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Caso Banco Master
Adicionado evento de 10/01/2026 sobre o início dos pagamentos do FGC aos investidores com CDBs do Banco Master, incluindo o volume e o número de beneficiários.
O Banco Master é uma instituição financeira brasileira que, em 18 de novembro de 2025, teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC). A decisão do BC foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira e de liquidez do banco, bem como por infrações às normas bancárias. Em janeiro de 2026, revelou-se que o BC enviou ao Ministério Público Federal (MPF) uma denúncia detalhando um esquema de fraude de aproximadamente R$ 11,5 bilhões, envolvendo a inflação artificial de ativos para simular solvência. A liquidação extrajudicial implica o encerramento das atividades do banco, com um liquidante assumindo o controle para vender bens e pagar credores. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante com amplos poderes, e os bens da controladora e dos administradores do banco foram bloqueados. O caso gerou questionamentos por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do Banco Central no processo. Em 8 de janeiro de 2026, o relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, suspendeu temporariamente a fiscalização presencial no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master e submeteu a decisão ao plenário para análise colegiada. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a auditoria da Corte concluirá que o BC teve razão técnica ao decretar a liquidação. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) será o responsável pelo ressarcimento dos credores. O FGC planeja iniciar os pagamentos aos investidores com CDBs do Banco Master na semana de 13 de janeiro de 2026, com um volume total estimado em R$ 41 bilhões, beneficiando cerca de 1,6 milhão de pessoas físicas.
O Banco Master enfrentava desafios financeiros, incluindo um alto custo de captação e investimentos de alto risco. Investigações do Banco Central apontaram que, entre julho de 2023 e julho de 2024, a instituição realizou operações estruturadas de crédito corporate que somaram R$ 11,5 bilhões em desacordo com princípios de seletividade e liquidez. O esquema envolvia fundos administrados pela Reag DTVM, empresa investigada na Operação Carbono Oculto por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a máfia dos combustíveis.
Segundo o BC, a fraude operava em um ciclo: o banco concedia empréstimos a empresas que aplicavam os recursos em fundos; estes fundos compravam ativos de baixíssima liquidez por valores superfaturados (como títulos de R$ 100 negociados por R$ 1.000); e os recursos retornavam ao controle de Daniel Vorcaro e diretores. Essa manobra servia para simular aportes de capital exigidos pelo regulador e esconder a real situação de insolvência.
Tentativas de venda da instituição ao BRB e à Fictor Holding não foram concretizadas devido a riscos de sucessão e à decretação da liquidação. Na manhã da intervenção, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo. Em 8 de janeiro de 2026, Vorcaro recorreu ao Tribunal de Falências do Sul da Flórida para tentar impedir o reconhecimento da liquidação nos EUA, alegando possibilidade de reversão no Brasil. Contudo, o TCU descartou reverter a medida administrativa. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, em uma tentativa de mediar o impasse institucional e as controvérsias entre os órgãos de controle e o governo federal.
Em janeiro de 2026, investigações e relatos de influenciadores digitais expuseram uma campanha coordenada de ataques ao Banco Central, apelidada internamente em alguns contratos como "Projeto DV" (iniciais de Daniel Vorcaro). A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou uma "enxurrada" de postagens críticas ao BC em dezembro de 2025, com indícios de ação orquestrada.
Relatos indicam que as agências Miranda Comunicação (Agência MiThi) e GroupBR atuaram na intermediação de contratos. Um influenciador de São Paulo revelou ter recebido R$ 7.840,00 por uma única postagem em 19 de dezembro de 2025, valor pago pela Miranda Comunicação. O vereador Rony Gabriel (PL-Erechim) relatou ter assinado um contrato com a empresa UNLTD, que previa uma multa de confidencialidade de R$ 800 mil, mas desistiu do acordo ao perceber o objetivo de difamar o Banco Central. A Polícia Federal investiga o dolo e o financiamento da campanha.