Visão geral
O conflito Israel-Palestina é uma disputa geopolítica complexa e de longa data, caracterizada por tensões históricas, territoriais e religiosas entre israelenses e palestinos. O cerne do conflito envolve questões como o controle de terras, o status de Jerusalém, assentamentos israelenses, fronteiras, segurança e o direito de retorno dos refugiados palestinos. Recentemente, o conflito tem gerado mobilização internacional, incluindo protestos e ativismo em diversas partes do mundo. Planos de paz, como o proposto pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump, buscam soluções para a desmilitarização e a governança de Gaza, incluindo a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução da região após um cessar-fogo. Um "Conselho de Paz" para Gaza foi anunciado como parte da segunda fase deste plano, com convites estendidos a líderes mundiais. Apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro, incidentes violentos e acusações de violação do acordo continuam a ocorrer, resultando em mais mortes e dificultando as negociações. Um desenvolvimento significativo ocorreu em janeiro de 2026, quando Israel anunciou que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo.
Contexto e histórico
As raízes do conflito remontam ao final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do sionismo e do nacionalismo árabe. A criação do Estado de Israel em 1948, após o fim do Mandato Britânico da Palestina, resultou na primeira guerra árabe-israelense e na Nakba (catástrofe) para os palestinos, que viram a expulsão e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Desde então, a região tem sido palco de diversas guerras, intifadas (levantes palestinos) e um processo de paz intermitente e frequentemente frustrado. A ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas em outubro de 2023 que matou 1.200 pessoas, resultou na destruição de grande parte de Gaza e na morte de 71 mil pessoas no território palestino, segundo autoridades de saúde locais. Um cessar-fogo foi estabelecido em outubro, mas as tensões permanecem altas, com acusações mútuas de violação do acordo e mortes contínuas. A questão dos reféns tem sido um ponto central nas negociações, e a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em janeiro de 2026 marcou um momento importante no desenrolar do conflito.
Linha do tempo
- 6 de outubro de 2025: Greta Thunberg e outros 170 ativistas são deportados de Israel para a Grécia e Eslováquia após a interceptação de uma flotilha com mais de 40 barcos rumo à Faixa de Gaza.
- 23 de dezembro de 2025: Greta Thunberg é presa em Londres durante um protesto pró-Palestina, acusada de exibir um cartaz em apoio a uma organização proibida, o Palestine Action, classificado como grupo terrorista pelo governo britânico.
- 11 de janeiro de 2026: O Hamas anuncia que dissolverá seu governo na Faixa de Gaza quando um novo corpo palestino assumir o controle da região, sem especificar uma data para a transição.
- 14 de janeiro de 2026: O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, anuncia o início da Fase Dois do plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para Gaza, que inclui a desmilitarização completa do território, a criação de uma administração palestina tecnocrática de transição e o início da reconstrução da região. É prevista a criação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG).
- 15 de janeiro de 2026: Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas em Deir al-Balah, está entre os sete mortos em dois ataques aéreos israelenses no centro da Faixa de Gaza. O Hamas condena os ataques, acusando Israel de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro. Entre os mortos, está um adolescente de 16 anos. A agência da ONU para a infância reporta que mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo.
- 17 de janeiro de 2026: Donald Trump anuncia a criação de um "Conselho de Paz" para Gaza, parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, reconstrução, investimentos e financiamento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente argentino Javier Milei, e outros líderes são convidados a integrar o conselho. O projeto de estatuto do conselho, acessado pela Reuters, sugere que membros poderiam ter cargos vitalícios mediante uma doação de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca tenha negado a existência de uma taxa mínima de adesão. O major-general americano Jasper Jeffers é designado para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza.
- 26 de janeiro de 2026: Israel anuncia que o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob o poder do grupo.
Principais atores
- Israel: Estado no Oriente Médio, parte central do conflito. Desde o cessar-fogo em outubro, três soldados israelenses morreram. Em janeiro de 2026, anunciou a devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas.
- Palestinos: Povo árabe que reivindica um Estado independente na região. Mais de 400 palestinos morreram desde o cessar-fogo em outubro, incluindo mais de 100 crianças.
- Hamas: Grupo político e militar palestino que governa a Faixa de Gaza e recentemente declarou que dissolverá seu governo quando um novo corpo palestino assumir o controle. É pressionado a cumprir os termos do plano de paz dos EUA. Acusa Israel de violar o cessar-fogo. Mohammed Al-Holy, comandante local do braço armado do Hamas, foi morto em um ataque aéreo israelense em 15 de janeiro de 2026. Em 26 de janeiro de 2026, o Hamas devolveu os restos mortais do último refém que estava sob seu poder.
- Novo corpo palestino: Entidade ainda não especificada que o Hamas indicou que assumirá o controle da Faixa de Gaza em uma futura transição. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) é uma proposta para essa administração tecnocrática de transição.
- Greta Thunberg: Ativista sueca que tem se manifestado em apoio à causa palestina, participando de protestos e tentativas de entrega de ajuda humanitária.
- Palestine Action (Ação Palestina): Grupo ativista pró-Palestina, classificado como organização terrorista pelo governo britânico.
- Defend Our Juries (Defenda Nossos Júris): Grupo de campanha britânico que noticiou a prisão de Greta Thunberg.
- Prisoners for Palestine (Prisioneiros pela Palestina): Grupo que apoia ativistas detidos e organizou o protesto em Londres.
- Elbit Systems: Empresa israelense de defesa, alvo de protestos devido à sua atuação na região.
- Steve Witkoff: Enviado especial dos Estados Unidos para a paz na Faixa de Gaza, responsável por anunciar a Fase Dois do plano de Trump, que propõe a desmilitarização da região, a criação de uma administração palestina temporária e tecnocrática e o início da reconstrução após um cessar-fogo.
- Donald Trump: Ex-presidente dos Estados Unidos, autor do plano de 20 pontos para encerrar o conflito na Faixa de Gaza e proponente do "Conselho de Paz" para Gaza, que ele preside.
- Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG): Proposta de corpo governamental a ser criado para gerir a Faixa de Gaza durante um período de transição, conforme o plano dos EUA.
- Luiz Inácio Lula da Silva: Presidente do Brasil, convidado por Donald Trump para integrar o "Conselho de Paz" para Gaza. Sua participação é objeto de um dilema diplomático devido às suas críticas anteriores às operações militares de Israel.
Termos importantes
- Flotilha: Pequena frota de navios, muitas vezes utilizada em contextos de ativismo para chamar a atenção para causas humanitárias ou políticas.
- Lei Antiterrorismo de 2000 (Reino Unido): Legislação britânica que define e pune atos relacionados ao terrorismo, incluindo apoio a organizações proibidas.
- Genocídio: Ato de extermínio deliberado e sistemático de um grupo étnico, racial, religioso ou nacional.
- Plano de Trump para Gaza: Proposta de 20 pontos do ex-presidente dos EUA Donald Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, que inclui fases para cessar-fogo, libertação de reféns, desmilitarização completa do território, criação de uma administração palestina tecnocrática de transição (como o CNAG) e reconstrução da região. A Fase Dois deste plano, anunciada em 14 de janeiro de 2026, foca na desmilitarização, gestão palestina temporária e início da reconstrução após um cessar-fogo.
- Cessar-fogo: Acordo para suspender temporariamente as hostilidades, como o que está em vigor em Gaza desde outubro. Apesar do acordo, ambos os lados têm trocado acusações de violações e incidentes violentos continuam a ocorrer. A questão dos reféns, incluindo a devolução dos restos mortais do último refém em janeiro de 2026, é um componente crítico para a estabilidade do cessar-fogo.
- Conselho de Paz de Gaza: Órgão proposto por Donald Trump como parte da segunda fase do plano de paz, com o objetivo de discutir governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital para a Faixa de Gaza. Membros podem ter mandatos de três anos, com a possibilidade de cargos vitalícios mediante uma contribuição de US$ 1 bilhão, embora a Casa Branca negue a taxa mínima.
- Força Internacional de Estabilização (ISF): Força liderada pelo major-general americano Jasper Jeffers, com a missão de manter a segurança no território palestino e treinar uma nova força policial para suceder ao Hamas.
- Refém: Pessoa mantida em cativeiro para forçar o cumprimento de exigências. A devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas em 26 de janeiro de 2026 foi um evento notável no conflito.