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Caso Banco Master
Adicionado evento de 15/01/2026 sobre a criação de um grupo de trabalho no Senado para acompanhar as investigações do Banco Master.
O Banco Master é uma instituição financeira brasileira que, em 18 de novembro de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC). A decisão do BC foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira e de liquidez do banco, bem como por infrações às normas bancárias. Em janeiro de 2026, revelou-se que o BC enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia detalhando um esquema de fraude de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, envolvendo a inflação artificial de ativos para simular solvência. A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco, com um liquidante assumindo o controle para vender bens e pagar credores. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante com amplos poderes, e os bens da controladora e dos administradores do banco foram bloqueados. O caso gerou questionamentos por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do Banco Central no processo. Em 8 de janeiro de 2026, o relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, suspendeu temporariamente a fiscalização presencial no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master e submeteu a decisão ao plenário para análise colegiada. Uma análise preliminar de técnicos do TCU, realizada antes da determinação da inspeção in loco, constatou que o BC agiu corretamente na situação. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a auditoria da Corte concluirá que o BC teve razão técnica ao decretar a liquidação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será o responsável pelo ressarcimento dos credores. O FGC planeja iniciar os pagamentos aos investidores com CDBs do Banco Master na semana de 13 de janeiro de 2026, com um volume total estimado em R$ 41 bilhões, beneficiando cerca de 1,6 milhão de pessoas físicas. A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC, representando um terço do caixa do fundo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como a possível "maior fraude bancária" do país.
O Banco Master enfrentava desafios financeiros, incluindo um alto custo de captação e investimentos de alto risco. Investigações do Banco Central apontaram que, entre julho de 2023 e julho de 2024, a instituição realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões em desacordo com princípios de seletividade e liquidez. O esquema envolvia fundos administrados pela Reag DTVM, empresa investigada na Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia dos combustíveis.
Segundo o BC, a fraude operava em um ciclo: o banco concedia empréstimos a empresas que aplicavam os recursos em fundos; estes fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores superfaturados (como títulos de R$ 100 negociados por R$ 1.000); e os recursos retornavam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores. Essa manobra servia para simular aportes de capital exigidos pelo regulador e esconder a real situação de insolvência. Além disso, a Polícia Federal estima que as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de retornos irreais, até 40% acima da taxa básica de mercado. Em 15 de janeiro de 2026, a investigação sobre as fraudes do Banco Master revelou o uso da Clínica Mais Médicos S.A. para desviar dinheiro. A empresa emitiu R$ 361.147.355,00 em notas comerciais sem garantias, apesar de ter capital social integralizado zero e uma receita operacional bruta anual (R$ 54.079,64 em 2023) que era mais de 6.500 vezes menor que o valor da dívida, indicando uma alavancagem incompatível com qualquer parâmetro de viabilidade econômica. A presidente da Clínica Mais Médicos S.A., Valdenice Pantaleão, é apontada como "laranja" e recebia auxílio emergencial. Fernando Alves Vieira, procurador de Valdenice, possui vínculos com familiares de sócios do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro.
Tentativas de venda da instituição ao BRB e à Fictor Holding não foram concretizadas devido a riscos de sucessão e à decretação da liquidação. Em 6 de abril de 2025, uma reunião no Banco Central discutiu soluções para a aquisição do Banco Master pelo BRB, com propostas envolvendo o BTG Pactual e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação, avaliada em R$ 2 bilhões, visava resolver o descasamento de liquidez do Banco Master, que possuía ativos de baixa liquidez como precatórios. A situação gerou preocupações no mercado financeiro e levou a Fitch Ratings a colocar os ratings do BRB e do Banco Master em observação. Negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) totalizaram R$ 12,2 bilhões, especificamente na venda de falsas carteiras de crédito consignado. Embora o Banco Central tenha determinado o desfazimento das operações irregulares, investigadores da Polícia Federal e fiscais do BC estimam que um prejuízo superior a R$ 4 bilhões pode ter sido gerado ao BRB. Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro negou ter causado qualquer prejuízo ao BRB, enquanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público conseguiu reverter a maior parte das operações, mas que um saldo de R$ 2 bilhões não foi recuperado. Na manhã da intervenção, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando tentava viajar para a Europa em um avião particular, sendo solto dias depois. Em 8 de janeiro de 2026, Vorcaro recorreu ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida para tentar impedir o reconhecimento da liquidação nos EUA, alegando possibilidade de reversão no Brasil. Contudo, o TCU descartou reverter a medida administrativa. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em uma tentativa de mediar o impasse institucional e as controvérsias entre os órgãos de controle e o governo federal. Em 12 de janeiro de 2026, ministros do TCU expressaram o desejo de se distanciar do caso Master, avaliando que o tribunal se envolveu de forma equivocada ao focar na investigação da liquidação em vez das fraudes. Há uma expectativa de que o plenário do TCU não aprove uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Banco Master, dadas as polêmicas políticas e a investigação em curso pela Polícia Federal.
Em 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a demora e a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Nesta fase, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em endereços de Daniel Vorcaro, seu pai, irmã e cunhado, Fabiano Campos Zettel, além de Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos. Foram bloqueados mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho, sendo liberado após a apreensão de seu celular para perícia. Mandados também foram cumpridos em dois imóveis de Zettel, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agentes da PF suspeitam de vazamento de informações, pois Zettel e o investidor Nelson Tanure foram encontrados em aeroportos na véspera da operação. Tanure foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e teve seu celular apreendido. Durante esta fase da operação, a PF apreendeu bens como carros importados, relógios de luxo e outros itens de valor, além de R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie, em endereços ligados aos investigados. A investigação detectou captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes. A apreensão do celular de Daniel Vorcaro gerou "pânico" nos bastidores de Brasília. A operação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli e sob sigilo no STF, busca aprofundar a investigação sobre a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter provocado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões, e apurar o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passear por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. A PF quer saber onde recursos tomados como empréstimo no banco foram parar por meio de um passeio por vários fundos, identificando empréstimos milionários tomados por empresas com capital de apenas R$ 5 mil, usados para comprar ativos podres e que tiveram como destino final laranjas do esquema. A Polícia Federal também apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central. Daniel Vorcaro, por meio de sua defesa, afirmou ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito", reiterando que tem colaborado com as autoridades. No mesmo dia, 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do STF, determinou que o material probatório obtido pela Polícia Federal no caso Vorcaro seja lacrado e armazenado na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação. Toffoli reclamou da demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento das ordens judiciais. Investigadores da PF, no entanto, alertam que essa medida pode resultar na perda das provas coletadas, pois não poderão periciar o material. O gabinete do ministro do STF afirmou que "o acautelamento imediato tem por finalidade a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial e serão devidamente periciadas pelas autoridades competentes". Ainda em , o ministro Toffoli autorizou a Procuradoria-Geral da República (PGR) a analisar os materiais apreendidos na investigação envolvendo o Banco Master, após um pedido de reconsideração do procurador-geral da República. A na investigação. O caso Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional, com a liquidação pelo BC sendo questionada, mas a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária diante das fraudes detectadas. A investigação possui escopo mais amplo, focando na gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.
Em 15 de janeiro de 2026, a Polícia Federal alegou que o prazo estabelecido pelo ministro Dias Toffoli para a operação que mirou o Banco Master pode atrapalhar os trabalhos investigativos. A PF manifestou preocupação com a interferência judicial nos trabalhos, após Toffoli criticar a corporação por suposta 'inércia' e 'falta de empenho' na apuração. Posteriormente, Toffoli determinou que o material apreendido fique na Procuradoria-Geral da República. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu junto a Toffoli que a decisão de lacrar e armazenar bens apreendidos no STF pode causar prejuízos irreparáveis à investigação, pedindo a reconsideração para permitir a análise imediata de dados de equipamentos como celulares. Rodrigues argumentou que, por questões operacionais, não foi possível cumprir os mandados em 24 horas, como determinado por Toffoli, e que o acesso rápido a equipamentos eletrônicos é crucial para evitar a perda ou bloqueio de provas. No mesmo dia, o ministro Dias Toffoli autorizou a Polícia Federal a periciar os 39 celulares e 31 computadores apreendidos na Operação Compliance Zero, restringindo o acesso a quatro peritos da corporação (Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schreppel Delmutti), com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República. Toffoli havia determinado inicialmente que as provas fossem lacradas no STF, mas reconsiderou após pedidos da PF e PGR, que temiam prejuízos à investigação. Também em 15 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli retirou o sigilo da decisão que autorizou a segunda fase da Operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (novo nome da Reag Trust DTVM), empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos, por descumprimento de regras legais e prudenciais. A Reag também é investigada na Operação Compliance Zero.
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e sua liquidação colocaram em evidência as amplas conexões de Daniel Vorcaro no mundo político e jurídico. Até o momento, nenhuma ilegalidade foi apontada nessas conexões, mas o caso segue em investigação sob sigilo no STF.
Conexões políticas:
Conexões jurídicas:
Natural de Belo Horizonte, o banqueiro Daniel Vorcaro, de 42 anos, vem de uma família de classe média alta do setor da construção civil. No final da década passada, ele assumiu o controle do banco Maxima, fundado nos anos 1970, e o rebatizou como Banco Master. Vorcaro chamou atenção no mercado financeiro por uma estratégia de negócios considerada ousada: em vez de captar a maior parte de seu dinheiro com correntistas e emprestar, o Banco Master se concentrou em oferecer CDBs com taxas de juros muito acima das praticadas no mercado. Ao longo de sua trajetória econômica, Vorcaro estabeleceu ligações com políticos tanto da direita quanto da esquerda brasileira. Em entrevista à revista Piauí em outubro de 2025, Vorcaro atacou os críticos de seu modelo, afirmando ser vítima de preconceito por suas origens empresariais estarem fora do mercado financeiro e que "não é só preconceito. São pessoas que querem nos frear e ficam usando coisas ruins contra nós. É um ataque desnecessário." Vorcaro também ficou conhecido por grandes gastos e por ostentar uma vida de luxo. Em 2003, junto com outros sócios, ele comprou o hotel de luxo Fasano Itaim, posteriormente vendido. Em 2023, ele teria gasto R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha, com apresentação dos DJs The Chainsmokers e Alok. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Vorcaro adquiriu 27% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube Atlético Mineiro. A revista Piauí noticiou ainda que no último carnaval, o Banco Master patrocinou um dos camarotes mais caros da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com presença de diversas celebridades. A Polícia Federal aponta que familiares de Daniel Vorcaro (pai, irmã e cunhado) e de João Mansur (filhos) foram utilizados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento, sendo que Vorcaro e Mansur seriam os verdadeiros donos dos negócios.