Ao final de 2025, Motta avaliou que a relação entre a Câmara e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava "estabilizada", expressando expectativa por mais diálogo em 2026, apesar das divergências ocorridas ao longo do ano. Motta também tomou decisões importantes sobre a cassação de mandatos de deputados, como Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, justificando-as como forma de evitar "estresse institucional" e conflitos com o STF, além de buscar não arrastar problemas para o ano seguinte na Casa. Em um tema trabalhista, Motta propôs um debate equilibrado e sem polarização ideológica sobre o fim da escala de trabalho 6x1, que entrará em vigor em 2026.
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara dos Deputados no início de 2025, com o apoio de Arthur Lira, seu padrinho político. A relação entre os dois, no entanto, tornou-se tensa após Lira expressar insatisfação com a condução de Motta em pautas importantes, como a análise da cassação do deputado Glauber Braga. Lira criticou publicamente a gestão de Motta, descrevendo a Câmara como uma "esculhambação" e sugerindo que o atual presidente estava "perdido". Motta, por sua vez, defendeu sua administração e o trabalho do Congresso, afirmando que a Casa tem atuado positivamente em prol do país. Em um desenvolvimento posterior, Motta se posicionou sobre investigações envolvendo parlamentares, defendendo o papel do STF e da Polícia Federal em apurar condutas irregulares. Ele enfatizou que a Câmara não protegerá deputados com condutas ilícitas, mesmo diante de operações como a que teve como alvo os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, investigados por desvio de recursos de cotas parlamentares.
Em dezembro de 2025, Hugo Motta liderou a Mesa Diretora da Câmara na cassação dos mandatos de Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ramagem foi condenado pelo STF à perda do mandato e a 16 anos de prisão por organização criminosa, tentativa de abolição do Estado Democrático e tentativa de golpe de Estado, sendo acusado pela PGR de usar a Abin para vigiar adversários políticos e difundir narrativas de fraude eleitoral. Ele é considerado foragido nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro teve seu mandato cassado por faltas excessivas. Inicialmente, Motta havia sinalizado que submeteria o caso de Ramagem à votação em plenário, mas recuou após a experiência com a deputada Carla Zambelli (PL-SP). Zambelli, condenada a dez anos de prisão por ataques a sistemas do CNJ, teve sua cassação livrada pelo plenário da Câmara, mas a decisão foi anulada pelo STF, levando à sua renúncia. Para evitar um "novo episódio de conflito" e "estresse institucional" com o STF, a decisão de cassar Ramagem e Eduardo Bolsonaro foi tomada pela Mesa Diretora, em conjunto com as lideranças partidárias. Motta justificou a medida como necessária para enfrentar a agenda de cassações em 2025 e evitar que esses problemas se arrastassem para o ano seguinte, prejudicando o andamento da Câmara.
Ao longo de 2025, a relação entre Hugo Motta e o governo Lula foi marcada por tensões e divergências. Um dos episódios mais recentes de desentendimento ocorreu durante a análise da proposta que cria um marco legal de combate ao crime organizado, conhecido como PL Antifacção. Motta defendeu a escolha de Guilherme Derrite (PP-SP), um opositor do governo, como relator do projeto, o que gerou críticas de lideranças governistas, como a ministra Gleisi Hoffmann. O desconforto com a cúpula governista ficou evidente em 26 de novembro, quando Motta não compareceu a um evento no Palácio do Planalto para a sanção da proposta que eleva a isenção do Imposto de Renda. Dois dias antes, Motta havia declarado publicamente o rompimento com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias. Apesar desses episódios, Motta afirmou que o diálogo com o presidente Lula nunca foi perdido e que a relação termina o ano "estabilizada", com a expectativa de maior entendimento em 2026. Ele destacou a colaboração da Câmara na aprovação de projetos de interesse do governo e a importância da independência e harmonia entre os Poderes. Motta também deu seu apoio à indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo, considerando que ele poderá ajudar o governo a melhorar sua performance no Congresso. Outro ponto de atrito foi o chamado PL da Dosimetria, que poderia reduzir penas de condenados por atos golpistas. Motta defendeu a aprovação do projeto pelo Congresso como um "direito" e uma "decisão política" para "pacificar" o país, embora tenha ressaltado que não se tratava de anistia. O presidente Lula, no entanto, afirmou que vetaria a proposta, e Motta indicou que, em caso de veto, a questão seria discutida com as lideranças do Congresso.
Em junho de 2025, Motta tentou impor uma agenda de ajuste fiscal ao governo Lula, incluindo a revisão de renúncias fiscais, desvinculação de receitas da União e retomada da reforma administrativa. Essa ofensiva surgiu da insatisfação do Congresso com o decreto presidencial que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para arrecadar R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 40 bilhões em 2026. Motta deu um ultimato de dez dias para que a Fazenda apresentasse uma alternativa ao aumento do IOF, ameaçando pautar a derrubada do decreto. Ele também alertou que um recurso do governo ao STF sobre o tema seria "mal recebido pelo Legislativo". Em julho de 2025, Motta reiterou que o Congresso não admitiria ser "atropelado" em relação ao IOF, defendendo o diálogo e a correção nas relações entre os Poderes. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu os efeitos tanto dos decretos do governo Lula que aumentaram as alíquotas do IOF quanto do decreto legislativo aprovado pelo Congresso que derrubou a medida do governo.