Visão geral
A Cargill é uma empresa global do setor de alimentos e agronegócio que opera terminais portuários no Brasil, incluindo um em Santarém, Pará. A empresa tem sido alvo de protestos e ocupações por manifestantes indígenas e outros grupos, que se opõem à dragagem de rios amazônicos, como o Tapajós, para facilitar o transporte de grãos. Esses atos geraram uma resposta do governo federal, que declarou não tolerar ações violentas e ocupações irregulares, ao mesmo tempo em que acionou órgãos como a Advocacia-Geral da União (AGU) e suspendeu a licitação da dragagem.
Contexto histórico e desenvolvimento
As tensões entre manifestantes e a Cargill em Santarém intensificaram-se em janeiro de 2026, quando bloqueios de caminhões foram iniciados no acesso ao terminal da empresa. Os protestos são motivados pela oposição à dragagem de rios na Amazônia, uma prática que, segundo os manifestantes, foi facilitada pelo Decreto 12.600, assinado em agosto de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este decreto incluiu hidrovias federais como as do Rio Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND), permitindo estudos técnicos e eventual concessão de serviços de navegabilidade, como a dragagem. O governo federal defende a dragagem como uma medida de rotina para garantir o tráfego fluvial em períodos de estiagem. Em fevereiro de 2026, os protestos escalaram para a ocupação do terminal portuário da Cargill, interrompendo suas operações. A Cargill é uma importante exportadora de grãos, tendo embarcado mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho via Santarém no ano anterior.
Linha do tempo
- Agosto de 2025: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina o Decreto 12.600, que inclui hidrovias federais no PND, permitindo estudos para dragagem.
- 22 de janeiro de 2026: Manifestantes iniciam bloqueios de caminhões no acesso ao terminal da Cargill em Santarém, protestando contra a dragagem de rios amazônicos.
- 20 para 21 de fevereiro de 2026: Manifestantes indígenas ocupam o terminal portuário da Cargill em Santarém, interrompendo as operações.
- 22 de fevereiro de 2026: O Ministério dos Portos e Aeroportos emite nota afirmando que o governo federal não tolerará novos atos violentos e ocupações irregulares contra a Cargill, e anuncia medidas como a notificação da Companhia Docas do Pará, o acionamento da AGU e a suspensão da licitação da dragagem.
Principais atores
- Cargill: Empresa global de agronegócio, operadora do terminal portuário em Santarém, alvo dos protestos.
- Governo Federal do Brasil: Por meio do Ministério dos Portos e Aeroportos, emitiu posicionamento contra atos violentos e ocupações, acionou a AGU e suspendeu a licitação da dragagem.
- Manifestantes indígenas: Grupos que lideraram as ocupações e bloqueios, protestando contra a dragagem de rios na Amazônia.
- Companhia Docas do Pará (CDP): Notificada pelo Ministério dos Portos e Aeroportos em relação aos atos.
- Advocacia-Geral da União (AGU): Acionada pelo Ministério dos Portos e Aeroportos para atuar na questão.
- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: Assinou o Decreto 12.600, que é um dos pontos de discórdia dos manifestantes.
Termos importantes
- Dragagem: Processo de remoção de sedimentos do fundo de rios ou canais para aumentar a profundidade e facilitar a navegação. É o principal ponto de controvérsia nos protestos.
- Decreto 12.600: Normativa assinada em agosto de 2025 que incluiu hidrovias federais no Programa Nacional de Desestatização (PND), permitindo estudos para serviços de navegabilidade, como a dragagem.
- PND (Programa Nacional de Desestatização): Programa do governo brasileiro que visa a desestatização de empresas e serviços públicos, incluindo a concessão de infraestruturas como hidrovias.
- Terminal portuário: Instalação em um porto destinada à movimentação e armazenamento de cargas, como o operado pela Cargill em Santarém.
- Rio Tapajós: Rio amazônico no Pará, crucial para o escoamento de grãos e um dos focos da controvérsia sobre a dragagem.