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Caso Banco Master
Adicionado evento de 14/01/2026 sobre a segunda fase da Operação Compliance Zero, com detalhes sobre mandados, bloqueio de bens, novos alvos e declarações de Daniel Vorcaro.
O Banco Master é uma instituição financeira brasileira que, em 18 de novembro de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC). A decisão do BC foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira e de liquidez do banco, bem como por infrações às normas bancárias. Em janeiro de 2026, revelou-se que o BC enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia detalhando um esquema de fraude de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, envolvendo a inflação artificial de ativos para simular solvência. A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco, com um liquidante assumindo o controle para vender bens e pagar credores. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante com amplos poderes, e os bens da controladora e dos administradores do banco foram bloqueados. O caso gerou questionamentos por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do Banco Central no processo. Em 8 de janeiro de 2026, o relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, suspendeu temporariamente a fiscalização presencial no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master e submeteu a decisão ao plenário para análise colegiada. Uma análise preliminar de técnicos do TCU, realizada antes da determinação da inspeção in loco, constatou que o BC agiu corretamente na situação. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a auditoria da Corte concluirá que o BC teve razão técnica ao decretar a liquidação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será o responsável pelo ressarcimento dos credores. O FGC planeja iniciar os pagamentos aos investidores com CDBs do Banco Master na semana de 13 de janeiro de 2026, com um volume total estimado em R$ 41 bilhões, beneficiando cerca de 1,6 milhão de pessoas físicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como a possível "maior fraude bancária" do país.
O Banco Master enfrentava desafios financeiros, incluindo um alto custo de captação e investimentos de alto risco. Investigações do Banco Central apontaram que, entre julho de 2023 e julho de 2024, a instituição realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões em desacordo com princípios de seletividade e liquidez. O esquema envolvia fundos administrados pela Reag DTVM, empresa investigada na Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia dos combustíveis.
Segundo o BC, a fraude operava em um ciclo: o banco concedia empréstimos a empresas que aplicavam os recursos em fundos; estes fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores superfaturados (como títulos de R$ 100 negociados por R$ 1.000); e os recursos retornavam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores. Essa manobra servia para simular aportes de capital exigidos pelo regulador e esconder a real situação de insolvência. Além disso, a Polícia Federal estima que as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de retornos irreais, até 40% acima da taxa básica de mercado.
Tentativas de venda da instituição ao BRB e à Fictor Holding não foram concretizadas devido a riscos de sucessão e à decretação da liquidação. Em 6 de abril de 2025, uma reunião no Banco Central discutiu soluções para a aquisição do Banco Master pelo BRB, com propostas envolvendo o BTG Pactual e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A operação, avaliada em R$ 2 bilhões, visava resolver o descasamento de liquidez do Banco Master, que possuía ativos de baixa liquidez como precatórios. A situação gerou preocupações no mercado financeiro e levou a Fitch Ratings a colocar os ratings do BRB e do Banco Master em observação. Negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) totalizaram R$ 12,2 bilhões. Embora o Banco Central tenha determinado o desfazimento das operações irregulares, investigadores da Polícia Federal e fiscais do BC estimam que um prejuízo superior a R$ 4 bilhões pode ter sido gerado ao BRB. Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro negou ter causado qualquer prejuízo ao BRB, enquanto o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa afirmou que o banco público conseguiu reverter a maior parte das operações, mas que um saldo de R$ 2 bilhões não foi recuperado. Na manhã da intervenção, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando tentava viajar para a Europa em um avião particular, sendo solto dias depois. Em 8 de janeiro de 2026, Vorcaro recorreu ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida para tentar impedir o reconhecimento da liquidação nos EUA, alegando possibilidade de reversão no Brasil. Contudo, o TCU descartou reverter a medida administrativa. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em uma tentativa de mediar o impasse institucional e as controvérsias entre os órgãos de controle e o governo federal. Em 12 de janeiro de 2026, ministros do TCU expressaram o desejo de se distanciar do caso Master, avaliando que o tribunal se envolveu de forma equivocada ao focar na investigação da liquidação em vez das fraudes. Há uma expectativa de que o plenário do TCU não aprove uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do Banco Master, dadas as polêmicas políticas e a investigação em curso pela Polícia Federal.
Em 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a demora e a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Nesta fase, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços de Daniel Vorcaro e seus parentes, incluindo seu pai e irmã, além do bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho, sendo liberado após a apreensão de seu celular para perícia. Mandados também foram cumpridos em dois imóveis de Zettel, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Agentes da PF suspeitam de vazamento de informações, pois Zettel e o investidor Nelson Tanure foram encontrados em aeroportos na véspera da operação. Tanure foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e teve seu celular apreendido. O investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também está entre os alvos da operação. A investigação detectou captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e seus parentes. A operação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli e sob sigilo no STF, busca aprofundar a investigação sobre a venda de carteiras de crédito falsas do Master para o BRB, que pode ter provocado um prejuízo ao banco público do governo do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões, e apurar o desvio de recursos do Master por meio de uma intrincada operação que fazia o dinheiro passear por diversos fundos até ser direcionado a laranjas que seriam ligados a Daniel Vorcaro. A PF quer saber onde recursos tomados como empréstimo no banco foram parar por meio de um passeio por vários fundos, identificando empréstimos milionários tomados por empresas com capital de apenas R$ 5 mil, usados para comprar ativos podres e que tiveram como destino final laranjas do esquema. A Polícia Federal também apura pagamentos milionários a influenciadores com o objetivo de desacreditar a atuação do Banco Central. Daniel Vorcaro, por meio de sua defesa, afirmou ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito", reiterando que tem colaborado com as autoridades. O caso Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional, com a liquidação pelo BC sendo questionada, mas a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária diante das fraudes detectadas.