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Caso Banco Master
Adicionado evento de 24/01/2026 sobre o depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal, mencionando sua relação com Ibaneis Rocha e a admissão de problemas de liquidez do Banco Master.
O Banco Master é uma instituição financeira brasileira que, em 18 de novembro de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC). A decisão do BC foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira e de liquidez do banco, bem como por infrações às normas bancárias. Em janeiro de 2026, revelou-se que o BC enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia detalhando um esquema de fraude de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, envolvendo a inflação artificial de ativos para simular solvência. Em 23 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estimou que o golpe do Banco Master seria de mais de R$ 40 bilhões, a ser pago por bancos via Fundo Garantidor de Crédito. A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco, com um liquidante assumindo o controle para vender bens e pagar credores. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante com amplos poderes, e os bens da controladora e dos administradores do banco foram bloqueados. O caso gerou questionamentos por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do Banco Central no processo. Em 8 de janeiro de 2026, o relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, suspendeu temporariamente a fiscalização presencial no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master e submeteu a decisão ao plenário para análise colegiada. Uma análise preliminar de técnicos do TCU, realizada antes da determinação da inspeção in loco, constatou que o BC agiu corretamente na situação. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a auditoria da Corte concluirá que o BC teve razão técnica ao decretar a liquidação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será o responsável pelo ressarcimento dos credores. O FGC planeja iniciar os pagamentos aos investidores com CDBs do Banco Master na semana de 13 de janeiro de 2026, com um volume total estimado em R$ 41 bilhões, beneficiando cerca de 1,6 milhão de pessoas físicas. A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC, representando um terço do caixa do fundo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como a possível "maior fraude bancária" do país. O pagamento aos clientes, no entanto, depende da consolidação da lista de credores pelo liquidante, o que ainda não havia sido feito dois meses após a liquidação. Além disso, 18 fundos de pensões estaduais e municipais que investiram R$ 1,86 bilhão em fundos do Master e em Letras Financeiras não serão ressarcidos, pois esses investimentos não são cobertos pelo FGC.
O Banco Master enfrentava desafios financeiros, incluindo um alto custo de captação e investimentos de alto risco. Investigações do Banco Central apontaram que, entre julho de 2023 e julho de 2024, a instituição realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões em desacordo com princípios de seletividade e liquidez. O esquema envolvia fundos administrados pela Reag DTVM, empresa investigada na Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia dos combustíveis.
Segundo o BC, a fraude operava em um ciclo: o banco concedia empréstimos a empresas que aplicavam os recursos em fundos; estes fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores superfaturados (como títulos de R$ 100 negociados por R$ 1.000); e os recursos retornavam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores. Essa manobra servia para simular aportes de capital exigidos pelo regulador e esconder a real situação de insolvência. Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações, emprestando recursos a empresas supostamente laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos. Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, onde o dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até chegar aos beneficiários finais. Além disso, a Polícia Federal estima que as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de retornos irreais, até 40% acima da taxa básica de mercado. Para adiar a inadimplência, o banco concedia empréstimos com carência de até cinco anos e utilizava novos CDBs para pagar investidores antigos, caracterizando um esquema Ponzi (pirâmide financeira). O Master chegou a oferecer CDBs de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um nível considerado insustentável. Com as primeiras suspeitas sobre a credibilidade do banco em 2024, a captação secou e o caixa entrou em colapso. Em 15 de janeiro de 2026, a investigação sobre as fraudes do Banco Master revelou o uso da Clínica Mais Médicos S.A. para desviar dinheiro. A empresa emitiu R$ 361.147.355,00 em notas comerciais sem garantias, apesar de ter capital social integralizado zero e uma receita operacional bruta anual (R$ 54.079,64 em 2023) que era mais de 6.500 vezes menor que o valor da dívida, indicando uma alavancagem incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica. A presidente da Clínica Mais Médicos S.A., Valdenice Pantaleão, é apontada como "laranja" e recebia auxílio emergencial. Fernando Alves Vieira, procurador de Valdenice, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro.
Tentativas de venda da instituição ao BRB e à Fictor Holding não foram concretizadas devido a riscos de sucessão e à decretação da liquidação. Em 6 de abril de 2025, uma reunião no Banco Central discutiu soluções para a aquisição do Banco Master pelo BRB, com propostas envolvendo o BTG Pactual e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação, avaliada em R$ 2 bilhões, visava resolver o descasamento de liquidez do Banco Master, que possuía ativos de baixa liquidez como precatórios. A situação gerou preocupações no mercado financeiro e levou a Fitch Ratings a colocar os ratings do BRB e do Banco Master em observação. Em busca de liquidez, o Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno, uma operação que existia apenas contabilmente, sem pagamento ou crédito real. O BC analisou os CPFs da carteira e concluiu que as operações não existiam. A mesma carteira foi revendida ao BRB por R$ 12 bilhões após manipulação da taxa de juros. Em setembro de 2025, o Banco Central barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB, pois a proposta de venda, segundo a investigação, buscava fundir balanços e diluir a fraude em um banco público. Negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) totalizaram R$ 12,2 bilhões, especificamente na venda de falsas carteiras de crédito consignado. Embora o Banco Central tenha determinado o desfazimento das operações irregulares, investigadores da Polícia Federal e fiscais do BC estimam que um prejuízo superior a R$ 4 bilhões pode ter sido gerado ao BRB. Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro negou ter causado qualquer prejuízo ao BRB, enquanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público conseguiu reverter a maior parte das operações, mas que um saldo de R$ 2 bilhões não foi recuperado. Na manhã da intervenção, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando tentava viajar para a Europa em um avião particular, sendo solto dias depois. Em 8 de janeiro de 2026, Vorcaro recorreu ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida para tentar impedir o reconhecimento da liquidação nos EUA, alegando possibilidade de reversão no Brasil. Contudo, o TCU descartou reverter a medida administrativa. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em uma tentativa de mediar o impasse institucional e as controvérsias entre os órgãos de controle e o governo federal. Em 12 de janeiro de 2026, ministros do TCU expressaram o desejo de se distanciar do caso Master, avaliando que o tribunal se envolveu de forma equivocada ao focar na investigação da liquidação em vez das fraudes. Há uma expectativa de que o plenário do TCU não aprove uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Banco Master, dadas as polêmicas políticas e a investigação em curso pela Polícia Federal.
Em 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a demora e a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços de Daniel Vorcaro, seu pai, irmã e cunhado, Fabiano Campos Zettel, além de Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos. Foram bloqueados mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho, sendo liberado após a apreensão de seu celular para perícia. Mandados também foram cumpridos em dois imóveis de Zettel, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agentes da PF suspeitam de vazamento de informações, pois Zettel e o investidor Nelson Tanure foram encontrados em aeroportos na véspera da operação. Tanure foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e teve seu celular apreendido. Durante esta fase da operação, a PF apreendeu bens como carros importados, relógios de luxo e outros itens de valor, além de R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie, em endereços ligados aos investigados. A investigação detectou captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes. A apreensão do celular de Daniel Vorcaro gerou "pânico" nos bastidores de Brasília. A operação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli e sob sigilo no STF, busca aprofundar a investigação sobre a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter provocado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões, e apurar o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passear por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. A PF quer saber onde recursos tomados como empréstimo no banco foram parar por meio de um passeio por vários fundos, identificando empréstimos milionários tomados por empresas com capital de apenas R$ 5 mil, usados para comprar ativos podres e que tiveram como destino final laranjas do esquema. A Polícia Federal também apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central. Daniel Vorcaro, por meio de sua defesa, afirmou ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito", reiterando que tem colaborado com as autoridades. No mesmo dia, 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou que o material probatório obtido pela Polícia Federal no caso Vorcaro seja lacrado e armazenado na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação. Toffoli reclamou da demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento das ordens judiciais. Investigadores da PF, no entanto, alertam que essa medida pode resultar na perda das provas coletadas, pois não poderão periciar o material. O gabinete do ministro do STF afirmou que "o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes". Ainda em , o ministro Toffoli autorizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a analisar os materiais apreendidos na investigação envolvendo o Banco Master, após um pedido de reconsideração do procurador-geral da República. A na investigação. O caso Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional, com a liquidação pelo BC sendo questionada, mas a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária diante das fraudes detectadas. A investigação possui escopo mais amplo, focando na gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
Em 15 de janeiro de 2026, a Polícia Federal alegou que o prazo estabelecido pelo ministro Dias Toffoli para a operação que mirou o Banco Master pode atrapalhar os trabalhos investigativos. A PF manifestou preocupação com a interferência judicial nos trabalhos, após Toffoli criticar a corporação por suposta 'inércia' e 'falta de empenho' na apuração. Posteriormente, Toffoli determinou que o material apreendido fique na Procuradoria-Geral da República. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu junto a Toffoli que a decisão de lacrar e armazenar bens apreendidos no STF pode causar prejuízos irreparáveis à investigação, pedindo a reconsideração para permitir a análise imediata de dados de equipamentos como celulares. Rodrigues argumentou que, por questões operacionais, não foi possível cumprir os mandados em 24 horas, como determinado por Toffoli, e que o acesso rápido a equipamentos eletrônicos é crucial para evitar a perda ou bloqueio de provas. No mesmo dia, o ministro Dias Toffoli autorizou a Polícia Federal a periciar os 39 celulares e 31 computadores apreendidos na Operação Compliance Zero, restringindo o acesso a quatro peritos da corporação (Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schreppel Delmutti), com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República. Toffoli havia determinado inicialmente que as provas fossem lacradas no STF, mas reconsiderou após pedidos da PF e PGR, que temiam prejuízos à investigação. Também em 15 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli retirou o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (novo nome da Reag Trust DTVM), empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos, por descumprimento de regras legais e prudenciais. A Reag também é investigada na Operação Compliance Zero. A liquidação da gestora é vista como um desdobramento direto do caso Master.
Em 16 de janeiro de 2026, uma empresária de 29 anos, moradora de Rosário do Sul (RS), que foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, negou qualquer ligação com o esquema de fraudes e suspeita que teve seu CPF clonado. Segundo seu advogado, o mandado foi cumprido em um imóvel alugado em Santa Maria, e ela não estava presente no momento da diligência. A defesa afirmou que verificará as movimentações financeiras da cliente para comprovar que não houve recebimento de valores ilícitos e investigará a possibilidade de golpe ou clonagem de dados. O advogado não soube informar se algum objeto foi apreendido. Também em 16 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli solicitou que a Polícia Federal apresente um novo cronograma de depoimentos e reduziu de cinco para dois dias o tempo para os agentes ouvirem os investigados no caso Master. A decisão de Toffoli de indicar nominalmente os peritos para atuar no caso, sem consultar a direção da PF, gerou forte mal-estar na corporação, que considerou a medida incomum e uma intervenção em sua autonomia administrativa. A PF apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central, que tem sido alvo de ataques digitais. A Polícia Federal, em 16 de janeiro de 2026, apontou que as investigações do "Caso Master" indicam um "risco sistêmico" ao sistema financeiro. Os relatórios da PF mencionam que empresas com capital social "ínfimo" cediam "direitos creditórios milionários" e que houve uma "transferência suspeita" para o pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em 19 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) buscou apoio da Procuradoria Geral da República (PGR) para dar continuidade às investigações do caso Master, após o ministro Dias Toffoli tomar medidas para controlar os procedimentos. A cúpula da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tiveram um encontro classificado como "ótimo" para acertar os procedimentos. A PGR defendeu que o material apreendido ficasse com a PF, mas Toffoli decidiu entregá-lo ao procurador-geral da República, inicialmente em seu gabinete, mas depois na PGR devido a críticas e inviabilidade técnica do STF. A PF reclama da exclusão na análise dos celulares e da decisão de Toffoli de realizar os depoimentos dos investigados no STF, em vez de na própria PF. O ministro encurtou o prazo para a PF colher depoimentos de cinco para dois dias, alegando dificuldades de agenda e salas no Supremo. Contudo, a prorrogação do inquérito por mais 60 dias trouxe alívio aos investigadores.
Em 23 de janeiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Barco de Papel no Rio de Janeiro, investigando operações financeiras irregulares entre o Banco Master e a Rioprevidência. O fundo de previdência do estado do Rio de Janeiro teria aplicado R$ 970 milhões no Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024. A Rioprevidência, no entanto, negou qualquer irregularidade, informando que os investimentos estão resguardados por uma decisão judicial de dezembro de 2025, que determinou a retenção do dinheiro acrescido de juros e correção monetária em benefício da instituição. A Rioprevidência afirmou que o investimento está em fase de quitação, com a retenção de valores decorrentes de empréstimos consignados que seriam repassados ao Banco Master, e que os recursos estão à disposição do caixa previdenciário, com liquidação prevista em cerca de dois anos.
Em 23 de janeiro de 2026, o prédio corporativo 830 Brickell Plaza em Miami, nos Estados Unidos, entrou com uma ação de despejo contra o Banco Master na Justiça estadual do condado de Miami-Dade. A ação alega inadimplência do aluguel desde setembro de 2025. O Banco Master havia assinado um contrato em julho de 2024 para pagar cerca de US$ 58 milhões (R$ 307 milhões) em aluguéis ao longo de dez anos pelo espaço em dois andares do edifício, conhecido por ser o mais caro entre os prédios corporativos de Miami. No entanto, o banco nunca chegou a adaptar ou ocupar o espaço e deixou de pagar o aluguel mensal de US$ 423.320 (R$ 2,24 milhões) a partir de setembro de 2025. Advogados do Banco Master pediram ao tribunal que o processo de despejo seja suspenso, argumentando que o caso de recuperação judicial do banco tramita simultaneamente no Brasil e em Miami. O proprietário do prédio rescindiu o contrato pouco depois da prisão de Daniel Vorcaro e retirou o nome do Banco Master das placas externas do edifício. Este episódio marca mais um capítulo da derrocada do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro, que tinha planos ambiciosos de expansão nos Estados Unidos antes de sua prisão. O Banco Master também buscava endereços de prestígio em outras cidades, como São Paulo, onde estava sediado no mesmo edifício que o Banco BTG Pactual e a Alphabet, e em Londres, onde considerava alugar escritórios de luxo no 22 Bishopsgate no final de 2024, plano que foi suspenso.
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e sua liquidação colocaram em evidência as amplas conexões de Daniel Vorcaro no mundo político e jurídico. Até o momento, nenhuma ilegalidade foi apontada nessas conexões, mas o caso segue em investigação sob sigilo no STF.
Conexões políticas:
Conexões jurídicas:
A investigação sobre as fraudes do Banco Master, conduzida pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, tem sido marcada por uma série de conflitos e intervenções judiciais, especialmente por parte do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 19 de janeiro de 2026, a PF buscou apoio da Procuradoria Geral da República (PGR) para dar continuidade aos procedimentos investigativos, após Toffoli tomar medidas para controlar as investigações. A cúpula da PF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tiveram um encontro considerado "ótimo" para acertar os procedimentos. O relacionamento entre PF e PGR tornou-se crucial, especialmente após Toffoli determinar que os telefones celulares e computadores apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero ficassem sob custódia da procuradoria. Inicialmente, o ministro havia ordenado que o material ficasse em seu gabinete, mas mudou de posição após críticas e a inviabilidade técnica do STF para extrair o conteúdo dos equipamentos. A PGR chegou a defender que o material ficasse com a Polícia Federal, prática usual em todas as investigações. A PF tem reclamado das tentativas de Toffoli de controlar o inquérito, incluindo a exclusão da corporação na extração e análise do material dos celulares, informações consideradas essenciais para as investigações. A cúpula da PF também não concorda com a decisão de Toffoli de realizar os depoimentos dos investigados do caso Master no STF, sendo que o caminho natural é fazer essas oitivas na Polícia Federal. Na semana anterior, o ministro encurtou o prazo para a PF colher depoimentos de investigados de cinco para dois dias, alegando dificuldades de agenda e salas no Supremo Tribunal. Apesar das dificuldades e das investidas de Toffoli contra a PF, a prorrogação do inquérito por mais 60 dias trouxe alívio para os investigadores.
Em 23 de janeiro de 2026, o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos, negou ter recomendado ao BRB a compra de carteiras fraudadas do Banco Master. Essa declaração veio após uma reportagem da jornalista Malu Gaspar alegar que Aquino havia pedido ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que comprasse créditos do Master. Em defesa do executivo, o Banco Central divulgou uma nota afirmando que a área de Supervisão, sob comando de Ailton, foi a responsável por identificar inconsistências e investigar as operações do Banco Master, além de comunicar os ilícitos criminais ao Ministério Público Federal. A nota também ressaltou que foi o diretor Ailton quem propôs a liquidação do Master e que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos adquiridos é de cada instituição financeira, que deve manter seus próprios controles internos. Ailton de Aquino Santos colocou à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) suas informações bancárias, fiscais e os registros das conversas que realizou com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo.
Em 23 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia em Maceió, Alagoas, criticou veementemente a defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando que "falta vergonha na cara" a quem o defende. Sem citar nominalmente Vorcaro, Lula se referiu a ele como o responsável por um "golpe de mais de R$ 40 bilhões" que, segundo o presidente, será pago por grandes bancos como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú, através do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Natural de Belo Horizonte, o banqueiro Daniel Vorcaro, de 42 anos, vem de uma família de classe média alta do setor da construção civil. No final da década passada, ele assumiu o controle do banco Maxima, fundado nos anos 1970, e o rebatizou como Banco Master. Vorcaro chamou atenção no mercado financeiro por uma estratégia de negócios considerada ousada: em vez de captar a maior parte de seu dinheiro com correntistas e emprestar, o Banco Master se concentrou em oferecer CDBs com taxas de juros muito acima das praticadas no mercado. Ao longo de sua trajetória econômica, Vorcaro estabeleceu ligações com políticos tanto da direita quanto da esquerda brasileira. Em entrevista à revista Piauí em outubro de 2025, Vorcaro atacou os críticos de seu modelo, afirmando ser vítima de preconceito por suas origens empresariais estarem fora do mercado financeiro e que "não é só preconceito. São pessoas que querem nos frear e ficam usando coisas ruins contra nós. É um ataque desnecessário." Vorcaro também ficou conhecido por grandes gastos e por ostentar uma vida de luxo. Em 2003, junto com outros sócios, ele comprou o hotel de luxo Fasano Itaim, posteriormente vendido. Em 2023, ele teria gasto R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha, com apresentação dos DJs The Chainsmokers e Alok. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Vorcaro adquiriu 27% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube Atlético Mineiro. A revista Piauí noticiou ainda que no último carnaval, o Banco Master patrocinou um dos camarotes mais caros da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com presença de diversas celebridades. A Polícia Federal aponta que familiares de Daniel Vorcaro (pai, irmã e cunhado) e de João Mansur (filhos) foram utilizados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento, sendo que Vorcaro e Mansur seriam os verdadeiros donos dos negócios.
Em 30 de dezembro de 2025, durante depoimento à delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que a Diretoria de Fiscalização do Banco Central (BC) recomendou a venda de sua instituição ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro negou qualquer "facilitação política" ou fraude no caso, refutando a acusação de que o Master teria vendido carteiras de crédito falsas ao BRB. Ele defendeu que a aquisição seria um bom negócio para o BRB, permitindo à instituição regional crescer e competir nacionalmente, e que a operação fora recomendada por auditorias e pela própria área técnica do BC.
Vorcaro reconheceu a existência de uma crise de liquidez no Banco Master, mas atribuiu-a a mudanças na regulação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à pressão de grandes bancos. Ele argumentou que o plano de negócios do Master desde 2018 era baseado no FGC, e as alterações regulatórias pressionaram a captação do banco. O banqueiro negou repetidamente a existência de uma fraude bancária de R$ 12 bilhões nas operações de venda de créditos ao BRB.
Questionado sobre ter procurado políticos, como o governador Ibaneis Rocha, para viabilizar o negócio com o BRB, Vorcaro negou ter tido "facilitação política". Ele afirmou que, se tivesse tantas relações políticas, a operação não teria sido negada pelo BC, e ele não estaria sob medidas cautelares ou teria sido preso. Admitiu ter se encontrado com Ibaneis Rocha "algumas vezes" devido ao controle indireto do BRB, mas assegurou que as conversas eram estritamente técnicas. Em depoimento à Polícia Federal no final de 2025, Vorcaro admitiu que o Banco Master tinha problemas de liquidez e usava o FGC como modelo de negócio. Ele afirmou que, se tivesse de fato ampla influência no meio político, não estaria preso nem submetido ao uso de tornozeleira eletrônica — em referência às medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Sobre a atuação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, Vorcaro declarou que ele agiu com "diligência normal" até o dia 17 de novembro de 2025, debatendo diariamente os pontos relacionados ao Banco Master, à negociação com o BRB e às carteiras. Em resposta às declarações de Vorcaro, o Banco Central, em nota, afirmou que seu diretor de Fiscalização coordenou a identificação de inconsistências em operações de cessão de carteiras de crédito do Master ao BRB, promovendo "rigorosas investigações" que demonstraram problemas nesses ativos. O BC negou que Aquino tenha recomendado a aquisição de carteiras fraudadas e informou que o diretor colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando ao sigilo.
Embora concentre apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, a liquidação do Master desencadeou tensões entre órgãos públicos. O episódio expôs falhas de fiscalização, uso indevido de fundos e pressão nas instituições. O escândalo levanta dúvidas sobre auditorias, agências de rating, que atestavam a saúde financeira do Master, e os limites da supervisão financeira. O caso deve tornar-se referência para mudanças regulatórias e para o debate sobre governança no mercado financeiro.