Visão geral
O combate ao crime organizado no Brasil é uma iniciativa multifacetada que envolve esforços coordenados entre os governos federal e estaduais. Uma das ferramentas centrais nesse esforço é o Projeto Captura, que inclui a divulgação de uma "lista vermelha" de criminosos mais procurados. Esta lista visa auxiliar as forças de segurança na captura de indivíduos estratégicos para desarticular organizações criminosas, contando também com a colaboração da população por meio de denúncias anônimas. Os crimes mais frequentemente associados aos procurados incluem homicídio, tráfico de drogas, organização criminosa e roubo. O combate ao crime organizado enfrenta desafios complexos, incluindo a integridade institucional e a influência política, como evidenciado por descontentamentos internos em órgãos como o Ministério Público. Recentemente, o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, elevou o combate ao crime organizado a uma "ação de Estado", buscando uma atuação conjunta e articulada de todos os órgãos estatais, incluindo o Ministério Público e o Judiciário, e focando na descapitalização das organizações criminosas.
Contexto e histórico
A criação da lista de procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi determinada por uma portaria de 2023. O objetivo é fortalecer o combate a organizações criminosas, reduzir indicadores de crimes graves e violentos, e garantir o cumprimento da lei penal. A iniciativa busca centralizar e divulgar informações sobre indivíduos com mandados de prisão em aberto, considerados de alta relevância para a segurança pública. Contudo, a eficácia dessas ações pode ser comprometida por decisões internas de órgãos de controle, gerando críticas e preocupações sobre o enfraquecimento do combate ao crime organizado e a credibilidade das instituições. Com a posse do novo ministro da Justiça em janeiro de 2026, a estratégia de combate foi reorientada para uma abordagem mais integrada, reconhecendo que a Polícia Federal e a Receita Federal, sozinhas, não conseguem viabilizar resultados concretos sem a colaboração do Ministério Público e do Judiciário. Essa nova perspectiva visa atingir o poder econômico do crime organizado através de cooperação e inteligência.
Linha do tempo
- 2023: Portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública estabelece a criação da lista de procurados para combate ao crime organizado.
- Início de dezembro de 2025: Lançamento da "lista vermelha" como parte do Projeto Captura.
- 7 de setembro de 2025: Tiago Alessandro Alves dos Santos é preso em flagrante no Paraná por uso de documentos falsos.
- 18 de dezembro de 2025: Tiago Alessandro Alves dos Santos ainda constava na lista de procurados, apesar de estar preso.
- 19 de dezembro de 2025: G1 revela a presença de um preso na lista de procurados.
- 22 de dezembro de 2025: Após questionamento do G1, o nome de Tiago Alessandro Alves dos Santos é removido da lista.
- 12 de janeiro de 2026: Promotores do Maranhão pedem exoneração após o Ministério Público recomendar a soltura de políticos presos, gerando críticas sobre o enfraquecimento do combate ao crime organizado e o comprometimento da credibilidade da instituição.
- 15 de janeiro de 2026: O novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anuncia que o combate ao crime organizado será elevado a uma "ação de Estado", envolvendo o Ministério Público e o Judiciário, e focado na descapitalização das organizações criminosas. O anúncio ocorre após reunião com o presidente Lula, Alexandre de Moraes (STF) e Paulo Gonet (PGR).
Principais atores
- Ministério da Justiça e Segurança Pública: Responsável pela criação e gestão da lista de procurados e pelo Projeto Captura. Atualmente liderado por Wellington César Lima e Silva, que defende uma abordagem de "ação de Estado" no combate ao crime organizado.
- Governos Estaduais: Indicam nomes para a lista e são responsáveis pela atualização das informações sobre os procurados.
- Forças de Segurança (Polícias Civil, Militar, Federal): Atuam na captura dos criminosos listados e na investigação. A Polícia Federal, sob a nova diretriz, busca maior cooperação interinstitucional para descapitalizar o crime organizado.
- Ministério Público: Atua na acusação e fiscalização, sendo um ator essencial na nova estratégia de "ação de Estado" para o combate ao crime organizado. Pode enfrentar conflitos internos e críticas sobre suas decisões em relação a casos de crime organizado.
- Judiciário: Fundamental para a efetividade das ações de combate ao crime organizado, garantindo que as medidas judiciais tenham o impacto necessário.
- População: Contribui com denúncias anônimas que podem levar à prisão dos procurados.
- Organizações Criminosas: Grupos que são o alvo principal das ações de combate.
- Wellington César Lima e Silva: Novo ministro da Justiça, com experiência prévia no cargo e atuação destacada no combate ao crime organizado na Bahia. Promove a integração de diferentes esferas do Estado no combate ao crime organizado.
- Alexandre de Moraes: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), envolvido em discussões de alto nível sobre a estratégia de combate ao crime organizado.
- Paulo Gonet: Procurador-Geral da República (PGR), parte integrante da estratégia de coordenação interinstitucional no combate ao crime organizado.
- Políticos presos no MA: Caso que gerou controvérsia e descontentamento no Ministério Público do Maranhão.
Termos importantes
- Projeto Captura: Iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública para combater o crime organizado, que inclui a lista de procurados.
- Lista Vermelha: Termo popular para a lista de criminosos mais procurados do Brasil, divulgada pelo governo federal.
- Organização Criminosa: Associação de quatro ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais.
- Mandado de Prisão: Ordem judicial que determina a prisão de uma pessoa.
- Ação de Estado: Nova abordagem estratégica no combate ao crime organizado, que busca a atuação conjunta e articulada de todos os órgãos do Estado, incluindo Executivo, Ministério Público e Judiciário, para maior efetividade.