Economia Argentina
Adicionado evento de 20/02/2026 sobre a aprovação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados e a perspectiva de Matías Cremonte sobre a reforma.
A economia argentina, historicamente marcada por ciclos de crescimento e crises, tem sido objeto de diversas reformas e políticas governamentais. Recentemente, sob a administração de Javier Milei, o país tem implementado medidas significativas, como a aprovação do orçamento e, mais notavelmente, uma reforma trabalhista abrangente, visando estabilizar e reestruturar sua situação econômica. Dados recentes indicam que a inflação anual de 2025 foi de 31,5%, uma redução significativa em comparação com os 117,8% registrados em 2024, apesar de uma aceleração gradual nos preços ao consumidor a partir de maio de 2025. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, a Argentina firmou um acordo comercial com os Estados Unidos, prevendo redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, aprofundando a parceria econômica entre os dois países. Em janeiro de 2026, a inflação mensal acelerou pelo quinto mês consecutivo, atingindo 2,9% em relação a dezembro, elevando a taxa anual para 32,4%. Este cenário ocorre em meio a controvérsias sobre a metodologia de cálculo da inflação e a renúncia do chefe da agência nacional de estatísticas (INDEC). A reforma trabalhista, aprovada no Senado em fevereiro de 2026 e na Câmara dos Deputados em 20 de fevereiro de 2026, representa uma das maiores mudanças na legislação do trabalho em décadas, buscando flexibilizar contratos, jornadas e férias, além de restringir greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego. Críticos, como o presidente da Associação Latino-Americana de Advogados e Advogadas Trabalhistas, Matías Cremonte, argumentam que a reforma visa aumentar o lucro dos empregadores e subjugar os trabalhadores, sem criar empregos, e que na prática, proíbe greves ao expandir a definição de serviços essenciais e de importância transcendental.
Desde a posse de Javier Milei em 2023, a Argentina tem buscado implementar uma nova abordagem econômica. A aprovação do orçamento de sua gestão, a primeira desde que assumiu o cargo, ocorreu em um contexto de tensões políticas, inclusive com figuras como Mauricio Macri. Esta aprovação é um marco importante para a consolidação das políticas econômicas propostas pela atual administração. A inflação tem sido um desafio persistente, com os dados mais recentes mostrando um aumento contínuo nos índices de preços. A taxa anual de 2025 (31,5%) representou uma melhora substancial em relação a 2024 (117,8%), mas a inflação mensal tem acelerado gradualmente a partir de maio de 2025, com janeiro de 2026 registrando 2,9% e a taxa anual subindo para 32,4%. O governo de Milei implementou um forte ajuste econômico, paralisando obras federais e retirando subsídios, o que impactou diretamente os preços ao consumidor. No segundo semestre de 2025, uma crise política e a busca por apoio internacional, incluindo de Donald Trump, marcaram a gestão econômica. Em fevereiro de 2026, a parceria econômica com os Estados Unidos foi reforçada com a assinatura de um acordo comercial abrangente. Este acordo visa reduzir barreiras comerciais de longa data e oferecer acesso significativo ao mercado para exportadores dos EUA, com expectativa de expansão de negócios em setores como veículos automotores e produtos agrícolas, servindo como um modelo de cooperação entre os países das Américas. A administração de Milei enfrenta desafios para avançar com sua agenda de austeridade, que inclui o corte de subsídios às tarifas de serviços públicos, e ao mesmo tempo conter a inflação. A controvérsia em torno da metodologia de cálculo da inflação e a renúncia do chefe do INDEC em fevereiro de 2026 destacam as tensões internas sobre a medição e controle dos preços. A reforma trabalhista, aprovada na Câmara dos Deputados em 20 de fevereiro de 2026, continua a gerar debate, com críticas de especialistas que apontam para a fragilização dos direitos dos trabalhadores e a ausência de um impacto positivo na criação de empregos.
Em fevereiro de 2026, o Senado argentino aprovou a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, por 42 votos a favor e 30 contra. Em 20 de fevereiro de 2026, a Câmara dos Deputados também aprovou o projeto, que agora segue para sanção. Esta reforma é considerada uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, revisando regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970. A votação foi marcada por forte tensão política e social, com manifestantes contrários à reforma entrando em confronto com a polícia em Buenos Aires. Sindicatos e partidos de oposição afirmam que a proposta fragiliza direitos históricos dos trabalhadores. Para garantir apoio político, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original, incluindo a retirada do artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais. Mesmo com os recuos, a proposta mantém grandes mudanças, visando reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade.
Os principais pontos da reforma incluem:
A reforma não se aplica aos servidores públicos nacionais, estaduais ou municipais, com exceção das regras sobre greve em serviços essenciais. Especialistas apontam que, embora haja consenso sobre a necessidade de atualizar a legislação trabalhista, a proposta gera forte divisão social. A reforma pode trazer benefícios como maior dinamismo econômico e redução de custos para empresas, mas há riscos de fragilização das relações trabalhistas, aumento da insegurança no emprego e enfraquecimento do poder dos sindicatos. O governo defende que a reforma pode ajudar a reverter a perda de cerca de 300 mil empregos formais desde dezembro de 2023, enquanto críticos, como a Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA) e Matías Cremonte, atribuem a destruição de empresas à abertura indiscriminada de importações e argumentam que a legislação trabalhista não tem impacto na criação de empregos, que depende da política econômica do governo.
Em dezembro de 2026, a inflação na Argentina avançou 2,8% em comparação com o mês anterior. Na análise anual, a inflação atingiu 31,5%. Este dado representou uma aceleração em relação a novembro de 2026, quando o índice mensal havia registrado uma alta de 2,5%, indicando uma pressão contínua sobre os preços ao consumidor no país. A inflação anual de 2025 foi de 31,5%, uma queda significativa em relação aos 117,8% registrados em 2024. Ao longo de 2025, a taxa mensal de inflação permaneceu entre 2% e 3%, com uma aceleração gradual a partir de maio. Em janeiro de 2026, a inflação mensal acelerou pelo quinto mês consecutivo, subindo 2,9% em relação a dezembro, superando a mediana de 2,4% estimada por analistas. A taxa de inflação anual avançou para 32,4%. Alimentos, restaurantes, hotéis e contas de serviços públicos foram os principais impulsionadores das altas de preços no mês. A metodologia atual do índice de inflação da Argentina, baseada em uma cesta de bens não alterada há duas décadas, é considerada defasada, e a discussão sobre sua atualização gerou a renúncia do chefe do INDEC.
No terceiro trimestre de 2025, o mercado de trabalho argentino, segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do INDEC, contava com 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, resultando em uma taxa de desocupação de 6,6%. A população economicamente ativa somava 15,4 milhões de pessoas. Do total de trabalhadores, 71,9% eram assalariados, mas apenas 63,3% deles tinham emprego formal, com desconto previdenciário, enquanto 36,7% trabalhavam sem carteira assinada. Considerando também os trabalhadores por conta própria (cerca de 24,5%), a informalidade atingia aproximadamente 43% do mercado de trabalho. O setor de serviços concentrava a maior parte dos empregos (cerca de 70%), seguido pela indústria e construção (aproximadamente 22%), e pela agropecuária (cerca de 8%). Apesar do desemprego relativamente baixo, o mercado era marcado por elevada informalidade, subocupação e jornadas extensas, com mais de um quarto dos ocupados trabalhando acima de 45 horas semanais. Desde dezembro de 2023, cerca de 300 mil empregos formais foram perdidos, especialmente na construção civil, na indústria e em economias regionais.
No terceiro trimestre de 2025, o governo de Javier Milei enfrentou uma forte crise política, desencadeada por um escândalo envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência. Esta crise, aliada a uma derrota eleitoral na província de Buenos Aires em setembro, gerou instabilidade nos mercados, com o peso argentino atingindo seu menor valor histórico e despencando quase 40% frente ao dólar ao longo de 2025. Para conter a volatilidade e restaurar a confiança, os Estados Unidos, com o apoio de Donald Trump, anunciaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões em outubro, elevando o socorro financeiro total para US$ 40 bilhões. Após este apoio, Milei obteve uma importante vitória nas eleições legislativas de outubro, o que ajudou a estabilizar o dólar e pode garantir a continuidade das reformas. Em fevereiro de 2026, a parceria com os EUA foi solidificada com um novo acordo comercial que visa reduzir tarifas e promover investimentos recíprocos, expandindo negócios em setores como veículos automotores e produtos agrícolas. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, a administração Milei enfrentou uma crise no órgão de estatísticas (INDEC) após a renúncia de seu chefe, Marco Lavagna, em meio a um desentendimento sobre o adiamento da implementação de uma nova metodologia de cálculo da inflação. Autoridades do FMI estão em Buenos Aires para revisar o programa de US$ 20 bilhões e devem discutir o cronograma de adoção da nova metodologia. Além disso, a aprovação da reforma trabalhista no Senado em 12 de fevereiro de 2026 e na Câmara dos Deputados em 20 de fevereiro de 2026 foi marcada por protestos e confrontos entre manifestantes e a polícia em Buenos Aires, evidenciando a tensão social e política em torno das medidas econômicas do governo.
O governo Milei implementou uma série de medidas para fortalecer a economia e cumprir o acordo com o FMI. Em abril de 2025, foi alcançado um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos com o Fundo Monetário Internacional. Medidas adicionais incluíram a flexibilização do uso de dólares mantidos fora do sistema financeiro (sem obrigatoriedade de declarar a origem), a flexibilização no uso de pesos e dólares no mercado de títulos públicos, e um plano de captação de empréstimo de US$ 2 bilhões. O governo também se comprometeu a reduzir a emissão de moeda pelo Banco Central e, em setembro de 2025, interveio no mercado de câmbio para garantir a oferta de dólares e evitar desvalorizações abruptas do peso. Em fevereiro de 2026, um acordo comercial com os Estados Unidos foi assinado, com o objetivo de reduzir tarifas e implementar um plano de investimentos mútuos, visando expandir o comércio em diversas áreas, incluindo veículos automotores e produtos agrícolas. Além dessas, a reforma trabalhista, aprovada no Senado em 12 de fevereiro de 2026 e na Câmara dos Deputados em 20 de fevereiro de 2026, é uma medida econômica central que busca flexibilizar contratos de trabalho, modificar regras de férias e jornada, facilitar demissões e impor limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego. Apesar dos esforços, Milei tem enfrentado dificuldades para conter a inflação enquanto avança com sua agenda de austeridade, que prevê o corte de subsídios às tarifas de serviços públicos. Há planos de elevar novamente as contas de luz e gás em fevereiro de 2026, e os custos com educação e vestuário tendem a disparar em março, indicando futuras pressões inflacionárias. A decisão de adiar a nova metodologia de cálculo da inflação pelo INDEC, que gerou a renúncia de seu chefe, também é parte das medidas econômicas e políticas do governo.