Eleição Presidencial Portugal 2026
Adicionado evento de 08/02/2026 sobre a vitória de António José Seguro no segundo turno, incluindo percentuais de votos, declarações dos candidatos e o impacto das tempestades no pleito.
A eleição presidencial portuguesa de 2026 elegeu António José Seguro, da centro-esquerda, como o novo Presidente da República de Portugal. O pleito, que se confirmou como um segundo turno após uma disputa acirrada, não ocorria há 40 anos na história eleitoral portuguesa. Cerca de 11 milhões de portugueses foram às urnas para escolher o próximo presidente, em um pleito considerado um dos mais fragmentados da história recente do país. As projeções de abstenção indicavam uma taxa entre 37% e 43%, o que, se confirmado, representaria a eleição presidencial com maior participação desde 2006. António José Seguro venceu o segundo turno com 66,7% dos votos válidos, superando André Ventura, que obteve 33,3%. Pesquisas de boca de urna e prévias da apuração já apontavam a vitória de Seguro com uma margem significativa, confirmando as previsões de intenção de voto divulgadas nas semanas anteriores. Em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito, Seguro expressou: "A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país, deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação".
A eleição presidencial de 2026 ocorreu em um cenário político onde a possibilidade de um segundo turno era considerada significativa e se concretizou. Historicamente, as eleições presidenciais em Portugal têm sido decididas no primeiro turno na maioria das vezes. A última vez que um segundo turno foi necessário para definir o presidente foi há quatro décadas. A disputa atual, com vários candidatos fortes, sugeriu uma fragmentação do voto que impediu que qualquer candidato obtivesse a maioria absoluta no primeiro turno, levando à confirmação do segundo turno. O primeiro turno, realizado em 18 de janeiro de 2026, teve António José Seguro na liderança com 31,13% dos votos, seguido por André Ventura com 23,49%. João Cotrim Figueiredo ficou em terceiro com 15,99%, não avançando para o segundo turno. O avanço do Chega, partido de extrema direita que se tornou a segunda maior força política do país nas últimas eleições parlamentares, redesenhou o cenário tradicionalmente polarizado entre socialistas e sociais-democratas. O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, que ocupou o cargo por quase uma década e foi marcado por uma postura conciliadora, está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, abrindo espaço para uma corrida inédita ao Palácio de Belém. Em Portugal, o presidente é o chefe de Estado e exerce funções mais cerimoniais, mas em momentos de crise, a figura presidencial ganha mais peso político, podendo dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições, além de comandar as Forças Armadas. A disputa eleitoral para o segundo turno refletiu a polarização política entre a centro-esquerda e os movimentos populistas. António José Seguro, um político socialista moderado de 63 anos, posicionou-se como um candidato que cooperaria com o governo minoritário de centro-direita de Portugal, repudiando as posições anti-establishment e anti-imigração de Ventura. Ele conquistou o apoio de outros políticos tradicionais, tanto de esquerda quanto de direita, que desejavam conter a crescente onda populista. Apesar da derrota no segundo turno, André Ventura, de 43 anos, e seu partido Chega, seguem em escalada de popularidade no país, refletindo a influência crescente da extrema direita em Portugal e na Europa. Ventura reconheceu a derrota, mas afirmou: "Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança". Ele também destacou que "Todo o sistema político, tanto de direita quanto de esquerda, uniu-se contra mim. Mesmo assim, acredito que a liderança da direita foi definida e consolidada hoje. Espero liderar esse espaço político a partir de hoje". O segundo turno das eleições, marcado para 8 de fevereiro de 2026, foi adiado em alguns municípios do sul e centro do país devido a tempestades, afetando cerca de 37 mil eleitores (0,3% do total). Ventura criticou o governo por manter a data das eleições, enquanto Seguro expressou solidariedade aos afetados e pediu que os cidadãos não deixassem de ir às urnas, ressaltando a importância do voto.