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Caso Banco Master
Adicionado evento de 27/01/2026 sobre o adiamento de depoimentos de investigados da Operação Compliance Zero no STF e criada uma nova seção 'Investigação Criminal' para consolidar informações sobre a Operação Compliance Zero e os investigados.
O Banco Master é uma instituição financeira brasileira que, em 18 de novembro de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC). A decisão do BC foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira e de liquidez do banco, bem como por infrações às normas bancárias. Em janeiro de 2026, revelou-se que o BC enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia detalhando um esquema de fraude de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, envolvendo a inflação artificial de ativos para simular solvência. Em 23 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimou que o golpe do Banco Master seria de mais de R$ 40 bilhões, a ser pago por bancos via Fundo Garantidor de Crédito. A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco, com um liquidante assumindo o controle para vender bens e pagar credores. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante com amplos poderes, e os bens da controladora e dos administradores do banco foram bloqueados. O caso gerou questionamentos por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do Banco Central no processo. Em 8 de janeiro de 2026, o relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, suspendeu temporariamente a fiscalização presencial no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master e submeteu a decisão ao plenário para análise colegiada. Uma análise preliminar de técnicos do TCU, realizada antes da determinação da inspeção in loco, constatou que o BC agiu corretamente na situação. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a auditoria da Corte concluirá que o BC teve razão técnica ao decretar a liquidação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será o responsável pelo ressarcimento dos credores. Em 19 de janeiro de 2026, o FGC iniciou os pagamentos aos investidores com CDBs do Banco Master. Até o fim da tarde de 23 de janeiro de 2026, o FGC já havia pago R$ 26 bilhões a 521 mil credores do Banco Master, o que corresponde a 66,4% do valor total previsto para desembolso e alcança 67,3% dos investidores com direito à garantia. Os pagamentos ganharam ritmo após ajustes técnicos, processando cerca de 2,8 mil pedidos por hora. O FGC estima a necessidade de aproximadamente R$ 40,6 bilhões líquidos para cobrir as garantias relacionadas ao Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro. O valor representa cerca de um terço dos recursos disponíveis no fundo. A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC, representando um terço do caixa do fundo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como a possível "maior fraude bancária" do país. O pagamento aos clientes, no entanto, depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante, o que ainda não havia sido feito dois meses após a liquidação. Além disso, 18 fundos de pensões estaduais e municipais que investiram R$ 1,86 bilhão em fundos do Master e em Letras Financeiras não serão ressarcidos, pois esses investimentos não são cobertos pelo FGC.
Liquidação do Will Bank: Além do Banco Master, o FGC terá de honrar garantias relacionadas ao Will Bank, que teve a liquidação decretada na semana de 19 de janeiro de 2026 pelo Banco Central. A estimativa é de um desembolso adicional de R$ 6,3 bilhões. O início desses pagamentos depende do envio da base de dados dos credores pelo liquidante nomeado pelo BC e ainda não há prazo definido para a liberação dos valores. O fundo destacou que, como o Will Bank integra o conglomerado do Banco Master desde agosto de 2024, o limite de cobertura de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ não é duplicado. Assim, clientes que já tenham recebido o teto máximo na liquidação de outras instituições do grupo não terão valores adicionais a receber.
O Banco Master enfrentava desafios financeiros, incluindo um alto custo de captação e investimentos de alto risco. Investigações do Banco Central apontaram que, entre julho de 2023 e julho de 2024, a instituição realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões em desacordo com princípios de seletividade e liquidez. O esquema envolvia fundos administrados pela Reag DTVM, empresa investigada na Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia dos combustíveis.
Segundo o BC, a fraude operava em um ciclo: o banco concedia empréstimos a empresas que aplicavam os recursos em fundos; estes fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores superfaturados (como títulos de R$ 100 negociados por R$ 1.000); e os recursos retornavam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores. Essa manobra servia para simular aportes de capital exigidos pelo regulador e esconder a real situação de insolvência. Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações, emprestando recursos a empresas supostamente laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, onde o dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais. Além disso, a Polícia Federal estima que as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de retornos irreais, até 40% acima da taxa básica de mercado. Para adiar a inadimplência, o banco concedia empréstimos com carência de até cinco anos e utilizava novos CDBs para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi (pirâmide financeira). O Master chegou a oferecer CDBs de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um nível considerado insustentável. Com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade do banco em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso. Em 15 de janeiro de 2026, a investigação sobre as fraudes do Banco Master revelou o uso da Clínica Mais Médicos S.A. para desviar dinheiro. A empresa emitiu R$ 361.147.355,00 em notas comerciais sem garantias, apesar de ter capital social integralizado zero e uma receita operacional bruta anual (R$ 54.079,64 em 2023) que era mais de 6.500 vezes menor que o valor da dívida, indicando uma alavancagem incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica. A presidente da Clínica Mais Médicos S.A., Valdenice Pantaleão, é apontada como "laranja" e recebia auxílio emergencial. Fernando Alves Vieira, procurador de Valdenice, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro.
Tentativas de venda da instituição ao BRB e à Fictor Holding não foram concretizadas devido a riscos de sucessão e à decretação da liquidação. Em 6 de abril de 2025, uma reunião no Banco Central discutiu soluções para a aquisição do Banco Master pelo BRB, com propostas envolvendo o BTG Pactual e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação, avaliada em R$ 2 bilhões, visava resolver o descasamento de liquidez do Banco Master, que possuía ativos de baixa liquidez como precatórios. A situação gerou preocupações no mercado financeiro e levou a Fitch Ratings a colocar os ratings do BRB e do Banco Master em observação. Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno, uma operação que existia apenas contabilmente, sem pagamento ou crédito real. O BC analisou os CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam. A mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros. Em setembro de 2025, o Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB, pois a proposta de venda, segundo a investigação, buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público. Negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) totalizaram R$ 12,2 bilhões, especificamente na venda de falsas carteiras de crédito consignado. Embora o Banco Central tenha determinado o desfazimento das operações irregulares, investigadores da Polícia Federal e fiscais do BC estimam que um prejuízo superior a R$ 4 bilhões pode ter sido gerado ao BRB. Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro negou ter causado qualquer prejuízo ao BRB, enquanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público conseguiu reverter a maior parte das operações, mas que um saldo de R$ 2 bilhões não foi recuperado. Na manhã da intervenção, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando tentava viajar para a Europa em um avião particular, sendo solto dias depois. Em 8 de janeiro de 2026, Vorcaro recorreu ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida para tentar impedir o reconhecimento da liquidação nos EUA, alegando possibilidade de reversão no Brasil. Contudo, o TCU descartou reverter a medida administrativa. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em uma tentativa de mediar o impasse institucional e as controvérsias entre os órgãos de controle e o governo federal. Em 12 de janeiro de 2026, ministros do TCU expressaram o desejo de se distanciar do caso Master, avaliando que o tribunal se envolveu de forma equivocada ao focar na investigação da liquidação em vez das fraudes. Há uma expectativa de que o plenário do TCU não aprove uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Banco Master, dadas as polêmicas políticas e a investigação em curso pela Polícia Federal.
Em 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a demora e a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços de Daniel Vorcaro, seu pai, irmã e cunhado, Fabiano Campos Zettel, além de Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos. Foram bloqueados mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho, sendo liberado após a apreensão de seu celular para perícia. Mandados também foram cumpridos em dois imóveis de Zettel, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agentes da PF suspeitam de vazamento de informações, pois Zettel e o investidor Nelson Tanure foram encontrados em aeroportos na véspera da operação. Tanure foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e teve seu celular apreendido. Durante esta fase da operação, a PF apreendeu bens como carros importados, relógios de luxo e outros itens de valor, além de R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie, em endereços ligados aos investigados. A investigação detectou captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes. A apreensão do celular de Daniel Vorcaro gerou "pânico" nos bastidores de Brasília. A operação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli e sob sigilo no STF, busca aprofundar a investigação sobre a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter provocado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões, e apurar o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passear por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. A PF quer saber onde recursos tomados como empréstimo no banco foram parar por meio de um passeio por vários fundos, identificando empréstimos milionários tomados por empresas com capital de apenas R$ 5 mil, usados para comprar ativos podres e que tiveram como destino final laranjas do esquema. A Polícia Federal também apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central. Daniel Vorcaro, por meio de sua defesa, afirmou ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito", reiterando que tem colaborado com as autoridades. No mesmo dia, 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou que o material probatório obtido pela Polícia Federal no caso Vorcaro seja lacrado e armazenado na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação. Toffoli reclamou da demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento das ordens judiciais. Investigadores da PF, no entanto, alertam que essa medida pode resultar na perda das provas coletadas, pois não poderão periciar o material. O gabinete do ministro do STF afirmou que "o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes". Ainda em , o ministro Toffoli autorizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a analisar os materiais apreendidos na investigação envolvendo o Banco Master, após um pedido de reconsideração do procurador-geral da República. A na investigação. O caso Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional, com a liquidação pelo BC sendo questionada, mas a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária diante das fraudes detectadas. A investigação possui escopo mais amplo, focando na gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
Em 15 de janeiro de 2026, a Polícia Federal alegou que o prazo estabelecido pelo ministro Dias Toffoli para a operação que mirou o Banco Master pode atrapalhar os trabalhos investigativos. A PF manifestou preocupação com a interferência judicial nos trabalhos, após Toffoli criticar a corporação por suposta 'inércia' e 'falta de empenho' na apuração. Posteriormente, Toffoli determinou que o material apreendido fique na Procuradoria-Geral da República. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu junto a Toffoli que a decisão de lacrar e armazenar bens apreendidos no STF pode causar prejuízos irreparáveis à investigação, pedindo a reconsideração para permitir a análise imediata de dados de equipamentos como celulares. Rodrigues argumentou que, por questões operacionais, não foi possível cumprir os mandados em 24 horas, como determinado por Toffoli, e que o acesso rápido a equipamentos eletrônicos é crucial para evitar a perda ou bloqueio de provas. No mesmo dia, o ministro Dias Toffoli autorizou a Polícia Federal a periciar os 39 celulares e 31 computadores apreendidos na Operação Compliance Zero, restringindo o acesso a quatro peritos da corporação (Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schreppel Delmutti), com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República. Toffoli havia determinado inicialmente que as provas fossem lacradas no STF, mas reconsiderou após pedidos da PF e PGR, que temiam prejuízos à investigação. Também em 15 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli retirou o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (novo nome da Reag Trust DTVM), empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos, por descumprimento de regras legais e prudenciais. A Reag também é investigada na Operação Compliance Zero. A liquidação da gestora é vista como um desdobramento direto do caso Master.
Em 16 de janeiro de 2026, uma empresária de 29 anos, moradora de Rosário do Sul (RS), que foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, negou qualquer ligação com o esquema de fraudes e suspeita que teve seu CPF clonado. Segundo seu advogado, o mandado foi cumprido em um imóvel alugado em Santa Maria, e ela não estava presente no momento da diligência. A defesa afirmou que verificará as movimentações financeiras da cliente para comprovar que não houve recebimento de valores ilícitos e investigará a possibilidade de golpe ou clonagem de dados. O advogado não soube informar se algum objeto foi apreendido. Também em 16 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli solicitou que a Polícia Federal apresente um novo cronograma de depoimentos e reduziu de cinco para dois dias o tempo para os agentes ouvirem os investigados no caso Master. A decisão de Toffoli de indicar nominalmente os peritos para atuar no caso, sem consultar a direção da PF, gerou forte mal-estar na corporação, que considerou a medida incomum e uma intervenção em sua autonomia administrativa. A PF apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central, que tem sido alvo de ataques digitais. A Polícia Federal, em 16 de janeiro de 2026, apontou que as investigações do "Caso Master" indicam um "risco sistêmico" ao sistema financeiro. Os relatórios da PF mencionam que empresas com capital social "ínfimo" cediam "direitos creditórios milionários" e que houve uma "transferência suspeita" para o pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em 19 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) buscou apoio da Procuradoria Geral da República (PGR) para dar continuidade às investigações do caso Master, após o ministro Dias Toffoli tomar medidas para controlar os procedimentos. A cúpula da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tiveram um encontro classificado como "ótimo" para acertar os procedimentos. A PGR defendeu que o material apreendido ficasse com a PF, mas Toffoli decidiu entregá-lo ao procurador-geral da República, inicialmente em seu gabinete, mas depois na PGR devido a críticas e inviabilidade técnica do STF. A PF reclama da exclusão na análise dos celulares e da decisão de Toffoli de realizar os depoimentos dos investigados no STF, em vez de na própria PF. O ministro encurtou o prazo para a PF colher depoimentos de cinco para dois dias, alegando dificuldades de agenda e salas no Supremo. Contudo, a prorrogação do inquérito por mais 60 dias trouxe alívio aos investigadores.
Em 23 de janeiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Barco de Papel no Rio de Janeiro, investigando operações financeiras irregulares entre o Banco Master e a Rioprevidência. O fundo de previdência do estado do Rio de Janeiro teria aplicado R$ 970 milhões no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A Rioprevidência, no entanto, negou qualquer irregularidade, informando que os investimentos estão resguardados por uma decisão judicial de dezembro de 2025, que determinou a retenção do dinheiro acrescido de juros e correção monetária em benefício da instituição. A Rioprevidência afirmou que o investimento está em fase de quitação, com a retenção de valores decorrentes de empréstimos consignados que seriam repassados ao Banco Master, e que os recursos estão à disposição do caixa previdenciário, com liquidação prevista em cerca de dois anos.
Em 23 de janeiro de 2026, o prédio corporativo 830 Brickell Plaza em Miami, nos Estados Unidos, entrou com uma ação de despejo contra o Banco Master na Justiça estadual do condado de Miami-Dade. A ação alega inadimplência do aluguel desde setembro de 2025. O Banco Master havia assinado um contrato em julho de 2024 para pagar cerca de US$ 58 milhões (R$ 307 milhões) em aluguéis ao longo de dez anos pelo espaço em dois andares do edifício, conhecido por ser o mais caro entre os prédios corporativos de Miami. No entanto, o banco nunca chegou a adaptar ou ocupar o espaço e deixou de pagar o aluguel mensal de US$ 423.320 (R$ 2,24 milhões) a partir de setembro de 2025. Advogados do Banco Master pediram ao tribunal que o processo de despejo seja suspenso, argumentando que o caso de recuperação judicial do banco tramita simultaneamente no Brasil e em Miami. O proprietário do prédio rescindiu o contrato pouco depois da prisão de Daniel Vorcaro e retirou o nome do Banco Master das placas externas do edifício. Este episódio marca mais um capítulo da derrocada do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro, que tinha planos ambiciosos de expansão nos Estados Unidos antes de sua prisão. O Banco Master também buscava endereços de prestígio em outras cidades, como São Paulo, onde estava sediado no mesmo edifício que o Banco BTG Pactual e a Alphabet, e em Londres, onde considerava alugar escritórios de luxo no 22 Bishopsgate no final de 2024, plano que foi suspenso.
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e sua liquidação colocaram em evidência as amplas conexões de Daniel Vorcaro no mundo político e jurídico. Até o momento, nenhuma ilegalidade foi apontada nessas conexões, mas o caso segue em investigação sob sigilo no STF.
Conexões políticas:
Conexões jurídicas:
A investigação sobre as fraudes do Banco Master, conduzida pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, tem sido marcada por uma série de conflitos e intervenções judiciais, especialmente por parte do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 19 de janeiro de 2026, a PF buscou apoio da Procuradoria Geral da República (PGR) para dar continuidade aos procedimentos investigativos, após Toffoli tomar medidas para controlar as investigações. A cúpula da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tiveram um encontro considerado "ótimo" para acertar os procedimentos. O relacionamento entre PF e PGR tornou-se crucial, especialmente após Toffoli determinar que os telefones celulares e computadores apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero ficassem sob custódia da procuradoria. Inicialmente, o ministro havia ordenado que o material ficasse em seu gabinete, mas mudou de posição após críticas e a inviabilidade técnica do STF para extrair o conteúdo dos equipamentos. A PGR chegou a defender que o material ficasse com a Polícia Federal, prática usual em todas as investigações. A PF tem reclamado das tentativas de Toffoli de controlar o inquérito, incluindo a exclusão da corporação na extração e análise do material dos celulares, informações consideradas essenciais para as investigações. A cúpula da PF também não concorda com a decisão de Toffoli de realizar os depoimentos dos investigados do caso Master no STF, sendo que o caminho natural é fazer essas oitivas na Polícia Federal. Na semana anterior, o ministro encurtou o prazo para a PF colher depoimentos de investigados de cinco para dois dias, alegando dificuldades de agenda e salas no Supremo Tribunal. Apesar das dificuldades e das investidas de Toffoli contra a PF, a prorrogação do inquérito por mais 60 dias trouxe alívio para os investigadores.
Em 23 de janeiro de 2026, o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos, negou ter recomendado ao BRB a compra de carteiras fraudadas do Banco Master. Essa declaração veio após uma reportagem da jornalista Malu Gaspar alegar que Aquino havia pedido ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comprasse créditos do Master. Em defesa do executivo, o Banco Central divulgou uma nota afirmando que a área de Supervisão, sob comando de Ailton, foi a responsável por identificar inconsistências e investigar as operações do Banco Master, além de comunicar os ilícitos criminais ao Ministério Público Federal. A nota também ressaltou que foi o diretor Ailton quem propôs a liquidação do Master e que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos adquiridos é de cada instituição financeira, que deve manter seus próprios controles internos. Ailton de Aquino Santos colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) suas informações bancárias, fiscais e os registros das conversas que realizou com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo.
Em 26 de janeiro de 2026, a crise institucional em torno do caso Master no STF persistiu, com ministros e investigadores avaliando que o tribunal continuará "sangrando" enquanto Dias Toffoli for o relator. A nota do presidente do STF, Edson Fachin, foi vista como uma tentativa de defender a instituição, mas não debelou a crise. Há preocupação com o risco de as investigações revelarem informações negativas para o ministro Toffoli. Fachin reconheceu que não há clima para aprovar um código de conduta para ministros do STF em ano eleitoral, apesar de considerá-lo necessário para resolver crises futuras. A postura de Toffoli em tentar controlar as investigações, como a entrega de perguntas preparadas à delegada Janaína Palazzo nos depoimentos anteriores, é vista como problemática. A delegada só aceitou fazer as perguntas com o lembrete de que não eram dela, mas do relator do caso Master. A PF realizará novos depoimentos de oito investigados do Master e do BRB, novamente no STF, para apurar o conhecimento sobre as carteiras de crédito fraudulentas.
Em 27 de janeiro de 2026, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmou que deixou de atuar como advogado do Banco Master ao assumir a pasta no governo federal. Ele havia sido contratado pelo Banco Master após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2023 e se retirou de seu escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao ser convidado para o Ministério da Justiça em janeiro de 2024. O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu ter sugerido a contratação de Lewandowski pelo Master.
Investigação sobre a compra do Banco Master pelo BRB Em 26 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) iniciou a tomada de depoimentos de oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos estão sendo colhidos na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), com sessões presenciais e por videoconferência, e o cronograma foi aprovado pelo ministro Dias Toffoli. O inquérito foi prorrogado por mais 60 dias.
Nesta frente de apuração, a PF investiga a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, que foi barrada pelo Banco Central. A PF aponta indícios de que o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado, um retorno considerado irreal, e que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Os investigadores afirmam haver indícios de que dirigentes do BRB possam ter participado do esquema.
Os investigados que prestam depoimento são:
Em 27 de janeiro de 2026, a Polícia Federal adiou três dos quatro depoimentos agendados para o dia, devido à alegação das defesas de falta de acesso a todos os documentos do processo. Apenas Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master, foi ouvido virtualmente. Os depoimentos adiados incluíam Robério Cesar Bonfim Mangueira, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima. Os desdobramentos do caso podem determinar se a investigação permanece no STF ou retorna à primeira instância, dependendo da implicação de pessoas com foro privilegiado, com o aval do ministro Dias Toffoli.
Operação Compliance Zero - Segunda Fase: A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na semana anterior, busca aprofundar as apurações sobre as fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de "vulnerabilidades do mercado de capitais" para realizar fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de elos societários, familiares ou funcionais. Os investigadores apontam indícios de que o grupo – formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco – pode ter cometido ao menos cinco crimes: organização criminosa; gestão fraudulenta de instituição financeira; induzimento ou manutenção em erro de investidores; uso de informação privilegiada e manipulação de mercado; e lavagem de dinheiro. A apuração identificou operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com laranjas e sócios ocultos. A investigação, que teve início na primeira instância da Justiça Federal, foi remetida ao STF após a apreensão de um contrato envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e um deputado federal, o que atraiu a prerrogativa de foro. O inquérito é supervisionado pelo STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Em 23 de janeiro de 2026, o Banco de Brasília (BRB) divulgou que está avaliando alternativas para cobrir um possível prejuízo bilionário decorrente de negociações com o Banco Master. O plano de capitalização, que ainda está sendo elaborado e será submetido à aprovação do Banco Central, pode superar R$ 3 bilhões. As opções em estudo incluem a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do Governo do Distrito Federal (GDF), a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o aporte direto dos controladores. O GDF, acionista controlador do BRB com 71,92% do capital, já sinalizou a possibilidade de um aporte. Caso chanceladas pelo Banco Central, as medidas propostas precisarão da aprovação da Câmara Legislativa do DF. O BRB reforçou que permanece sólido e operando normalmente. O prejuízo do BRB decorre de aportes de R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, com o Ministério Público vendo indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. A Polícia Federal investiga a aquisição de carteiras de crédito problemáticas do Master pelo BRB, e a Operação Compliance Zero resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em novembro de 2025.
Em 23 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia em Maceió, Alagoas, criticou veementemente a defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando que "falta vergonha na cara" a quem o defende. Sem citar nominalmente Vorcaro, Lula se referiu a ele como o responsável por um "golpe de mais de R$ 40 bilhões" que, segundo o presidente, será pago por grandes bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú, através do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Natural de Belo Horizonte, o banqueiro Daniel Vorcaro, de 42 anos, vem de uma família de classe média alta do setor da construção civil. No final da década passada, ele assumiu o controle do banco Maxima, fundado nos anos 1970, e o rebatizou como Banco Master. Vorcaro chamou atenção no mercado financeiro por uma estratégia de negócios considerada ousada: em vez de captar a maior parte de seu dinheiro com correntistas e emprestar, o Banco Master se concentrou em oferecer CDBs com taxas de juros muito acima das praticadas no mercado. Ao longo de sua trajetória econômica, Vorcaro estabeleceu ligações com políticos tanto da direita quanto da esquerda brasileira. Em entrevista à revista Piauí em outubro de 2025, Vorcaro atacou os críticos de seu modelo, afirmando ser vítima de preconceito por suas origens empresariais estarem fora do mercado financeiro e que "não é só preconceito. São pessoas que querem nos frear e ficam usando coisas ruins contra nós. É um ataque desnecessário." Vorcaro também ficou conhecido por grandes gastos e por ostentar uma vida de luxo. Em 2003, junto com outros sócios, ele comprou o hotel de luxo Fasano Itaim, posteriormente vendido. Em 2023, ele teria gasto R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha, com apresentação dos DJs The Chainsmokers e Alok. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Vorcaro adquiriu 27% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube Atlético Mineiro. A revista Piauí noticiou ainda que no último carnaval, o Banco Master patrocinou um dos camarotes mais caros da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com presença de diversas celebridades. A Polícia Federal aponta que familiares de Daniel Vorcaro (pai, irmã e cunhado) e de João Mansur (filhos) foram utilizados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento, sendo que Vorcaro e Mansur seriam os verdadeiros donos dos negócios.
Em 30 de dezembro de 2025, durante depoimento à delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que a Diretoria de Fiscalização do Banco Central (BC) recomendou a venda de sua instituição ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro negou qualquer "facilitação política" ou fraude no caso, refutando a acusação de que o Master teria vendido carteiras de crédito falsas ao BRB. Ele defendeu que a aquisição seria um bom negócio para o BRB, permitindo à instituição regional crescer e competir nacionalmente, e que a operação fora recomendada por auditorias e pela própria área técnica do BC.
Vorcaro reconheceu a existência de uma crise de liquidez no Banco Master, mas atribuiu-a a mudanças na regulação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à pressão de grandes bancos. Ele argumentou que o plano de negócios do Master desde 2018 era baseado no FGC, e as alterações regulatórias pressionaram a captação do banco. O banqueiro negou repetidamente a existência de uma fraude bancária de R$ 12 bilhões nas operações de venda de créditos ao BRB.
Questionado sobre ter procurado políticos, como o governador Ibaneis Rocha, para viabilizar o negócio com o BRB, Vorcaro negou ter tido "facilitação política". Ele afirmou que, se tivesse tantas relações políticas, a operação não teria sido negada pelo BC, e ele não estaria sob medidas cautelares ou teria sido preso. Admitiu ter se encontrado com Ibaneis Rocha "algumas vezes" devido ao controle indireto do BRB, mas assegurou que as conversas eram estritamente técnicas. Em depoimento à Polícia Federal no final de 2025, Vorcaro admitiu que o Banco Master tinha problemas de liquidez e usava o FGC como modelo de negócio. Ele afirmou que, se tivesse de fato ampla influência no meio político, não estaria preso nem submetido ao uso de tornozeleira eletrônica — em referência às medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Ele também negou estar fugindo ao ser preso no Aeroporto de Guarulhos na noite de 17 de novembro, afirmando que avisou o Banco Central sobre a viagem a Dubai, onde discutia a venda do Master ao grupo Fictor.
Sobre a atuação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, Vorcaro declarou que ele agiu com "diligência normal" até o dia 17 de novembro de 2025, debatendo diariamente os pontos relacionados ao Banco Master, à negociação com o BRB e às carteiras. Em resposta às declarações de Vorcaro, o Banco Central, em nota, afirmou que seu diretor de Fiscalização coordenou a identificação de inconsistências em operações de cessão de carteiras de crédito do Master ao BRB, promovendo "rigorosas investigações" que demonstraram problemas nesses ativos. O BC negou que Aquino tenha recomendado a aquisição de carteiras fraudadas e informou que o diretor colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo.
Em acareação com Paulo Henrique Bezerra, ex-presidente do BRB, Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master não desembolsou nenhum real para adquirir uma carteira de créditos de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno, tratando-se de um registro contábil sem saída efetiva de dinheiro. O ex-presidente do BRB, por sua vez, admitiu que o dinheiro não existia fisicamente, mas que a operação foi mantida para evitar a falência da Tirreno e do Banco Master.
Embora concentre apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, a liquidação do Master desencadeou tensões entre órgãos públicos. O episódio expôs falhas de fiscalização, uso indevido de fundos e pressão nas instituições. O escândalo levanta dúvidas sobre auditorias, agências de rating, que atestavam a saúde financeira do Master, e os limites da supervisão financeira. O caso deve tornar-se referência para mudanças regulatórias e para o debate sobre governança no mercado financeiro.
Em 27 de janeiro de 2026, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que não ficará de "braços cruzados" caso tenha de avaliar questionamentos sobre a investigação envolvendo o Banco Master, sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Fachin ressaltou que pode agir na investigação se considerar necessário, "doa a quem doer". A atuação de Toffoli no caso é alvo de diversos pedidos de suspeição apresentados por partidos e parlamentares, que alegam impedimento do ministro em razão de diferentes graus de proximidade e relação entre sua família e alguns dos investigados. Foi revelado que dois irmãos de Toffoli já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e principal investigado. Fachin defendeu a nota institucional divulgada pela presidência do STF em apoio a Toffoli, justificando a defesa da regularidade da atuação jurisdicional durante o recesso. O ministro também defendeu a adoção de um código de conduta para ministros, apesar da resistência de alguns membros da Corte, argumentando que a medida fortalece a instituição e aumenta a confiança da população. Fachin explicou que o Judiciário é alvo de ataques por seu papel de controle sobre os demais Poderes, por ser um poder sem armas ou força material própria, e por proteger direitos fundamentais e minorias.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025, investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões. A investigação, que teve início na primeira instância da Justiça Federal, foi remetida ao STF após a citação de um deputado federal, o que atraiu a prerrogativa de foro. O inquérito é supervisionado pelo STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Entre os principais investigados estão:
Em 27 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) adiou os depoimentos de Robério Cesar Bonfim Mangueira, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima no inquérito do STF. Os depoimentos, que ocorreriam nas instalações do Supremo, foram suspensos após as defesas dos três acusados informarem que não tiveram acesso aos autos das investigações. Ainda não foi marcada nova data para os depoimentos. O único investigado ouvido neste dia foi Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master, que respondeu a todas as perguntas dos investigadores e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.