Economia Brasileira
Adicionado evento de 20/02/2026 sobre o crescimento de 2,2% do PIB brasileiro em 2025, segundo o Monitor do PIB da FGV, e a derrubada da política tarifária de Trump pela Suprema Corte dos EUA.
A economia brasileira é a maior da América Latina e uma das maiores do mundo, caracterizada por sua diversidade setorial, incluindo agricultura, indústria e serviços. O país enfrenta desafios estruturais como a inflação e as altas taxas de juros, que são temas recorrentes no debate econômico nacional. Em 2025, o setor de alimentos apresentou uma desaceleração significativa, com a inflação da categoria fechando em 2,9%, após os 7% registrados no ano anterior. Apesar do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 ter sido o menor desde 2018 e ter fechado dentro da banda de tolerância, economistas expressam preocupação com a inflação de serviços, especialmente aqueles intensivos em mão de obra, indicando riscos persistentes na avaliação qualitativa. Esta persistência nos serviços tem levado o mercado a precificar um cenário de juros mais altos por mais tempo, adiando as expectativas de um corte na taxa Selic no curto prazo. No setor automotivo, a produção de veículos novos cresceu 3,5% em 2025, totalizando 2,644 milhões de unidades, impulsionada principalmente por veículos leves, enquanto a produção de pesados retraiu 9,9%. As vendas de veículos novos cresceram 2,1% em 2025, um resultado que ficou aquém da projeção inicial da Fenabrave de 5%. Mais recentemente, em novembro de 2026, o setor de serviços brasileiro recuou 0,1%, frustrando as expectativas do mercado que projetava um avanço de 0,2%, o que indica um desempenho abaixo do esperado para a economia. No cenário internacional, o Brasil se prepara para a formalização do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que promete criar a maior zona econômica do mundo, impactando o agronegócio e o comércio de bens de consumo. Para o setor bancário, o Goldman Sachs projeta um 2026 sólido, com expansão da carteira de crédito impulsionada por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e novas modalidades de crédito. Em relação às contas públicas, o governo central registrou um déficit primário de R$ 61,691 bilhões em 2025. No entanto, excluindo despesas extraordinárias como precatórios e indenizações de aposentados, o déficit ajustado foi de R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do PIB, permitindo que o governo cumprisse a meta fiscal de déficit zero para o ano, que possui uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estimou em 13 de janeiro de 2026 que o déficit primário do governo central para 2025 seria de 0,1% do PIB, destacando uma trajetória de melhoria anual dos resultados primários. Em 19 de janeiro de 2026, Haddad defendeu que o problema da dívida pública brasileira está no elevado patamar dos juros reais, e não no déficit público, que foi reduzido em 70% em dois anos. O país também se prepara para quitar R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais em 2025, visando regularizar suas contribuições e reforçar sua atuação multilateral. No mercado imobiliário, o Índice FipeZAP registrou um aumento de 9,44% no valor dos aluguéis em 2025, superando a inflação geral e indicando um mercado aquecido, embora com um ritmo de crescimento mais moderado em comparação com anos anteriores. Este aumento nos aluguéis foi mais que o dobro do IPCA, que avançou 4,26% no mesmo período, resultando em uma alta real de 4,97% nos novos contratos. A vitalidade da economia e um mercado de trabalho forte, com a taxa de desemprego atingindo 5,2% no trimestre encerrado em novembro (a menor desde 2012), são apontados como fatores que sustentaram esse crescimento. No mercado financeiro, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, demonstrou volatilidade em 15 de janeiro de 2026, fechando com alta de 0,26% a 165.568,32 pontos, após testar a marca de 166 mil pontos durante o pregão. Em 23 de janeiro de 2026, o Ibovespa superou 178 mil pontos, atingindo 178.858 pontos e registrando a melhor semana desde abril de 2020, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro. No dia 16 de janeiro de 2026, o dólar recuou 0,61%, fechando a R$5,3684, influenciado pela prévia do PIB e fatores externos, e em 23 de janeiro de 2026, fechou a R$ 5,287, acumulando queda de 3,68% no ano. A entrada líquida de capitais estrangeiros na B3 atingiu R$ 12,35 bilhões em janeiro de 2026, quase metade do saldo positivo de 2025, beneficiando o Brasil como mercado emergente. Os juros altos no país, com a Taxa Selic em 15% ao ano, continuam a atrair capital externo. Segundo o Boletim Focus de 26 de janeiro de 2026, a projeção para o IPCA de 2026 caiu para 4,00%, e para 2027, 2028 e 2029 as estimativas são de 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente. O IGP-M para 2026 recuou para 3,87%, com projeções de 4,00% para 2027, 3,85% para 2028 e 3,71% para 2029. A expectativa de crescimento do PIB para 2026 e 2027 é de 1,8%, e de 2,0% para 2028 e 2029. A projeção para o dólar em 2026 é de R$ 5,50, subindo para R$ 5,51 em 2027, R$ 5,52 em 2028 e R$ 5,58 em 2029. A taxa Selic projetada para 2026 é de 12,25% ao ano, mantendo-se em 10,50% para 2027, 10,00% para 2028 e 9,50% para 2029. Em relação às contas públicas, a meta contínua de inflação do Banco Central é de 3%, com variação aceitável entre 1,50% e 4,50%. Em relação às contas externas, o Brasil encerrou 2025 com um déficit em transações correntes de 3,02% do PIB, superando o saldo negativo do ano anterior, e registrou investimentos diretos negativos em dezembro, contrariando as expectativas de mercado. O déficit das contas externas brasileiras avançou para US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior em 11 anos, indicando que o país enviou mais dinheiro para fora do que recebeu. Em 2024, esse déficit foi de US$ 66,2 bilhões. A piora é atribuída principalmente a um superávit menor na balança comercial (US$ 59,9 bilhões em 2025 contra US$ 65,9 bilhões em 2024). A conta de serviços registrou um déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, e a conta de renda primária, um déficit de US$ 81,3 bilhões. O Banco Central projeta um déficit menor para 2026, de US$ 60 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil totalizaram US$ 77,6 bilhões em 2025, superando os US$ 74,1 bilhões de 2024, mas o BC estima uma queda para US$ 70 bilhões em 2026. Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 21,7 bilhões em 2025, o maior patamar em 11 anos, impulsionados pelo crescimento do PIB, da renda e pela queda de 11,18% do dólar frente ao real. Em contrapartida, os gastos de estrangeiros no Brasil atingiram um novo recorde de US$ 7,8 bilhões em 2025, com 9,29 milhões de turistas estrangeiros chegando ao país, o maior volume já registrado. O aumento do IOF sobre câmbio em meados de maio de 2025 para 3,5% para compra de moeda em espécie e remessas, e também para cartões de crédito, não impediu o crescimento dos gastos no exterior. No setor siderúrgico, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) aprovou em 28 de janeiro de 2026 a aplicação de taxas antidumping definitivas sobre importações de aço pré-pintado da China e da Índia, além de aumentar as tarifas de importação para 25% sobre determinados produtos siderúrgicos. Essas medidas são vistas como positivas para o setor, beneficiando siderúrgicas como Usiminas e CSN, embora o impacto nos preços domésticos possa ser limitado. A CSN, com cerca de 10% de suas vendas em aço pré-pintado, é a única das grandes siderúrgicas com exposição direta a este produto específico. A próxima reunião do Gecex, agendada para 12 de fevereiro de 2026, poderá discutir novas investigações antidumping para bobinas laminadas a frio e produtos laminados planos revestidos. Em janeiro de 2026, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como "inflação do aluguel", registrou alta de 0,41%, revertendo a queda de 0,01% observada em dezembro de 2025. No entanto, no acumulado de 12 meses, o indicador recuou 0,91%, marcando o terceiro mês consecutivo de retração anual, contrastando com o acumulado de 6,75% em janeiro de 2025. Os componentes do IGP-M mostraram o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) com alta de 0,34%, impulsionado por minério de ferro, carne bovina e tomate. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,51%, com pressões de cursos de ensino e gasolina. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou em 0,63%, com destaque para o aumento da mão de obra. Apesar da retração anual do IGP-M, a queda nos valores dos aluguéis não é garantida, pois muitos contratos preveem reajuste apenas em caso de variação positiva do índice. Em 2025, o Brasil criou 1.279.498 postos de trabalho formais, uma redução de 23,73% em comparação com 2024, influenciada pelos juros altos e pela desaceleração econômica. Todos os cinco setores da economia (Serviços, Comércio, Indústria, Construção Civil e Agropecuária) registraram saldo positivo de empregos, com o setor de Serviços liderando a criação de vagas. Todas as regiões e unidades da Federação também apresentaram saldos positivos, destacando-se São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,2% em comparação com 2024, conforme estimativa do Monitor do PIB, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Este foi o quinto ano consecutivo de crescimento, embora com uma perda de ritmo nos últimos meses do ano. O consumo das famílias avançou 1,5%, e a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) expandiu 3,6%. As exportações e importações cresceram 6,2% e 5,1%, respectivamente, e a taxa de investimento atingiu 17,1%, a maior dos últimos três anos. Em termos monetários, o PIB brasileiro alcançou R$ 12,63 trilhões, e o PIB per capita R$ 59.182, ambos patamares recordes na série histórica. A economista Juliana Trece, do Ibre, apontou os juros altos (Selic a 15% em junho de 2025) e o "tarifaço" imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como fatores que contribuíram para a desaceleração do crescimento no final de 2025, apesar de o ano ter terminado com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.
As exportações brasileiras de serviços atingiram um valor recorde de US$ 51,83 bilhões em 2025, com 65% desse total proveniente de serviços digitais. Esses dados foram divulgados pelo Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), uma nova ferramenta lançada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) em 28 de janeiro de 2026. A plataforma oferece estatísticas detalhadas e interativas sobre as transações internacionais de serviços do Brasil, visando ampliar a transparência, qualificar o debate público e fortalecer a formulação de políticas para a competitividade do setor. O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, ressaltou a crescente relevância dos serviços no comércio exterior, destacando que cerca de 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros corresponde a serviços embutidos. Apesar do recorde nas exportações, o Brasil registrou um déficit crônico na balança de serviços, importando US$ 104,77 bilhões em 2025, resultando em um saldo negativo de US$ 52,94 bilhões. Este déficit, somado às remessas de lucros para o exterior, contribuiu para um déficit total de US$ 68,791 bilhões nas contas externas em 2025. No entanto, esse déficit foi compensado pelo investimento estrangeiro direto, que somou US$ 77,676 bilhões no mesmo ano, o melhor resultado desde 2014. O aumento das exportações de serviços é visto como uma estratégia para reduzir a dependência do Brasil de capitais externos.
Em 5 de fevereiro de 2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou projeções para a safra de café de 2026, indicando uma colheita recorde. A produção brasileira de café beneficiado deve atingir 66,2 milhões de sacas, um aumento de 17,1% em relação a 2025. Se confirmada, esta será a maior safra na série histórica da Conab, superando o recorde anterior de 63,1 milhões de sacas em 2020. Esse crescimento é atribuído ao aumento de 4,1% na área plantada, que totaliza 1,9 milhão de hectares, e a uma elevação de 12,4% na produtividade, alcançando 34,2 sacas por hectare. A melhora na produtividade é resultado de condições climáticas mais favoráveis e da adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras. A produção de café arábica é estimada em 44,1 milhões de sacas, um aumento de 23,3% em comparação com 2025, impulsionada pelo crescimento de área e pela bienalidade positiva. A colheita de café conilon também deve registrar um aumento de 6,4%, chegando a 22,1 milhões de sacas, estabelecendo um novo recorde para o tipo, motivado pelo crescimento da área em produção e pelas condições climáticas favoráveis.
Historicamente, a economia brasileira tem sido marcada por ciclos de crescimento e recessão, com períodos de alta inflação e tentativas de estabilização monetária. A gestão da política monetária, especialmente a definição da taxa básica de juros, tem sido um ponto central nas discussões sobre o controle da inflação e o estímulo ao crescimento econômico. A complexidade das causas das altas taxas de juros no Brasil é frequentemente debatida, com economistas apontando para fatores estruturais além das decisões do Banco Central. Em 19 de janeiro de 2026, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou que o problema da dívida pública reside nos juros reais elevados, e não no déficit, que tem sido reduzido significativamente. Discussões sobre a reforma tributária e o sistema fiscal do país também são pautas constantes, impactando a tributação de empresas e investidores. No cenário recente de 2025, a estabilidade climática favoreceu colheitas recordes de itens básicos como arroz e feijão, aliviando o custo do "prato feito" para o consumidor, embora proteínas animais tenham mantido preços pressionados pelo baixo poder de compra da população. Contudo, mesmo com o IPCA geral sob controle em 2025, a avaliação qualitativa da inflação revela preocupações com o setor de serviços, que apresenta preços "estressados", particularmente em segmentos que demandam muita mão de obra, sugerindo que a inflação de serviços pode ser um desafio persistente. A divulgação do IPCA de 2025, embora dentro da meta, reforçou a percepção de que a inflação de serviços pressiona as expectativas do mercado, resultando em um avanço dos juros futuros e uma menor probabilidade de alívio na política monetária via corte da taxa Selic. No mesmo ano, o setor automotivo registrou um crescimento moderado nas vendas de veículos novos, de 2,1%, abaixo da projeção inicial de 5% da Fenabrave. A produção de veículos em 2025 alcançou 2,644 milhões de unidades, um aumento de 3,5% em relação a 2024, impulsionado por veículos leves, apesar da retração de 9,9% na produção de pesados. As exportações de veículos também tiveram um desempenho notável, crescendo 32,1% em 2025, totalizando 528.827 unidades, o melhor resultado desde 2018. Em contraste, as importações de veículos atingiram 497.765 unidades, o maior volume em 11 anos, com a China superando a Argentina como principal exportador e a entrada de seis novas marcas chinesas no mercado brasileiro. Em 2026, o governo federal anunciou um plano para reduzir o "custo Brasil" focado na reestruturação de corredores logísticos por meio de concessões, ferrovias e a implementação do sistema free flow, visando diminuir custos operacionais e aumentar a previsibilidade no setor de transportes. Indicadores de inflação como o IGP-M também são monitorados de perto, com a primeira prévia de janeiro de 2026 mostrando uma aceleração para 0,28%, após uma alta de 0,15% em dezembro. Paralelamente, o Brasil se posiciona para um marco histórico com a finalização do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, cujas negociações se estendem desde 1995 e que culminarão na criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo 27 países da UE e 4 do Mercosul, e um mercado de 720 milhões de consumidores. No entanto, o desempenho do setor de serviços em novembro de 2026, com uma retração de 0,1% contra uma projeção de avanço de 0,2%, indica uma desaceleração que frustra as expectativas do mercado e levanta preocupações sobre a recuperação econômica. Em contrapartida, o setor bancário brasileiro tem uma projeção positiva para 2026, com o Goldman Sachs prevendo uma expansão da carteira de crédito, sustentada por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e novas modalidades de crédito. Em relação às finanças públicas, o governo central registrou um déficit primário de R$ 61,691 bilhões em 2025. Contudo, ao excluir despesas extraordinárias como precatórios e indenizações de aposentados, o déficit ajustado foi de R$ 13,008 bilhões (0,1% do PIB), permitindo o cumprimento da meta fiscal de déficit zero para o ano, que tem uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projetou em 13 de janeiro de 2026 um déficit primário de 0,1% do PIB para o governo central em 2025, afirmando que o país demonstra uma melhoria contínua nos resultados primários. Adicionalmente, o Brasil se prepara para quitar R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais em 2025, um movimento que visa regularizar suas contribuições e fortalecer sua presença multilateral. No mercado de aluguéis, o Índice FipeZAP reportou um aumento de 9,44% em 2025, superando a inflação e mostrando um mercado aquecido, embora com um ritmo de crescimento mais moderado. Este aumento foi mais que o dobro do IPCA de 4,26% no mesmo período, resultando em uma alta real de 4,97% nos novos contratos de aluguel. A vitalidade econômica e o mercado de trabalho forte, com a taxa de desemprego em 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025 (a menor da série histórica desde 2012), foram fatores que impulsionaram esse cenário. A queda do dólar em 16 de janeiro de 2026, influenciada pela prévia do PIB e pelo cenário externo, reflete a dinâmica do mercado de câmbio e a sensibilidade a indicadores econômicos e globais. Em 23 de janeiro de 2026, o Ibovespa registrou um novo recorde, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, que atingiu R$ 12,35 bilhões em janeiro, quase metade do total de 2025. A Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, tem sido um fator atrativo para esses capitais. As projeções do Boletim Focus de 26 de janeiro de 2026 indicam uma queda na inflação para 2026 (IPCA de 4,00% e IGP-M de 3,87%), estabilidade no crescimento do PIB (1,8% para 2026 e 2027, 2,0% para 2028 e 2029) e na taxa Selic (12,25% para 2026, 10,50% para 2027, 10,00% para 2028 e 9,50% para 2029), mas uma alta na projeção do dólar para os anos mais longos (R$ 5,58 em 2029). Em 26 de janeiro de 2026, o Banco Central divulgou que o Brasil registrou um déficit em transações correntes de 3,02% do PIB em 2025, um valor superior ao ano anterior e que superou as expectativas de mercado. Os investimentos diretos no país em dezembro de 2025 também ficaram negativos, contrariando as projeções de um resultado positivo. O déficit das contas externas brasileiras em 2025 atingiu US$ 68,8 bilhões, o pior resultado em 11 anos, superando os US$ 66,2 bilhões de 2024. Este aumento no déficit está ligado a um menor superávit da balança comercial (US$ 59,9 bilhões em 2025 contra US$ 65,9 bilhões em 2024), além de déficits na conta de serviços (US$ 52,9 bilhões) e na conta de renda primária (US$ 81,3 bilhões). No entanto, os investimentos estrangeiros diretos no país aumentaram para US$ 77,6 bilhões em 2025, comparado a US$ 74,1 bilhões em 2024. Em 2025, os gastos de brasileiros no exterior alcançaram US$ 21,7 bilhões, o maior valor em 11 anos, impulsionados pela valorização do real frente ao dólar, que recuou 11,18% no ano. Apesar do aumento do IOF sobre câmbio em meados de maio de 2025, os gastos continuaram a crescer. Simultaneamente, os gastos de estrangeiros no Brasil atingiram um novo recorde de US$ 7,8 bilhões em 2025, com o país recebendo 9,29 milhões de turistas estrangeiros, o maior volume da série histórica. No setor siderúrgico, as decisões do Gecex em 28 de janeiro de 2026, incluindo a aplicação de taxas antidumping e o aumento de tarifas de importação para produtos de aço, refletem uma política de defesa comercial que busca proteger a indústria nacional. Essas medidas são vistas como um passo positivo para as siderúrgicas brasileiras, embora a eficácia a longo prazo possa ser desafiada por práticas de evasão, conforme apontado por analistas. Em 29 de janeiro de 2026, o IGP-M registrou alta de 0,41% em janeiro, mas acumulou queda de 0,91% em 12 meses, com o IPA subindo 0,34%, o IPC 0,51% e o INCC 0,63% no mês. A criação de empregos formais em 2025, embora positiva, registrou uma queda de 23,73% em relação a 2024, com 1.279.498 postos de trabalho criados, influenciada pelos juros altos e pela desaceleração econômica. Em dezembro de 2025, houve a eliminação de 618.164 empregos, o pior resultado para o mês desde 2020. Em 2025, as exportações brasileiras de serviços alcançaram um valor recorde de US$ 51,83 bilhões, dos quais 65% foram de serviços digitais, conforme o Painel ComexVis Serviços do Mdic. Apesar desse recorde, o país registrou um déficit de US$ 52,94 bilhões na balança de serviços e um déficit total de US$ 68,791 bilhões nas contas externas, compensado pelo investimento estrangeiro direto de US$ 77,676 bilhões, o melhor desde 2014.
O crescimento econômico do Brasil em 2025 foi de 2,2% em relação a 2024, segundo o Monitor do PIB da FGV. Este foi o quinto ano consecutivo de alta, embora com uma perda de ritmo nos últimos meses do ano, com o PIB ficando estável em dezembro na comparação com novembro, e no quarto trimestre em relação ao terceiro. O consumo das famílias cresceu 1,5%, e a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) expandiu 3,6%. As exportações e importações avançaram 6,2% e 5,1%, respectivamente, e a taxa de investimento atingiu 17,1%, a maior dos últimos três anos. O PIB brasileiro em valores correntes alcançou R$ 12,63 trilhões, e o PIB per capita R$ 59.182, ambos patamares recordes na série histórica. A economista Juliana Trece, do Ibre, atribuiu a perda de fôlego do PIB aos juros altos (Selic a 15% em junho de 2025) e ao "tarifaço" imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que levou à redução das vendas externas aos americanos. Apesar da pressão restritiva, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE.
A política fiscal e o sistema tributário são elementos cruciais da economia brasileira. Questões como a tributação de lucros e dividendos e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil são pautas centrais. Esta última, inclusive, é apontada por especialistas como um fator que deve aquecer o consumo interno de proteínas em 2026, juntamente com o fluxo de recursos em anos eleitorais. Estímulos fiscais também são vistos como um dos impulsionadores da expansão da carteira de crédito para o setor bancário em 2026, conforme projeções do Goldman Sachs. Em relação às contas públicas, o governo central registrou um déficit primário de R$ 61,691 bilhões em 2025. No entanto, ao excluir despesas extraordinárias como precatórios e indenizações de aposentados, o déficit ajustado foi de R$ 13,008 bilhões, ou 0,1% do PIB. Este resultado permitiu que o governo cumprisse a meta fiscal de déficit zero para o ano, que possui uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estimou em 13 de janeiro de 2026 que o déficit primário do governo central para 2025 seria de 0,1% do PIB, reforçando a visão de uma trajetória de melhoria dos resultados primários a cada ano. Em 19 de janeiro de 2026, Haddad defendeu que o problema da dívida pública brasileira decorre do patamar elevado dos juros reais da economia, e não do excesso de gastos públicos, destacando que o déficit primário foi reduzido em 70% em dois anos e que a meta para o ano atual é ainda mais exigente. As mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e desconto progressivamente menor para quem recebe até R$ 7.350, são esperadas para manter o setor de aluguéis aquecido no primeiro semestre de 2026. Além disso, o Brasil se prepara para quitar R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais em 2025, um movimento que visa regularizar suas contribuições e fortalecer sua presença multilateral. Fernando Haddad também expressou satisfação em ser lembrado como o ministro que taxou os mais ricos, incluindo offshore, fundos familiares fechados, paraísos fiscais e dividendos, afirmando que a "taxação BBB" (banco, bet e bilionário) saiu do papel. Em meados de maio de 2025, o governo aumentou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre câmbio para 3,5% para compra de moeda estrangeira em espécie, remessas para contas no exterior e operações com cartões de crédito, visando encarecer a compra de moeda estrangeira.
O Brasil tem buscado fortalecer sua posição no comércio global através de acordos internacionais. Um marco significativo é o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, cujas negociações se estenderam por três décadas, desde a assinatura da primeira ata em 1995. Em 13 de janeiro de 2026, a Comissão Europeia deu sinal verde para a finalização do pacto, com a assinatura final esperada para 17 de janeiro de 2026. Este acordo histórico criará a maior zona econômica do mundo, unindo 27 países da UE e 4 do Mercosul, incluindo o Brasil, representando 25% da riqueza global e um mercado de 720 milhões de consumidores. Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC e participante das negociações, descreve o acordo como "ganha-ganha", com potencial para baratear produtos europeus no Brasil, como vinhos e chocolates premium, e reposicionar o país no cenário comercial mundial, além de impactar o agronegócio brasileiro. No que tange ao comércio automotivo, as exportações de veículos brasileiros cresceram 32,1% em 2025, atingindo 528.827 unidades, o melhor resultado desde 2018. Por outro lado, as importações de veículos atingiram o maior volume dos últimos 11 anos, com 497.765 unidades, e a China superou a Argentina como principal exportador para o Brasil em 2025, impulsionada pela expansão de novas marcas chinesas no mercado nacional. Além disso, o Brasil demonstra seu compromisso com a atuação multilateral ao se preparar para quitar R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais em 2025, regularizando suas contribuições. O comércio de serviços também ganhou destaque, com as exportações brasileiras atingindo um recorde de US$ 51,83 bilhões em 2025, impulsionadas por serviços digitais, conforme dados do novo Painel ComexVis Serviços do Mdic. Apesar desse desempenho, o país registrou um déficit de US$ 52,94 bilhões na balança de serviços em 2025. As relações comerciais com os Estados Unidos também são um ponto central, com o Brasil buscando uma aproximação para reverter a taxação de produtos brasileiros imposta pelos EUA em agosto de 2025. Embora parte do "tarifaço" tenha sido derrubada, produtos como máquinas, móveis e calçados ainda são afetados por taxação extra.
Em 28 de janeiro de 2026, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) aprovou medidas significativas de defesa comercial para o setor siderúrgico. Foi determinada a aplicação de uma taxa antidumping definitiva sobre as importações de aço pré-pintado da China e da Índia por um período de até cinco anos. As margens antidumping preliminares indicam 21,7% para a Índia e entre 31,9% e 46,9% para a China. Adicionalmente, o Gecex aprovou o aumento das tarifas de importação de 10,8% (ou 12,6% em alguns casos) para 25% sobre determinados produtos siderúrgicos, incluindo alguns laminados a quente, chapas para embalagens, chapas e bobinas de aço inoxidável e silício, além de fio máquina. O Bradesco BBI avalia essas medidas como positivas para as siderúrgicas brasileiras, embora o impacto nos preços domésticos possa ser limitado, especialmente para produtos onde a penetração de importações já vinha diminuindo. A CSN (CSNA3) é a única entre as siderúrgicas mencionadas com exposição direta ao aço pré-pintado, representando cerca de 10% de suas vendas. Analistas do Morgan Stanley e Itaú BBA também veem a decisão como um fator positivo para o sentimento do mercado e para a indústria siderúrgica nacional, destacando Usiminas e CSN como principais beneficiárias. No entanto, há ceticismo quanto à eficácia a longo prazo devido à prevalência histórica de práticas de evasão. A próxima reunião ordinária do Gecex está agendada para 12 de fevereiro de 2026, com a possibilidade de incluir na pauta investigações antidumping sobre bobinas ou chapas laminadas a frio (com decisão final prevista para 19 de fevereiro de 2026) e produtos laminados planos revestidos (com decisão final prevista para 2 de março de 2026). No setor de serviços, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) lançou em 28 de janeiro de 2026 o Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), uma ferramenta que reúne dados estatísticos inéditos e interativos sobre as transações internacionais de serviços. A iniciativa, desenvolvida pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), visa ampliar a transparência e apoiar a formulação de políticas para aumentar a competitividade do setor de serviços na inserção internacional do país. O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, enfatizou a importância estratégica dos serviços, inclusive no valor adicionado às exportações de manufaturados.
O Brasil tem intensificado seus esforços diplomáticos para fortalecer o comércio exterior e a cooperação internacional. Em 31 de janeiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram por telefone sobre o aprofundamento das relações comerciais e a cooperação na área de segurança. A conversa também abordou detalhes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, prevista para março de 2026. Esta aproximação ocorre em um contexto de busca por melhorias nas relações comerciais bilaterais, especialmente para reverter a taxação de produtos brasileiros imposta pelos EUA em agosto de 2025. Embora parte do "tarifaço" tenha sido derrubada, itens como máquinas, móveis e calçados ainda são afetados por taxação extra. As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram uma queda de 25,5% em janeiro de 2026, totalizando US$ 2,4 bilhões, marcando o sexto mês consecutivo de retração desde a imposição das sobretaxas pelo governo de Donald Trump em meados de 2025. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) estima que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas a alíquotas extras que variam entre 40% e 50%. Em contrapartida, as exportações para a China cresceram 17,4% em janeiro de 2026, atingindo US$ 6,47 bilhões. O Brasil, sob a liderança de Lula, busca uma aproximação com os EUA no comércio, ao mesmo tempo em que defende a Organização das Nações Unidas (ONU) como o principal órgão de política multilateral, pauta histórica do país. Lula tem criticado a proposta do "Conselho da Paz", idealizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para gerir o futuro da Faixa de Gaza, e ainda não respondeu ao convite para integrar o colegiado. Em conversas anteriores, Lula e Trump já haviam discutido a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU e a importância de manter a paz na Venezuela. Ambos os países também expressaram o desejo de avançar na cooperação no combate ao crime organizado transnacional, com o Brasil propondo o congelamento de ativos de organizações criminosas e um maior intercâmbio de informações financeiras. A segurança na região, incluindo o combate ao narcotráfico, é um tema prioritário para os EUA, que aumentaram sua presença militar na região, culminando no sequestro do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, por tropas dos EUA. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária imposta por Donald Trump ao Brasil, o que pode impactar positivamente as relações comerciais futuras.
O Brasil encerrou o ano de 2025 com um déficit em transações correntes de US$ 3,363 bilhões em dezembro, resultando em um acumulado de 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB) em 12 meses, um valor superior ao saldo negativo do ano anterior. Este resultado ficou acima da expectativa de mercado, que projetava um déficit de US$ 5,3 bilhões para dezembro. Os investimentos diretos no país (IDP) também apresentaram um desempenho aquém do esperado, ficando negativos em US$ 5,248 bilhões em dezembro, contra uma projeção de resultado positivo de US$ 1,0 bilhão. Os dados foram divulgados pelo Banco Central em 26 de janeiro de 2026. O déficit das contas externas brasileiras avançou para US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior em 11 anos, indicando que o país enviou mais dinheiro para fora do que recebeu. Em 2024, esse déficit foi de US$ 66,2 bilhões. A piora está relacionada principalmente a um superávit menor na balança comercial, que foi de US$ 59,9 bilhões em 2025 (contra US$ 65,9 bilhões em 2024). A conta de serviços registrou um déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, enquanto a conta de renda primária apresentou um déficit de US$ 81,3 bilhões. O Banco Central projeta um déficit menor para 2026, de US$ 60 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos no país (IED) totalizaram US$ 77,6 bilhões em 2025, um aumento em relação aos US$ 74,1 bilhões de 2024. Para 2026, o Banco Central estima uma queda nos investimentos estrangeiros diretos para US$ 70 bilhões. Em 2025, os gastos de brasileiros no exterior atingiram US$ 21,7 bilhões, o maior valor em 11 anos, impulsionados pela valorização do real frente ao dólar, que recuou 11,18% no ano. Em contrapartida, os gastos de estrangeiros no Brasil alcançaram um novo recorde de US$ 7,8 bilhões em 2025, superando o recorde anterior de US$ 7,34 bilhões em 2024. O país também registrou o maior volume de chegadas de turistas estrangeiros na série histórica, com 9,29 milhões de visitantes em 2025. O recorde de exportações de serviços, que somaram US$ 51,83 bilhões em 2025, é um fator positivo, mas não foi suficiente para reverter o déficit crônico da balança de serviços, que fechou em US$ 52,94 bilhões negativos no mesmo ano. A dependência de capitais externos, como investimentos diretos e recursos da bolsa de valores, permanece crucial para o equilíbrio do balanço de pagamentos e a manutenção das reservas internacionais. Em janeiro de 2026, a balança comercial bilateral com os Estados Unidos registrou um déficit de US$ 670 milhões para o Brasil, enquanto com a China, o Brasil obteve um superávit de US$ 720 milhões. O comércio com a União Europeia gerou um superávit de US$ 310 milhões, e com a Argentina, um superávit de US$ 150 milhões.
Em 2025, o Brasil registrou a criação de 1.279.498 postos de trabalho formais, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados em 29 de janeiro de 2026. Este saldo representa uma redução de 23,73% em comparação com 2024, quando 1.677.575 empregos foram criados. A queda na criação de vagas é atribuída aos juros altos e à desaceleração econômica. Em dezembro de 2025, mês tradicionalmente marcado por demissões, foram eliminados 618.164 empregos, o pior saldo para o mês desde dezembro de 2020. Apesar da redução geral, todos os cinco setores pesquisados pelo Caged apresentaram saldo positivo de empregos em 2025: Serviços (758.355 postos), Comércio (247.097), Indústria (144.319), Construção Civil (87.878) e Agropecuária (41.870). O setor de Serviços foi o principal motor da criação de vagas, com destaque para informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (318.460 postos), e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (194.903 vagas). Na indústria, a indústria de transformação liderou com 114,127 vagas. Todas as cinco regiões do país e todas as unidades da Federação registraram saldos positivos de empregos em 2025. Os estados com maior destaque na criação de vagas foram São Paulo (+311.228), Rio de Janeiro (+100.920) e Bahia (+94.380).
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados em 30 de janeiro de 2026, revelaram que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 3.560 em 2025, representando um aumento de 5,7% em relação a 2024. Cerca de 5,5 milhões de pessoas buscaram trabalho nos três últimos meses de 2025, e o mercado de trabalho atingiu um recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas. O crescimento do emprego foi observado tanto em vagas com carteira assinada quanto entre os trabalhadores por conta própria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou esses resultados em 31 de janeiro de 2026, destacando o aumento da renda da população e anunciando um novo aumento real do salário mínimo e a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil para 2026.
O Brasil projeta um cenário aquecido para o mercado de licitações de infraestrutura no primeiro trimestre de 2026, com a realização de 20 certames envolvendo Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões. Em fevereiro, estão previstas seis disputas, com destaque para projetos no estado de São Paulo. No dia 26, o governo paulista pretende licitar a construção de seu novo centro administrativo na capital, um projeto orçado em R$ 6 bilhões. No dia seguinte, 27 de fevereiro, ocorrerá o leilão da Rota Mogiana, uma malha rodoviária de 520 km que deve atrair R$ 9,3 bilhões em melhorias. A agenda de março é ainda mais robusta, com 14 leilões agendados na Bolsa de Valores (B3). O governo de Minas Gerais concentra grande parte dessas movimentações, planejando conceder, no dia 20, os serviços de apoio de 95 unidades escolares, com aporte de R$ 1,25 bilhão, além de licitar o Lote Noroeste de rodovias, que prevê R$ 4,72 bilhões em intervenções. Para o dia 30 de março, os mineiros agendaram a concessão de travessias no reservatório de Furnas e de uma ponte na região da usina Mascarenhas de Moraes. Outras regiões também terão processos de peso no final de março. Em Goiás, o leilão da Saneago está marcado para o dia 25, focando na universalização do saneamento com investimentos de R$ 6,2 bilhões. Já no dia 30, o destaque é a licitação do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Para encerrar o mês, o Governo Federal, por meio do Ministério dos Transportes, marcou para o dia 31 o certame da Rota Gerais, em Minas Gerais, com previsão de R$ 7,3 bilhões em recursos. Essa intensa movimentação de leilões reflete a estratégia do país de utilizar PPPs e concessões para atrair investimentos e desenvolver a infraestrutura, visando a redução do "custo Brasil" e o estímulo ao crescimento econômico.
O cenário para 2026 indica novas pressões inflacionárias no setor de alimentos. A expectativa é de alta nos preços da carne bovina devido à redução do abate de fêmeas e períodos de seca. Além disso, eventos como as eleições e a Copa do Mundo, somados à ampliação da isenção de IR, devem elevar a demanda interna, enquanto o alto endividamento das famílias mantém a pressão sobre proteínas mais baratas, como frango e ovos. A persistência da inflação de serviços, especialmente os intensivos em mão de obra, também é um ponto de atenção para a estabilidade econômica geral, levando a uma menor probabilidade de cortes na taxa Selic e a um cenário de juros mais altos por mais tempo, conforme precificado pelo mercado após a divulgação do IPCA de 2025. Em 19 de janeiro de 2026, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende que há espaço para a redução da taxa Selic, atualmente em 15%, e elogiou a atuação de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central. O desempenho do setor de serviços em novembro de 2026, com uma retração de 0,1% contra uma projeção de avanço de 0,2%, adiciona uma camada de preocupação sobre a recuperação econômica e a estabilidade do setor. O governo também foca na redução do "custo Brasil" por meio de investimentos em infraestrutura e logística, como concessões, ferrovias e free flow, visando melhorar a competitividade e o ambiente de negócios. A aceleração do IGP-M na primeira prévia de janeiro de 2026 para 0,28% (ante 0,15% em dezembro) reforça a necessidade de monitoramento contínuo dos indicadores inflacionários. No âmbito internacional, a formalização do acordo UE-Mercosul em janeiro de 2026 é vista como um fator que pode impulsionar o comércio exterior brasileiro e diversificar a oferta de produtos para o consumidor. O compromisso do Brasil com a regularização de suas contribuições a organismos internacionais, com a quitação de R$ 2,2 bilhões em 2025, também reforça sua posição no cenário global. Em contraste com alguns desafios, o setor bancário brasileiro tem uma perspectiva sólida para 2026, com o Goldman Sachs projetando uma expansão moderada a sólida da carteira de crédito, impulsionada por um mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e a introdução de novas modalidades de crédito. Para o setor automotivo, a produção de veículos em 2025, com um crescimento de 3,5% e 2,644 milhões de unidades, e o aumento de 32,1% nas exportações, sinalizam uma recuperação, embora a produção tenha ficado abaixo das expectativas iniciais da Anfavea. Adicionalmente, o governo central registrou um déficit primário de R$ 61,691 bilhões em 2025, mas um déficit ajustado de R$ 13,008 bilhões (0,1% do PIB) após a exclusão de despesas extraordinárias, cumprindo a meta fiscal do ano. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projetou em 13 de janeiro de 2026 um déficit primário de 0,1% do PIB para o governo central em 2025, indicando uma melhoria nos resultados fiscais. No mercado imobiliário, o aumento de 9,44% nos aluguéis em 2025, conforme o Índice FipeZAP, sugere que este setor continuará aquecido, com os reajustes superando a inflação geral. A economista Paula Reis projeta que o cenário de reajustes de aluguéis acima da inflação deve se manter no primeiro semestre de 2026, porém em um ritmo menor, impulsionado pelo aumento do salário mínimo acima da inflação e pelas mudanças no Imposto de Renda. No mercado de ações, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em 15 de janeiro de 2026 com alta, atingindo 165.568,32 pontos, após ter testado a marca de 166 mil pontos, o que demonstra a dinâmica do mercado acionário. Em 23 de janeiro de 2026, o Ibovespa atingiu 178.858 pontos, com alta de 8,53% na semana, a melhor desde abril de 2020, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro. A queda do dólar em 16 de janeiro de 2026, influenciada pela prévia do PIB, também é um fator a ser considerado nas perspectivas econômicas, indicando a sensibilidade do câmbio a indicadores internos e externos. Em 23 de janeiro de 2026, o dólar fechou a R$ 5,287, acumulando queda de 3,68% no ano. Fernando Haddad também afirmou que a economia não será um fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, citando segurança pública e combate à corrupção como temas mais relevantes, e que não pretende se candidatar a cargos públicos nas próximas eleições, embora a decisão final não esteja definida com o presidente Lula. As projeções do Boletim Focus de 26 de janeiro de 2026 para 2026 indicam um IPCA de 4,00% e IGP-M de 3,87%, com crescimento do PIB de 1,8% e taxa Selic de 12,25%. Para os anos seguintes, as estimativas apontam para um IPCA de 3,80% (2027), 3,50% (2028 e 2029), IGP-M de 4,00% (2027), 3,85% (2028) e 3,71% (2029). O PIB deve crescer 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028 e 2029. A Selic é projetada em 10,50% (2027), 10,00% (2028) e 9,50% (2029). O dólar é esperado em R$ 5,50 (2026), R$ 5,51 (2027), R$ 5,52 (2028) e R$ 5,58 (2029). Além disso, o déficit em transações correntes de 2025, de 3,02% do PIB, e os investimentos diretos negativos em dezembro de 2025, conforme divulgado pelo Banco Central em 26 de janeiro de 2026, adicionam um elemento de cautela às perspectivas econômicas, indicando desafios nas contas externas do país. O Banco Central projeta um rombo menor nas contas externas para 2026, de US$ 60 bilhões, com expectativa de aumento do saldo comercial e recuos nos déficits de serviços e renda primária. Contudo, a instituição também prevê uma queda nos investimentos estrangeiros diretos para US$ 70 bilhões em 2026. O mercado financeiro projeta relativa estabilidade na taxa de câmbio neste ano, com o dólar terminando 2026 em R$ 5,50, apesar do período eleitoral, que costuma pressionar a moeda para cima. As perspectivas para 2026 também consideram o impacto dos gastos de brasileiros no exterior, que atingiram o maior patamar em 11 anos em 2025 (US$ 21,7 bilhões), e o recorde de gastos de estrangeiros no Brasil (US$ 7,8 bilhões), impulsionados pela queda do dólar e pelo aumento do fluxo turístico. No setor siderúrgico, as medidas antidumping e o aumento de tarifas de importação aprovados pelo Gecex em 28 de janeiro de 2026, embora com impacto limitado nos preços domésticos no curto prazo, criam um ambiente mais favorável para a indústria nacional, com expectativa de discussões sobre novas medidas em reuniões futuras do Gecex em fevereiro e março de 2026. Em 29 de janeiro de 2026, o IGP-M registrou alta de 0,41% em janeiro, mas acumulou queda de 0,91% em 12 meses, com o IPA subindo 0,34%, o IPC 0,51% e o INCC 0,63% no mês, influenciando as perspectivas para o mercado de aluguéis. A criação de 1.279.498 postos de trabalho formais em 2025, embora positiva, representa uma desaceleração em relação a 2024, refletindo a pressão dos juros altos e a economia mais lenta. A eliminação de 618.164 empregos em dezembro de 2025, o pior resultado para o mês desde 2020, sinaliza desafios contínuos no mercado de trabalho. O recorde nas exportações de serviços em 2025, totalizando US$ 51,83 bilhões, é um ponto positivo que pode contribuir para a redução da dependência de capitais externos, apesar do déficit na balança de serviços de US$ 52,94 bilhões no mesmo ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou em 31 de janeiro de 2026 os resultados de 2025 no mercado de trabalho, destacando a menor taxa de desemprego da série histórica e o aumento da renda da população, e reiterou o compromisso com o aumento real do salário mínimo e a isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil em 2026. As relações com os Estados Unidos, incluindo a visita de Lula a Washington em março de 2026 e as discussões sobre comércio e segurança, são elementos importantes para as perspectivas econômicas e geopolíticas do Brasil. Além disso, a Conab prevê uma colheita recorde de café em 2026, com um aumento de 17,1% na produção, impulsionada por condições climáticas favoráveis e melhor produtividade, o que pode impactar positivamente o setor agrícola e as exportações do país. Em janeiro de 2026, as exportações brasileiras para os EUA caíram 25,5%, totalizando US$ 2,4 bilhões, e as importações dos EUA recuaram 10,9%, resultando em um déficit de US$ 670 milhões para o Brasil. Em contraste, as exportações para a China cresceram 17,4%, somando US$ 6,47 bilhões, e as importações caíram 4,9%, gerando um superávit de US$ 720 milhões. O comércio com a União Europeia resultou em um superávit de US$ 310 milhões, e com a Argentina, um superávit de US$ 150 milhões. A derrubada da política tarifária de Donald Trump pela Suprema Corte dos EUA em 20 de fevereiro de 2026 pode aliviar as pressões sobre as exportações brasileiras para o mercado americano.