Economia da Venezuela
Adicionado seção sobre migração regional e crise de refugiados; incluído dados estatísticos sobre venezuelanos no Brasil (Censo e Conare) e o reforço militar na fronteira em 07/01/2026.
A economia da Venezuela é um tema de relevância global, frequentemente associado a impactos em mercados internacionais, como as ações europeias, e a flutuações no preço do petróleo. Sua situação econômica é um fator que pode influenciar a estabilidade de outros mercados e a percepção de risco em investimentos globais. Eventos políticos recentes, como a mudança de liderança, libertações de prisioneiros e a intervenção direta dos Estados Unidos na gestão do petróleo venezuelano, intensificam a incerteza. Sob um novo arranjo, o governo dos EUA passou a intermediar as negociações do petróleo bruto do país, estabelecendo que as receitas sejam depositadas em contas controladas por Washington e destinadas à compra de produtos fabricados nos EUA, como itens agrícolas e médicos. Atualmente, o setor atrai o interesse de grandes petroleiras americanas, que avaliam o retorno ao país em meio a um cenário de alto risco, enquanto os dois governos iniciam diálogos para a reconstrução da infraestrutura energética local. O agravamento da crise política e militar também gerou um impacto humanitário significativo, consolidando os venezuelanos como a principal nacionalidade estrangeira em países vizinhos como o Brasil.
A economia venezuelana tem sido historicamente dependente do petróleo, commodity que desempenha um papel central em suas finanças e na sua relação com o cenário econômico mundial. A presença de empresas estrangeiras no setor passou por grandes transformações nas últimas décadas; enquanto a Chevron manteve operações no país, outras gigantes como Exxon e ConocoPhillips deixaram a Venezuela há quase 20 anos. Mudanças recentes na liderança política, incluindo a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em operação ordenada pelo presidente Donald Trump e a manutenção de Delcy Rodríguez no poder por decisão do Tribunal Supremo de Justiça, contribuem para a volatilidade nos mercados.
O governo americano anunciou que refinará e venderá até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano. Além da comercialização, os EUA e a Venezuela iniciaram conversas para cooperar na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás do país em uma escala moderna. O mercado global de energia tem reagido a esses eventos com altas nos preços do WTI e do Brent, à medida que investidores avaliam os riscos de suprimento global e a possibilidade de uma normalização diplomática que facilite operações industriais de larga escala.
Após a captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026, o governo venezuelano decretou estado de emergência, resultando em um aumento significativo da presença de forças de segurança e milícias armadas, conhecidas como "colectivos", nas ruas. Relatos indicam a intensificação de interrogatórios em postos de controle e a verificação de aparelhos celulares em busca de evidências de oposição ao regime. O governo ordenou a busca e captura nacional de indivíduos acusados de apoiar a incursão armada americana. Em paralelo, embora o governo tenha anunciado a libertação de prisioneiros políticos como um gesto de paz, entidades como o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciam a falta de transparência e opacidade institucional, afirmando que menos de uma dezena de pessoas foram efetivamente soltas, enquanto mais de 1.000 permanecem detidas.
A justificativa americana para a captura de Maduro baseia-se parcialmente no combate ao narcoterrorismo. Nesse contexto, a administração Trump sinalizou uma postura militar agressiva, visando desmantelar estruturas criminosas que operam no território venezuelano.
A instabilidade econômica e política resultou em um êxodo massivo, com cerca de 8,6 milhões de venezuelanos vivendo fora do país. O Brasil tornou-se um dos principais destinos: entre 2010 e 2022, a população venezuelana residente no país saltou de 2.869 para 271.514 pessoas, um aumento de 9.363%. Entre 2019 e 2024, o Brasil concedeu status de refugiado a 148 mil venezuelanos, representando 90% de todos os refúgios reconhecidos no período. Em 2023, o número de reconhecimentos atingiu o pico de 77.193 concessões (97% para venezuelanos). Com a crise militar de 2026, o governo brasileiro intensificou a fiscalização na fronteira em Pacaraima (RR), utilizando veículos blindados e tropas armadas para monitorar o fluxo migratório crescente.
Em janeiro de 2026, o presidente Donald Trump anunciou planos para realizar ataques terrestres contra cartéis de drogas operando na Venezuela. Esta medida é apresentada como uma extensão da estratégia de combate ao narcoterrorismo, utilizada para fundamentar a intervenção que resultou na captura de Nicolás Maduro. A possibilidade de incursões terrestres americanas introduz um novo elemento de tensão militar na região, impactando as expectativas de estabilidade política e econômica necessárias para a recuperação do setor petrolífero.
Em janeiro de 2026, os governos dos Estados Unidos e da Venezuela iniciaram um processo exploratório para restabelecer relações diplomáticas e reabrir embaixadas em Caracas e Washington. Uma equipe de diplomatas americanos realizou uma avaliação preliminar na capital venezuelana, enquanto a gestão de Delcy Rodríguez confirmou o envio de uma delegação aos EUA. Este movimento diplomática é acompanhado por um plano de cooperação para a modernização da infraestrutura energética venezuelana, visando recuperar a capacidade produtiva do país sob supervisão e parceria técnica americana. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, destacou o papel de mediadores internacionais como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o governo do Qatar nos esforços de estabilização.