O empreendedorismo nas favelas tem sido uma resposta constante a desafios econômicos e à falta de oportunidades no mercado formal. A pandemia de COVID-19, a partir de fevereiro de 2020, intensificou essa dinâmica, levando muitas pessoas a perderem seus empregos e a buscarem novas formas de gerar renda. Uma pesquisa do Data Favela, em parceria com a VR, revelou que 56% dos negócios em favelas foram abertos a partir desse período, sendo 12% entre fevereiro de 2020 e abril de 2022 (período crítico da pandemia) e 44% a partir de maio de 2022. Essa reinvenção econômica muitas vezes parte de habilidades domésticas, como a produção de alimentos para venda, ou da valorização de elementos culturais e ancestrais, como no caso da designer Ligia Emanuel da Silva, que criou a Entorno Acessórios.
Os negócios nas favelas são predominantemente de pequeno porte, com a maioria faturando até dois salários mínimos. O capital inicial para a abertura desses empreendimentos geralmente provém de economias pessoais ou familiares, com pouca dependência de empréstimos bancários. A gestão é frequentemente informal, com anotações em cadernos, e a divulgação se dá majoritariamente por redes sociais como WhatsApp e Instagram, além do boca a boca. As principais áreas de atuação incluem alimentação e bebidas, moda, beleza e artesanato. Apesar dos desafios, como a falta de capital e dificuldade de acesso ao crédito, a economia das favelas desempenha um papel crucial na geração de empregos locais e no fortalecimento de cadeias produtivas dentro das próprias comunidades.