Visão geral
Daniel Vorcaro é um empresário e banqueiro brasileiro, conhecido por seu envolvimento com o Banco Master. Ele foi alvo de investigações relacionadas a possíveis irregularidades em transações financeiras, notadamente a operação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Essas investigações levaram à sua prisão e geraram questionamentos sobre a atuação do Banco Central do Brasil no processo de liquidação do Banco Master. Recentemente, Vorcaro tornou-se figura central em uma investigação sobre uma suposta campanha coordenada de desinformação e ataques digitais contra o Banco Central, denominada internamente por intermediários como "Projeto DV". A Polícia Federal tem conduzido a "Operação Compliance Zero", que em sua primeira fase resultou na prisão de Vorcaro e na liquidação extrajudicial do Banco Master, e em uma segunda fase, focou em um suposto esquema de fraudes financeiras, incluindo a captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes, com a prisão de seu cunhado, Fabiano Campos Zettel, e buscas em endereços de outros envolvidos, como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase da operação, afastando especulações sobre a paralisação das investigações. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro detalhou a crise de liquidez do Banco Master e a base de seu modelo de negócios no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de confirmar encontros com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para discutir a venda da instituição ao BRB.
Contexto e histórico
A controvérsia em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master ganhou destaque com a investigação de uma transação envolvendo o BRB. A Polícia Federal iniciou uma apuração sobre possíveis fraudes, o que resultou na prisão de Vorcaro na primeira fase da "Operação Compliance Zero", em novembro, sendo solto dias depois. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegando a classificar o caso como a "maior fraude bancária" do país. A investigação aponta para a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de retornos irreais, estimando as fraudes em até R$ 12 bilhões. A PF também investiga a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter causado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões. O BRB, por sua vez, injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público vendo indícios de gestão fraudulenta nessas transferências, e mais de R$ 12 bilhões foram usados para comprar carteiras de crédito que não pertenciam ao Master e se provaram sem lastro. Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que o plano de negócio do Master era 100% baseado no FGC e que o banco atravessava uma crise de liquidez, mas que cumpriu todos os compromissos até 17 de novembro, atribuindo os problemas a mudanças nas regras do FGC e a uma campanha de reputação. Ele confirmou ter se encontrado com o governador Ibaneis Rocha entre 2024 e 2025 para discutir a venda do Banco Master ao BRB, embora Ibaneis negue ter tratado do assunto. Vorcaro também negou que estivesse fugindo ao ser preso no Aeroporto de Guarulhos, afirmando ter avisado o Banco Central sobre sua viagem a Dubai para negociar a venda do Master ao grupo Fictor. Em acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra, Vorcaro afirmou que o Master não desembolsou nenhum real para adquirir uma carteira de créditos da empresa Tirreno, avaliada em R$ 6 bilhões, tratando-se de um registro contábil. Bezerra, por sua vez, admitiu que os valores não existiam fisicamente e que manter a operação visava evitar a falência da Tirreno e do Banco Master. Além disso, a segunda fase da operação apura o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passar por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. Há suspeitas de empréstimos milionários tomados por empresas com capital social baixo (apenas R$ 5 mil) que foram usados para comprar ativos podres e tiveram como destino final laranjas do esquema.
Paralelamente, a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master foi questionada, com debates sobre a precipitação da medida e a responsabilidade de diferentes diretorias da autoridade monetária nos pareceres que levaram à decisão. Em janeiro de 2026, surgiram denúncias de influenciadores digitais e políticos sobre propostas financeiras milionárias para criticar publicamente o Banco Central. Relatos indicam que contratos previam a produção de conteúdos sem checagem de fatos para desgastar a imagem da autoridade monetária após a liquidação do Master. A defesa de Vorcaro nega qualquer participação nessas ações e solicitou ao STF uma investigação para apurar a propagação de fake news e crimes contra a honra, alegando que o empresário é alvo de desinformação. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, aprofundou as investigações sobre o suposto esquema criminoso de fraudes financeiras, com foco na captação de dinheiro e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus familiares. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens e valores. Uma empresária do Rio Grande do Sul, alvo de busca e apreensão, negou ligação com a fraude e suspeita de clonagem de seu CPF.
Linha do tempo
- Novembro de 2025: Primeira fase da "Operação Compliance Zero" resulta na prisão de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos e na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. Dias depois, Vorcaro é solto pela Justiça.
- 30 de dezembro de 2025: Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal, detalhando a crise de liquidez do Banco Master, o modelo de negócios baseado no FGC e os encontros com o governador Ibaneis Rocha para discutir a venda do Master ao BRB. No mesmo dia, ocorre acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, sobre a transação com a empresa Tirreno.
- 24 de dezembro de 2025: Convocação de Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, para acareação com Daniel Vorcaro, intensificando a pressão sobre o BC em relação à liquidação do Banco Master.
- 6 de janeiro de 2026: O vereador Rony Gabriel (PL-RS) revela ter recusado uma proposta milionária para participar de uma campanha contra o Banco Central, mencionando o "Projeto DV".
- 9 de janeiro de 2026: A defesa de Daniel Vorcaro envia documento ao STF negando envolvimento em ataques ao BC e pede investigação sobre influenciadores e disseminação de fake news. No mesmo período, influenciadores relatam à imprensa o recebimento de valores para postagens críticas à autoridade monetária.
- 14 de janeiro de 2026: Segunda fase da "Operação Compliance Zero" é deflagrada, com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro e bloqueio de bens, totalizando R$ 5,7 bilhões em bens e valores bloqueados. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é preso no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai, sendo solto após a apreensão de seu celular. Mandados também são cumpridos em endereços de Vorcaro, seus pais, irmã, outros parentes, Nelson Tanure e João Carlos Mansur. Uma empresária de Rosário do Sul (RS) também é alvo de busca e apreensão, negando envolvimento e suspeitando de clonagem de CPF. O ministro Dias Toffoli autoriza a operação e marca uma acareação entre Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
- 24 de janeiro de 2026: Notícias revelam detalhes do depoimento de Daniel Vorcaro à PF e da acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB.
Principais atores
- Daniel Vorcaro: Empresário e banqueiro, envolvido nas investigações sobre o Banco Master e citado em denúncias sobre campanhas de desinformação. Foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e solto dias depois. Em depoimento à PF, detalhou a crise de liquidez do Master e o modelo de negócios baseado no FGC, além de confirmar encontros com Ibaneis Rocha.
- Banco Master: Instituição financeira cujas transações e liquidação estão sob escrutínio, sendo alvo de investigações por supostas fraudes financeiras. Segundo Vorcaro, seu plano de negócios era 100% baseado no FGC e enfrentava crise de liquidez.
- BRB (Banco de Brasília): Banco envolvido na transação investigada com o Banco Master, com um prejuízo estimado em mais de R$ 4 bilhões devido à venda de carteiras de crédito falsas. Injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025.
- Banco Central do Brasil (BC): Autoridade monetária responsável pela fiscalização e liquidação de instituições financeiras, alvo de supostos ataques coordenados nas redes sociais. Vetou a venda do Master ao BRB em setembro de 2025.
- Ailton Aquino: Diretor de Fiscalização do Banco Central, convocado para acareação.
- Renato Gomes: Ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, responsável pela negativa da operação Master-BRB à época.
- Polícia Federal (PF): Órgão responsável pela investigação que levou à prisão de Vorcaro e que apura a possível ação coordenada contra o BC, conduzindo a "Operação Compliance Zero". Recebeu o depoimento de Daniel Vorcaro sobre a crise do Master e seus encontros com Ibaneis Rocha.
- Dias Toffoli: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do tema e responsável por autorizar os mandados da Operação Compliance Zero. Também marcou acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
- Jhonatan de Jesus: Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), que emitiu parecer pedindo explicações ao BC.
- Rony Gabriel: Vereador do PL-RS que denunciou oferta de contrato milionário para atacar o Banco Central.
- Thiago Miranda: Dono da Agência MiThi, apontado por influenciadores como intermediário de pagamentos para críticas ao BC.
- Fabiano Campos Zettel: Cunhado de Daniel Vorcaro, empresário, pastor evangélico e fundador da Moriah Asset. Foi preso na segunda fase da Operação Compliance Zero ao tentar embarcar para Dubai, tendo seu celular apreendido.
- Nelson Tanure: Empresário e um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, tendo seu celular apreendido.
- João Carlos Mansur: Investidor e ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Termos importantes
- Acareação: Confronto entre duas ou mais pessoas que prestaram depoimentos contraditórios, a fim de esclarecer os fatos. No caso, foi marcada uma acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, e outra já ocorreu entre Vorcaro e Paulo Henrique Bezerra.
- Liquidação: Processo pelo qual uma instituição financeira é encerrada, geralmente por insolvência ou irregularidades, sob supervisão do Banco Central.
- Operação Compliance Zero: Operação da Polícia Federal que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, com fases distintas de prisões e buscas, incluindo o desvio de recursos por meio de fundos para laranjas. A segunda fase resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores.
- Projeto DV: Nome atribuído em minutas de contrato a uma suposta campanha de comunicação estratégica e ataques digitais que visariam a defesa dos interesses de Daniel Vorcaro.
- Diretoria de Fiscalização: Área do Banco Central responsável por supervisionar as instituições financeiras e identificar irregularidades.
- Diretoria de Organização do Sistema Financeiro: Área do Banco Central responsável por autorizar ou negar operações e reestruturações no sistema financeiro.
- CDBs irreais: Certificados de Depósito Bancário emitidos com promessas de retornos financeiros muito acima da realidade do mercado, indicando possível fraude.
- Ativos podres: Termo usado para descrever ativos financeiros de baixo valor ou de difícil recuperação, frequentemente associados a esquemas de fraude para desviar recursos.
- Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Mecanismo de proteção que garante aos clientes de instituições financeiras o reembolso de depósitos e investimentos até um certo limite em caso de intervenção ou liquidação da instituição. Segundo Daniel Vorcaro, o modelo de negócios do Banco Master era 100% baseado no FGC.