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Daniel Vorcaro
Adicionado evento de 16/02/2026 sobre a avaliação da defesa de Daniel Vorcaro de pedir a nulidade do processo no STF, após a troca de relator de Dias Toffoli para André Mendonça, e detalhes sobre a garantia do juiz natural.
Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro, conhecido por seu envolvimento com o Banco Master. Ele foi alvo de investigações relacionadas a possíveis irregularidades em transações financeiras, notadamente a operação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Essas investigações levaram à sua prisão e geraram questionamentos sobre a atuação do Banco Central do Brasil no processo de liquidação do Banco Master. Recentemente, Vorcaro tornou-se figura central em uma investigação sobre uma suposta campanha coordenada de desinformação e ataques digitais contra o Banco Central, denominada internamente por intermediários como "Projeto DV". A Polícia Federal tem conduzido a "Operação Compliance Zero", que em sua primeira fase resultou na prisão de Vorcaro e na liquidação extrajudicial do Banco Master, e em uma segunda fase, focou em um suposto esquema de fraudes financeiras, incluindo a captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes, com a prisão de seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, e buscas em endereços de outros envolvidos, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase da operação, afastando especulações sobre a paralisação das investigações, mas posteriormente se afastou da relatoria de casos envolvendo o Banco Master após revelações sobre supostos pagamentos de Vorcaro a um resort ligado à sua família. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro detalhou a crise de liquidez do Banco Master e a base de seu modelo de negócios no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de confirmar encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para discutir a venda da instituição ao BRB. Durante um desses depoimentos, Vorcaro pediu o "benefício da dúvida" aos investigadores e afirmou que não causou prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar qualquer intenção de fugir do país. Atualmente, a defesa de Vorcaro avalia pedir a nulidade do processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando violação da garantia do juiz natural após a troca de relator do caso.
A controvérsia em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master ganhou destaque com a investigação de uma transação envolvendo o BRB. A Polícia Federal iniciou uma apuração sobre possíveis fraudes, o que resultou na prisão de Vorcaro na primeira fase da "Operação Compliance Zero", em novembro, sendo solto dias depois. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegando a classificar o caso como a "maior fraude bancária" do país. A investigação aponta para a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de retornos irreais, estimando as fraudes em até R$ 12 bilhões. A PF também investiga a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter causado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões. O BRB, por sua vez, injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público vendo indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, e mais de R$ 12 bilhões foram usados para comprar carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e se provaram sem lastro. Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e que o banco atravessava uma crise de liquidez, mas que cumpriu todos os compromissos até 17 de novembro, atribuindo os problemas a mudanças nas regras do FGC e a uma campanha de reputação. Ele confirmou ter se encontrado com o governador Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025 para discutir a venda do Banco Master ao BRB, embora Ibaneis negue ter tratado do assunto. Vorcaro também negou que estivesse fugindo ao ser preso no Aeroporto de Guarulhos, afirmando ter avisado o Banco Central sobre sua viagem a Dubai para negociar a venda do Master ao grupo Fictor. Em acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, Vorcaro afirmou que o Master não desembolsou nenhum real para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões, tratando-se de um registro contábil. Bezerra, por sua vez, admitiu que os valores não existiam fisicamente e que manter a operação visava evitar a falência da Tirreno e do Banco Master. Além disso, a segunda fase da operação apura o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passar por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. Há suspeitas de empréstimos milionários tomados por empresas com capital social baixo (apenas R$ 5 mil) que foram usados para comprar ativos podres e tiveram como destino final laranjas do esquema.
Paralelamente, a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master foi questionada, com debates sobre a precipitação da medida e a responsabilidade de diferentes diretorias da autoridade monetária nos pareceres que levaram à decisão. Em janeiro de 2026, surgiram denúncias de influenciadores digitais e políticos sobre propostas financeiras milionárias para criticar publicamente o Banco Central. Relatos indicam que contratos previam a produção de conteúdos sem checagem de fatos para desgastar a imagem da autoridade monetária após a liquidação do Master. A defesa de Vorcaro nega qualquer participação nessas ações e solicitou ao STF uma investigação para apurar a propagação de fake news e crimes contra a honra, alegando que o empresário é alvo de desinformação. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, aprofundou as investigações sobre o suposto esquema criminoso de fraudes financeiras, com foco na captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Uma empresária do Rio Grande do Sul, alvo de busca e apreensão, negou ligação com a fraude e suspeita de clonagem de seu CPF. Durante seu depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro fez uma brincadeira com um investigador, afirmando que ele o estava tentando "pegar" desde 2019. Ele também pediu o "benefício da dúvida" e reiterou que não houve prejuízo financeiro a ninguém na operação de venda do Master para o BRB, além de negar veementemente a intenção de fugir do país.
Mais recentemente, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que ele teria sido pressionado a realizar pagamentos ao resort Tayayá, que possui ligações com uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. Os diálogos com seu cunhado, Fabiano Zettel, revelam que Vorcaro autorizou repasses que somaram R$ 35 milhões ao empreendimento. Estas conversas constam em relatório encaminhado pela PF ao STF e reforçaram a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria de casos envolvendo o Banco Master, o que ocorreu a pedido do próprio ministro. O conteúdo das mensagens está sob análise da Procuradoria-Geral da República. Toffoli, por sua vez, reconheceu ser sócio da empresa Maridt, que teve participação no Tayayá, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou Zettel, afirmando que a participação societária no empreendimento foi encerrada antes de ele receber a relatoria da ação no STF. O caso chegou ao STF após a defesa de Vorcaro argumentar que um material apreendido durante a investigação citava um deputado federal, o que levou Toffoli a ser definido como relator por sorteio e a determinar que todos os inquéritos relacionados ao banco fossem enviados ao seu gabinete. A atuação de Toffoli como relator foi criticada por parlamentares da oposição, especialmente após revelações de que ele viajou com um advogado de um dos executivos do Master investigados e de que seus irmãos venderam participação no resort Tayayá para um fundo administrado por Fabiano Zettel. Reportagens também indicaram que Zettel está por trás de uma teia de fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora que também é investigada por suspeita de fraudes envolvendo o Master. Após a saída de Toffoli da relatoria, o ministro André Mendonça assumiu o caso por sorteio. A defesa de Vorcaro, contudo, avalia pedir a nulidade do processo, argumentando que a troca de relator ocorreu sem que Toffoli se declarasse formalmente suspeito ou impedido, o que configuraria uma violação da garantia do juiz natural.