Carnaval do Rio de Janeiro
Adicionado evento de 19/01/2026 sobre o repasse de R$ 12 milhões do governo federal para as escolas de samba, incluindo novos atores e a expansão de campanhas sociais.
O Carnaval do Rio de Janeiro é uma das maiores festas populares do Brasil e do mundo, conhecido por seus desfiles de escolas de samba, blocos de rua e pela grande movimentação turística e econômica que gera na cidade. O evento atrai milhões de foliões e tem um impacto financeiro significativo, com previsões de injeção bilionária na economia local. Em um movimento de apoio governamental à cultura e ao turismo, o governo federal destinou R$ 12 milhões para a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), com cada uma das 12 agremiações recebendo R$ 1 milhão. Contudo, a festa também é palco de debates importantes sobre questões sociais, como o racismo e a apropriação cultural, com ativistas e órgãos governamentais buscando promover um carnaval mais inclusivo e respeitoso, e estendendo parcerias para campanhas contínuas de conscientização, como o enfrentamento à violência contra a mulher.
O Carnaval do Rio de Janeiro tem suas raízes em festividades europeias que foram adaptadas e transformadas no Brasil. Ao longo dos séculos, incorporou elementos da cultura africana e indígena, desenvolvendo-se em uma celebração única que combina música, dança, fantasias e desfiles elaborados. Atualmente, a festa é um grande motor econômico para a cidade, com a programação se estendendo por semanas e atraindo um público massivo. O apoio governamental, como o recente repasse de R$ 12 milhões do governo federal para as escolas de samba, reforça a importância cultural e econômica do evento, que é visto como a maior imagem do Brasil no mundo. Apesar de suas raízes e contribuições negras, o carnaval contemporâneo tem sido alvo de críticas por um processo de embranquecimento, que por vezes marginaliza a presença e a estética negra em seus espaços de visibilidade.
O Carnaval do Rio de Janeiro, apesar de sua exuberância, também é palco de importantes discussões sociais. Ativistas e pesquisadores têm levantado questões sobre o racismo estrutural e a apropriação cultural presentes na festa. A página "Samba Abstrato", por exemplo, denuncia o "blackface de cabelo", onde pessoas brancas utilizam perucas ou penteados afro como adereço, equiparando-o a fantasias como "nega maluca" e "indígena", que ridicularizam identidades raciais. Essa prática é vista como uma continuidade do "blackface" histórico, que estereotipava e degradava pessoas negras.
Outra crítica recorrente é o "embranquecimento" da festa, que se manifesta na escolha de mulheres brancas como passistas, por vezes em detrimento de mulheres negras das comunidades, mesmo quando as primeiras não possuem a mesma habilidade no samba. Este processo é interpretado como um "aniquilamento social e cultural" da população negra, negando sua presença e contribuição histórica na construção do carnaval.
Em resposta a essas questões, o Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançou a campanha "Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais", com o objetivo de educar e combater o racismo e a misoginia. A campanha distribui material educativo alertando contra injúrias raciais, fantasias ofensivas e violências simbólicas, e incentiva denúncias através do Disque 100 e da ouvidoria do MIR. Além disso, o Ministério das Mulheres, por meio da ministra Márcia Lopes, busca estabelecer uma parceria contínua com a Liesa para campanhas de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, não apenas durante o período carnavalesco, mas ao longo de todo o ano, reforçando o compromisso com um carnaval mais seguro e respeitoso para todos.