Crise na Venezuela
Adicionado seção sobre impacto humanitário e migratório, incluindo estatísticas de refugiados venezuelanos no Brasil (2019-2024) e o monitoramento militar da fronteira em Pacaraima em janeiro de 2026.
A Crise na Venezuela refere-se à escalada de tensões entre os Estados Unidos e o governo de Nicolás Maduro em 2025-2026, culminando em uma operação militar americana em 3 de janeiro de 2026, que capturou Maduro e sua esposa Cilia Flores em Caracas. Justificada pelos EUA como ação contra narcoterrorismo e o Cartel de los Soles, a crise envolve bloqueios navais, sanções ao petróleo e condenações internacionais por violação do direito internacional. Após a captura, os EUA assumiram o controle direto da comercialização do petróleo venezuelano sob um novo acordo com o governo interino de Delcy Rodríguez, nomeada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) após a remoção de Maduro. O modelo prevê que as receitas sejam depositadas em contas controladas pelos americanos e destinadas exclusivamente à compra de produtos dos EUA. Líderes regionais, como Lula e Gustavo Petro, expressaram grande preocupação, enquanto o Brasil enviou ajuda humanitária e intensificou a vigilância militar em suas fronteiras para lidar com o fluxo migratório crescente.
Desde 2019, os EUA impuseram sanções ao setor petrolífero venezuelano, acusando Maduro de narcotráfico e corrupção. Em 2025, com Donald Trump no poder, houve ataques a embarcações no Caribe e Pacífico ligadas a drogas, apreensões de petroleiros e bloqueio de navios sancionados. Trump posicionou uma frota no Caribe, incluindo o USS Gerald Ford e USS Iwo Jima, visando forçar a renúncia de Maduro e recuperar controle sobre reservas de petróleo. Em dezembro de 2025, sanções atingiram familiares de Maduro. A operação de 3 de janeiro, "Operação Resolução Absoluta", usou a Delta Force para capturar Maduro em 47 segundos. Maduro foi levado a Nova York, onde se declarou inocente em audiência por conspiração para narcoterrorismo.
Em 9 de janeiro de 2026, Donald Trump anunciou que o petróleo venezuelano passaria a ser negociado diretamente pelos Estados Unidos. Sob um novo acordo, os EUA refinarão e venderão até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela. A estatal PDVSA confirmou o avanço das negociações em termos semelhantes aos operados pela Chevron. A receita das vendas será depositada em contas globais controladas pelo governo americano para garantir a "integridade da distribuição", sendo obrigatoriamente revertida para a compra de produtos fabricados nos EUA, como insumos agrícolas, medicamentos e equipamentos elétricos. Trump afirmou que a China, que detinha 68% das exportações venezuelanas, poderá continuar comprando o recurso, mas agora através das negociações com Washington. No mesmo dia, os governos anunciaram o início de um processo exploratório para o restabelecimento de relações diplomáticas e a possível reabertura da Embaixada dos EUA em Caracas.
Ainda em 9 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump intensificou a retórica militar ao afirmar que os Estados Unidos realizarão ataques terrestres contra cartéis na Venezuela. A medida é apresentada como uma extensão da estratégia de combate ao narcoterrorismo, que serviu como justificativa parcial para a captura de Maduro. O objetivo declarado é a desarticulação física das infraestruturas ligadas ao tráfico de drogas e ao Cartel de los Soles, sinalizando que a presença militar americana no território venezuelano pode se expandir para além de operações de inteligência e captura de lideranças políticas.
A crise política e econômica gerou um dos maiores deslocamentos populacionais do mundo, com cerca de 8,6 milhões de venezuelanos vivendo fora de seu país. O Brasil tornou-se um destino central; entre 2019 e 2024, o país concedeu status de refugiado a 164 mil pessoas, das quais 148 mil (90%) eram venezuelanas. O pico de reconhecimentos ocorreu em 2023, com 77.193 concessões, sendo 97% destinadas a cidadãos do país vizinho. Segundo o Censo de 2022 do IBGE, a população venezuelana residente no Brasil saltou de 2.869 em 2010 para 271.514 em 2022, tornando-se a principal nacionalidade estrangeira no país.
Com o agravamento da crise militar em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça e Segurança Pública brasileiro passou a monitorar uma nova onda migratória. O Exército Brasileiro intensificou a fiscalização na fronteira de Pacaraima (Roraima), utilizando veículos blindados e tropas armadas para vistoriar o fluxo de pedestres e veículos, visando garantir a segurança e organizar o acolhimento diante da instabilidade em território venezuelano.
Após a captura de Maduro, o regime chavista intensificou a repressão interna sob um decreto de estado de emergência. Foram estabelecidos postos de controle em todo o país, onde agentes de segurança e milícias mascaradas ("colectivos") realizam interrogatórios e vistoriam telefones celulares em busca de indícios de oposição. O governo ordenou a busca e captura de todos os envolvidos no apoio à operação americana. Paralelamente, embora Jorge Rodríguez tenha anunciado a libertação unilateral de prisioneiros como um "gesto de paz", entidades como o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE) denunciaram a falta de transparência no processo. Segundo a organização, menos de uma dezena de solturas foram confirmadas de um total de mais de 1.000 detidos políticos, enquanto visitas em prisões como Tocorón foram suspensas sem explicação.
A crise provocou uma reação imediata nos mercados globais de energia. Na segunda semana de janeiro de 2026, os preços dos contratos futuros de petróleo WTI e Brent registraram altas significativas devido às incertezas sobre o suprimento global. No entanto, a sinalização de cooperação entre Trump e Delcy Rodríguez para a reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás venezuelana trouxe uma nova perspectiva de estabilização. No campo diplomático, Jorge Rodríguez agradeceu publicamente aos esforços de mediação do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e do governo do Qatar, embora o nível de envolvimento direto desses atores nas negociações de libertação de presos não tenha sido detalhado.