Adicionado evento de 12/02/2026 sobre a determinação do Ministro Dias Toffoli para que a PF envie dados de celulares apreendidos ao STF, e a abertura de processo interno por Edson Fachin para avaliar a permanência de Toffoli na relatoria do caso.
Visão geral
O caso Banco Master é uma crise bancária e institucional de grande escala no Brasil.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do banco por deterioração econômico-financeira, crise de liquidez e infrações regulatórias.
A partir daí, o caso evoluiu para:
investigação de suposta fraude bilionária (entre R$ 11,5 bilhões e estimativas superiores, com menções públicas a mais de R$ 40 bilhões);
forte atuação da Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal (MPF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Tribunal de Contas da União (TCU), Supremo Tribunal Federal (STF), Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Banco de Brasília (BRB);
impacto sistêmico via FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com pagamentos em massa a credores e pressão sobre o sistema financeiro.
Até fevereiro de 2026, o caso também passou a envolver:
disputa sobre a condução processual no STF, com questionamentos sobre a relatoria do Ministro Dias Toffoli;
suspeitas de fraudes em carteiras vendidas ao BRB;
desdobramentos políticos e jurídicos;
potenciais efeitos sobre fundos previdenciários públicos (RPPS), com risco de “socialização do prejuízo”.
Contexto histórico e desenvolvimento
1) Origem do problema econômico-financeiro
O Banco Master operava com:
captação cara;
ativos de baixa liquidez (como precatórios);
oferta agressiva de CDBs (chegando a 140% do CDI e promessas de retorno até 40% acima da taxa básica de mercado, conforme investigações).
Segundo o BC e a PF, houve estrutura de operações que teria:
simulado solvência;
inflado ativos artificialmente;
ocultado insolvência real;
usado rolagem de passivos em dinâmica comparada a esquema Ponzi (novos CDBs para pagar investidores antigos), com empréstimos de longa carência para adiar inadimplência.
2) Núcleo da fraude (segundo investigações)
Entre julho de 2023 e julho de 2024, o BC apontou operações estruturadas que somaram cerca de R$ 11,5 bilhões em desacordo com seletividade e liquidez.
Mecânica descrita:
Banco concedia crédito a empresas (algumas apontadas como laranjas).
Recursos iam para fundos (incluindo fundos ligados à Reag).
Fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por preço superfaturado (ex.: título de R$ 100 negociado por R$ 1.000).
Recursos retornariam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores (segundo apuração).
Pontos citados:
seis fundos da Reag sob suspeita, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões;
circulação entre fundos com intermediários relacionados até beneficiários finais;
PF estimando potencial de fraudes na casa de R$ 12 bilhões (e, em outro recorte investigativo, até R$ 17 bilhões).
Caso específico citado em 15/01/2026:
Clínica Mais Médicos S.A. teria emitido R$ 361.147.355,00 em notas comerciais sem garantias, com capital social integralizado zero e receita anual de R$ 54.079,64 (2023), desproporção de mais de 6.500 vezes.
3) Tentativas de venda e BRB
Houve negociações para venda/integração do Master (BRB e Fictor), sem conclusão.
Elementos centrais:
reunião no BC em 06/04/2025 sobre aquisição pelo BRB (com propostas envolvendo BTG e FGC);
operação mencionada em torno de R$ 2 bilhões para tratar descasamento de liquidez;
Fitch colocou BRB e Master em observação;
BC barrou tentativa de venda em setembro de 2025, com suspeita de diluição/fusão de balanços para absorver fraude;
negociações de carteiras suspeitas entre Master e BRB totalizaram R$ 12,2 bilhões;
estimativas de prejuízo ao BRB variam (fala de saldo não recuperado de R$ 2 bilhões e potencial superior a R$ 4 bilhões em outras frentes).
4) Liquidação, FGC e tamanho do impacto
A liquidação extrajudicial implicou:
encerramento de atividades;
nomeação de liquidante (EFB Regimes Especiais de Empresas);
bloqueio de bens da controladora e administradores.
FGC:
início de pagamentos de CDBs em 19/01/2026;
até 23/01/2026 (fim da tarde): R$ 26 bilhões pagos, 521 mil credores, 66,4% do desembolso previsto e 67,3% dos investidores elegíveis;
ritmo pós-ajustes técnicos: ~2,8 mil pedidos/hora;
necessidade estimada líquida: R$ 40,6 bilhões para cobrir garantias do Master (cerca de 1/3 dos recursos do fundo);
caso tratado como maior quebra da história em impacto para o FGC.
Observação importante:
pagamento depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante;
fundos de pensão com certos investimentos (fundos/Letras Financeiras) não têm cobertura do FGC (menção a R$ 1,86 bilhão em 18 fundos no texto).
5) Will Bank (conglomerado)
Além do Master, o FGC também teria obrigação sobre o Will Bank (liquidação decretada na semana de 19/01/2026):
desembolso adicional estimado em R$ 6,3 bilhões;
sem prazo definido para liberação (dependia de base de credores);
como o Will integra o conglomerado desde agosto/2024, o limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ não duplica dentro do grupo;
em 10/02/2026, Master + Will foram associados a rombo de aproximadamente R$ 47 bilhões no FGC.
6) Frente penal, processual e institucional
A Operação Compliance Zero (PF) apura:
gestão fraudulenta;
lavagem de dinheiro;
manipulação/uso de informação privilegiada;
indução de investidores em erro;
organização criminosa.
Conflitos centrais:
embates sobre custódia/perícia de provas (celulares/computadores);
prazos e local de depoimentos (STF vs PF);
discussões sobre suspeição do relator (Dias Toffoli), especialmente após a descoberta de menção ao seu nome em celular de investigado e a revelação de seu vínculo com um resort que recebeu investimento de fundo ligado ao Banco Master;
tensão institucional entre PF, PGR, STF, BC e TCU.
7) Frente política e conexões
Foram reportadas conexões com figuras políticas e jurídicas (sem conclusão definitiva de ilegalidade apenas por conexão):
aproximação de atores partidários nas negociações com BRB;
ex-autoridades em consultorias/atuações associadas ao Master;
doações eleitorais de investigados;
contratos jurídicos e encontros que geraram questionamentos públicos e pedidos de apuração.
8) Impacto macro-institucional
Embora com cerca de 0,5% dos ativos do sistema financeiro, o caso:
abriu debate sobre eficácia de supervisão;
expôs possível falha de timing regulatório;
gerou questionamentos sobre rating/auditoria/governança;
pode motivar mudança regulatória e ajustes de controle prudencial.
Linha do tempo
Jul/2023–Jul/2024 — BC identifica operações estruturadas do Master (aprox. R$ 11,5 bi) consideradas incompatíveis com princípios prudenciais.
Jul/2024 — Master tinha contrato em Miami (830 Brickell), depois entra em inadimplência de aluguel desde set/2025.
Ago/2024 — Will Bank integra conglomerado do Master (impacta regra de limite FGC por CPF/CNPJ).
06/04/2025 — Reunião no BC sobre solução para aquisição do Master pelo BRB (com BTG/FGC no desenho).
Set/2025 — BC barra tentativa de venda de parte do Master ao BRB.
Set/2025 — Master deixa de pagar aluguel em Miami (ação de despejo viria depois).
Nov/2025 — PF deflagra Operação Compliance Zero (1ª fase).
17/11/2025 — Daniel Vorcaro é preso em Guarulhos na manhã da intervenção (posteriormente solto; medidas cautelares).
18/11/2025 — BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Master.
30/12/2025 — Depoimento de Vorcaro no STF: nega fraude/facilitação política; diz que venda ao BRB teria sido recomendada tecnicamente.
08/01/2026 — Relator no TCU (Jhonatan de Jesus) suspende temporariamente fiscalização presencial no BC sobre o caso e leva ao plenário.
08/01/2026 — Vorcaro aciona tribunal de falências no Sul da Flórida tentando impedir reconhecimento da liquidação nos EUA.
09/01/2026 — Lula conversa com Vital do Rêgo (TCU) para mediar impasse institucional.
12/01/2026 — Ministros do TCU sinalizam distanciamento da frente política do caso e foco técnico.
14/01/2026 — PF deflagra 2ª fase da Compliance Zero: 42 mandados; bloqueio de > R$ 5,7 bi; apreensões (veículos, relógios, dinheiro etc.).
14/01/2026 — Toffoli determina lacre/armazenamento de provas no STF (depois revisto); PGR pede e obtém autorização para analisar acervo.
15/01/2026 — PF aponta risco de prejuízo investigativo com prazos e lacre; Toffoli autoriza perícia de 39 celulares e 31 computadores por equipe restrita com acompanhamento da PGR.
15/01/2026 — BC decreta liquidação da CBSF DTVM (novo nome da Reag Trust DTVM).
15/01/2026 — Revelado 2º processo no TCU relatado por Jhonatan de Jesus sobre o caso Master.
— Senadores protocolam pedido de impeachment de Toffoli por condução do caso.
Principais atores
Pessoas
Daniel Vorcaro — controlador do Banco Master; principal investigado; nega fraude e facilitação política. Seu celular continha menção ao nome de Dias Toffoli, conforme relatório da PF.
Luiz Inácio Lula da Silva — presidente; declarou publicamente que o caso seria golpe > R$ 40 bi.
Fernando Haddad — ministro da Fazenda; chamou o caso de possível maior fraude bancária; defendeu atuação do BC/Galípolo.
Gabriel Galípolo — presidente do BC durante desdobramentos; conduz liquidação/auditoria interna.
Ailton de Aquino Santos — diretor de Fiscalização do BC; negou recomendação de compra de carteiras fraudadas ao BRB; colocou dados sob sigilo à disposição das autoridades.
Dias Toffoli — ministro do STF e relator do caso; suas decisões processuais geraram controvérsia e sua permanência como relator está sob questionamento após menção em celular de investigado e vínculo com resort que recebeu investimento de fundo ligado ao Master. Determinou o envio de dados de celulares apreendidos pela PF ao STF.
Edson Fachin — presidente do STF; atua na supervisão institucional e análise de pedidos ligados à suspeição, tendo iniciado processo interno para avaliar a continuidade de Toffoli na relatoria.
Vital do Rêgo — presidente do TCU.
Jhonatan de Jesus — ministro do TCU, relator de processos ligados ao caso.
Paulo Gonet — procurador-geral da República.
Andrei Rodrigues — diretor-geral da PF.
Paulo Henrique Costa — ex-presidente do BRB; depoimentos e divergências sobre impactos das operações.
Nelson Antônio de Souza — então presidente do BRB (contexto dos convites a influenciadores).
Ibaneis Rocha — governador do DF; citado em contexto de negociações e questionamentos políticos.
Ricardo Lewandowski — ex-STF/ex-ministro, ligado a contrato de consultoria anterior com o Master.
Guido Mantega, Henrique Meirelles, Michel Temer — citados em papéis de consultoria/mediação/relacionamento.
Ciro Nogueira e Antonio Rueda — apontados como pontes políticas em negociações.
Fabiano Campos Zettel — cunhado de Vorcaro, alvo de medidas; também citado como doador político relevante.
João Carlos Mansur — ex-presidente da Reag, investigado.
/ referência a em desdobramentos de contratos e reportagens.
Instituições e organizações
Banco Master (instituição liquidada).
Banco Central do Brasil (BC) (liquidação, supervisão, comunicação de ilícitos).
Polícia Federal (PF) (Operação Compliance Zero e outras frentes; responsável pela apreensão de celulares e mídias eletrônicas).
MPF / PGR (frente penal e processamento probatório).
STF (relatoria, supervisão de inquérito com foro; local de decisão sobre a custódia de provas e a relatoria do caso).
TCU (fiscalização técnica sobre atuação do BC).
FGC (ressarcimento de credores garantidos).
BRB (compras de carteiras, potencial prejuízo e plano de capitalização).
CVM (apurações adicionais).
Reag DTVM / Reag Investimentos / CBSF DTVM (fundos e gestão sob investigação).
Rioprevidência e outros RPPS (exposição a ativos do Master).
Will Bank (liquidação associada ao conglomerado do Master).
Termos importantes
Liquidação extrajudicial: regime administrativo decretado pelo BC para encerrar instituição financeira inviável, com liquidante responsável por arrecadar ativos e pagar credores conforme ordem legal.
FGC (Fundo Garantidor de Créditos): mecanismo privado financiado por bancos para cobrir certos créditos (ex.: CDB) até limites legais (tipicamente R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição/conglomerado, conforme regra aplicável).
CDB: título de captação emitido por banco, remunerado por taxa prefixada, pós-fixada ou híbrida.
CDI: referência de taxa interbancária usada como benchmark de renda fixa no Brasil.
Carteira de crédito: conjunto de operações de empréstimo/financiamento que pode ser cedido entre instituições.
Ativo podre / baixa liquidez: ativo de difícil venda/realização ou com valor econômico questionável.
Superfaturamento de ativos: contabilizar/negociar ativos por valores artificialmente elevados para melhorar aparência patrimonial.
Esquema Ponzi (pirâmide financeira): pagamentos a investidores antigos com recursos de novos entrantes, sem geração econômica sustentável compatível.
Laranja: pessoa/empresa usada para ocultar beneficiário real de operação.
Foro por prerrogativa de função: competência de tribunais superiores para investigar/julgar autoridades com cargo específico.
Suspeição de magistrado: incidente processual para questionar imparcialidade do julgador por vínculo/interesse/circunstâncias objetivas.
RPPS: regime próprio de previdência social de servidores públicos (fundos previdenciários de estados/municípios).
Socialização do prejuízo: transferência indireta de perdas privadas para coletividade (via contribuições, aportes públicos, cortes orçamentários ou maior endividamento).
15/01/2026
15/01/2026 — Senado cria grupo de trabalho para acompanhar investigações (coordenação de Renan Calheiros).
15/01/2026 — Investigação detalha uso da Clínica Mais Médicos S.A. em operação de desvio (segundo PF/relatórios).
16/01/2026 — Empresária alvo de busca nega vínculo e levanta hipótese de CPF clonado.
16/01/2026 — Toffoli reduz prazo de oitivas; PF aponta “risco sistêmico” nas investigações.
19/01/2026 — FGC inicia pagamentos a investidores com CDB do Master.
19/01/2026 — PF busca apoio da PGR para continuidade da investigação diante conflitos processuais.
23/01/2026 — Lula fala em “golpe de mais de R$ 40 bi”.
23/01/2026 — FGC informa avanço de pagamentos: R$ 26 bi, 521 mil credores.
23/01/2026 — PF deflagra Operação Barco de Papel (Master x Rioprevidência; aplicação de R$ 970 mi entre nov/2023 e jul/2024).
23/01/2026 — Prédio 830 Brickell (Miami) move ação de despejo contra Master.
23/01/2026 — BC (Ailton Aquino) nega ter recomendado compra de carteiras fraudadas ao BRB; coloca dados sob sigilo à disposição das autoridades.
26/01/2026 — PF inicia oitivas de 8 investigados da frente Master-BRB no STF; inquérito prorrogado por 60 dias.
26/01/2026 — Persistência de crise institucional no STF em torno da relatoria.
27/01/2026 — PF adia 3 de 4 depoimentos por alegação de falta de acesso aos autos pelas defesas.
27/01/2026 — Lewandowski afirma ter deixado atuação privada para o Master ao assumir ministério.
28/01/2026 — BRB comunica à CVM transferência de carteiras do Master como compensação; ativos do Will Bank em valuation; sem conclusão técnica final.
28/01/2026 — PF abre inquérito sobre propostas a influenciadores para críticas ao BC.
29/01/2026 — Influenciadores relatam convite ligado ao BRB para conteúdos sobre o caso; BRB nega autorização.
29/01/2026 — Haddad defende condução de Galípolo no BC e minimiza encontro Lula–Vorcaro em 2024.
29/01/2026 — BC abre auditoria interna sigilosa sobre condução/fiscalização do caso Master.
01/02/2026 — Ibaneis vira alvo de pedidos de impeachment/investigação no DF por desdobramentos Master-BRB.
10/02/2026 — Estimativas apontam rombo Master+Will no FGC de ~R$ 47 bi; BRB pode demandar injeção de até R$ 5,5 bi; CVM abre nova apuração sobre fraudes do Master.
11/02/2026 — Área técnica do TCU conclui que não encontrou irregularidades na conduta do BC na liquidação.
12/02/2026 — PF envia relatório ao presidente do STF com extrações do celular de Vorcaro mencionando Toffoli; Fachin intima Toffoli a se manifestar; cresce pressão sobre eventual suspeição.
12/02/2026 — Ministro Dias Toffoli determina que a PF envie ao STF os dados dos celulares apreendidos na investigação do Banco Master, incluindo laudos de perícia e outras mídias eletrônicas, a pedido da defesa dos investigados. O Presidente do STF, Edson Fachin, abre processo interno para decidir sobre a permanência de Toffoli como relator, após a PF informar sobre a menção ao nome do ministro em mensagem no celular de Daniel Vorcaro e a revelação de seu vínculo com um resort que recebeu investimento de fundo ligado ao Master.
Viviane Barsi de Moraes
Alexandre de Moraes
Augusto Arruda Botelho — advogado citado em contexto de viagem com Toffoli.
Valdenice Pantaleão e Fernando Alves Vieira — nomes ligados ao episódio Clínica Mais Médicos S.A.