Visão geral
A Caminhada de Nikolas Ferreira foi um protesto realizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em janeiro de 2026. O percurso de 240 km, iniciado em Paracatu (MG) e com destino a Brasília (DF), tinha como objetivo manifestar-se contra a prisão de Jair Bolsonaro e as prisões relacionadas aos eventos de 8 de janeiro, buscando "liberdade e justiça". A Polícia Rodoviária Federal (PRF) notificou o gabinete do deputado sobre os riscos operacionais da caminhada na BR-040, enquanto deputados petistas solicitaram a interrupção do ato, alegando irregularidades e a presença de helicópteros pousando ao lado da rodovia. A caminhada foi concluída em 25 de janeiro de 2026, na Praça do Cruzeiro, em Brasília. No encerramento do evento, um raio atingiu manifestantes, deixando 72 pessoas feridas, o que gerou novas tensões políticas e pedidos de investigação. O Partido Liberal (PL), legenda de Nikolas, divulgou uma nota de apoio à iniciativa, defendendo a liberdade e a democracia.
Contexto histórico e desenvolvimento
A caminhada foi organizada em um contexto de manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e de críticas às prisões decorrentes dos eventos de 8 de janeiro de 2023. Nikolas Ferreira iniciou o percurso no município de Paracatu, Minas Gerais, com a intenção de finalizá-lo em Brasília (DF). O deputado afirmou que a motivação para a caminhada era lutar "pela liberdade e pela justiça", em resposta "às prisões injustas do 8 de janeiro e do ex-presidente Jair Bolsonaro". Ele declarou: "Eu, como deputado federal, junto a outros deputados e senadores, fico com o mesmo sentimento de vocês diante das prisões injustas do 8/1 e a própria prisão do ex-presidente Bolsonaro, em relação a esse governo e ao Supremo Tribunal Federal. Eu tenho orado para que Deus me desse uma ideia sobre o que fazer, vim pensando e chegou o dia. Por isso, decidi caminhar até Brasília em um ato simbólico para poder trazer luz a todos os fatos que estão acontecendo."
Durante o trajeto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) enviou um ofício ao gabinete do deputado, alertando sobre os riscos operacionais identificados na BR-040 e a necessidade de mitigação para garantir a segurança viária. A PRF informou que acompanharia a movimentação para proteger os participantes e demais usuários da rodovia, ressaltando que não houve comunicação prévia do deslocamento, o que impediu o planejamento antecipado de medidas mitigadoras de risco. A equipe de Nikolas Ferreira, no entanto, rebateu a PRF, afirmando que ofícios foram encaminhados à PRF e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no mesmo dia do início da caminhada, comunicando oficialmente o percurso pela BR-040. Segundo a assessoria do deputado, a Secretaria-Executiva da Diretoria de Operações da PRF confirmou o recebimento do ofício e seu cadastramento no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), o que, para eles, configura "comunicação formal dentro das possibilidades concretas do caso". A PRF, por sua vez, reiterou que os riscos se davam pelas características da via (pista simples e acostamento curto em diversos pontos) e por ser a principal rodovia de ligação entre o Distrito Federal e Minas Gerais. A marcha, que teve baixa adesão inicial, ganhou força ao longo da semana, mobilizando apoiadores nas redes sociais.
Em resposta ao protesto, os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) solicitaram à PRF a interrupção da caminhada, alegando que os participantes estavam cometendo crimes ao transitar em acostamentos e na via principal da BR-040 sem autorização prévia de órgãos como o DNIT e a ANTT. Eles também mencionaram o uso de helicópteros para transporte de deputados, com pousos ao lado da rodovia, o que consideraram ilegal e um fator de risco à segurança. Os petistas argumentaram que a conduta dos pilotos poderia ser enquadrada como "infração aeronáutica grave" ou violação do Artigo 261 do Código Penal, que pune ações que representem risco à segurança da navegação aérea ou a terceiros no solo. O documento enviado à PRF pelos deputados petistas pedia a instauração de um procedimento interno para apurar o caso e a adoção de medidas administrativas imediatas para impedir a continuidade do deslocamento de pedestres e coibir apoio logístico irregular, aéreo ou terrestre.
O Partido Liberal (PL), legenda de Nikolas, manifestou apoio oficial à iniciativa através de uma nota divulgada nas redes sociais. A nota afirmava: “É preciso agir com coragem, posição e determinação, porque a gente não foge quando a liberdade está em jogo. Vamos juntos em defesa da democracia de verdade: aquela que respeita o povo, a Constituição e o direito de pensar diferente. Bolsonaro livre, Brasil livre”.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a proibição de acesso e permanência de manifestantes nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, onde Bolsonaro está custodiado, citando a marcha prevista para chegar à capital e a possibilidade de atos nas imediações da unidade prisional. De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o objetivo da mobilização é promover manifestações ostensivas contra decisões do STF. Moraes justificou a decisão citando o risco de repetição dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, afirmando que é "irrazoável a repetição do lamentável erro anterior de permitir a organização e permanência de criminosos acampamentos golpistas livremente". Ele destacou que o direito de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas.
Desafios e lesões dos participantes
Ao longo da caminhada, diversos políticos bolsonaristas relataram dores intensas, cansaço extremo e lesões, principalmente bolhas e calos nos pés. Nikolas Ferreira, após 144 quilômetros, compartilhou imagens de seus pés inchados e tornozelos machucados, descrevendo o dia como "disparado o mais cansativo" e mencionando dores no joelho. Ele também mostrou imagens de integrantes com as pernas em bacias de gelo.
O deputado estadual Bruno Zambelli (PL-SP) foi visto ajudando Nikolas a caminhar, que mancava e demonstrava dor. Fernando Holiday (PL), vereador de São Paulo, precisou abandonar a caminhada devido a uma condropatia no joelho, sendo levado de cadeira de rodas para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e passando a usar muletas. O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) relatou que "tudo está doendo" e que chegou a pensar em desistir, mas decidiu continuar "se arrastando". André Fernandes (PL-CE) também precisou interromper a atividade para tratar bolhas nos pés com medicamentos. O senador Magno Malta (PL-ES), recém-operado e com problemas de locomoção, participou da iniciativa sendo levado em uma cadeira de rodas por outros bolsonaristas.
Incidentes e contramanifestações
Durante o percurso, ocorreram incidentes e contramanifestações. O trompetista Fabiano Leitão, conhecido nas redes sociais como “TromPetista” e militante do Partido dos Trabalhadores (PT), provocou os manifestantes na BR-040. Em 23 de janeiro de 2026, Fabiano publicou um vídeo tocando um berrante enquanto o grupo passava, com a legenda “Cuidado! Tem gado solto na pista”. Em seguida, ele tocou a cantiga infantil “Marcha Soldado”, fazendo alusão à prisão de Bolsonaro, e fez o símbolo de “L” em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gritando o nome do chefe do Executivo. Fabiano Leitão já havia ganhado notoriedade por tocar a Marcha Fúnebre em momentos políticos envolvendo Bolsonaro, como em março de 2025, quando o ex-presidente se tornou réu no STF, e em novembro de 2025, diante da superintendência da Polícia Federal em Brasília. Natural de Brasília, Fabiano concorreu a deputado distrital em 2022 e foi convidado por Lula para tocar na posse presidencial em janeiro de 2023.
No dia 25 de janeiro de 2026, durante o encerramento da caminhada na Praça do Cruzeiro, em Brasília, um raio atingiu manifestantes, deixando 72 pessoas feridas. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal informou que as vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Base e ao Hospital Regional da Asa Norte, com pelo menos oito apresentando quadro inicialmente considerado instável. O incidente rapidamente se tornou um novo foco de tensão política. Parlamentares da esquerda, como a deputada Erika Hilton, criticaram a condução da manifestação, classificando-a como "irresponsável" devido às condições climáticas adversas e atribuindo o episódio a um cálculo político. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, anunciou a intenção de acionar a Polícia Federal para apurar eventuais responsabilidades dos organizadores, argumentando que o caso não pode ser tratado apenas como fatalidade e exige investigação sobre falhas de planejamento e segurança. Nikolas Ferreira, por sua vez, rejeitou qualquer vínculo entre o incidente e a organização do protesto, afirmando que o raio foi um evento natural e que não houve desordem ou negligência. Ele declarou que, das vítimas encaminhadas para atendimento hospitalar, apenas duas permaneceram em observação, sem registro de casos graves. O Partido Liberal (PL) divulgou uma nota de solidariedade aos feridos, agradecendo a atuação das equipes de resgate e classificando o ato como pacífico.
Respostas e intervenções judiciais
Em 23 de janeiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a remoção imediata e a proibição de novos acampamentos e manifestações nos arredores do Complexo da Papuda, incluindo a “Papudinha”, em Brasília. A decisão, proferida após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), visava impedir atos pró-Bolsonaro, que está preso no local. Moraes autorizou a prisão em flagrante daqueles que insistissem em permanecer na via. O ministro justificou a medida citando o risco de repetição dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, destacando que é "irrazoável a repetição do lamentável erro anterior de permitir a organização e permanência de criminosos acampamentos golpistas livremente". Ele afirmou que o exercício dos direitos de reunião e manifestação não pode ser confundido com o propósito de subverter a ordem democrática e inviabilizar o funcionamento das instituições republicanas.
Linha do tempo
- Janeiro de 2026 (segunda-feira): Início da caminhada de Nikolas Ferreira em Paracatu (MG). O ex-vereador Carlos Bolsonaro se junta à caminhada.
- 23 de janeiro de 2026 (quinta-feira): PRF notifica o gabinete de Nikolas Ferreira sobre riscos operacionais na BR-040. Deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia solicitam à PRF a interrupção da caminhada, a instauração de procedimento interno e a adoção de medidas para impedir a continuidade do deslocamento e o apoio logístico irregular, citando a presença de helicópteros e a falta de autorização. Políticos participantes relatam dores, cansaço e lesões, com alguns necessitando de atendimento médico ou auxílio para locomoção. A assessoria de Nikolas Ferreira rebate a PRF, afirmando ter enviado ofícios à PRF e à ANTT no dia do início da caminhada. O trompetista Fabiano Leitão provoca os manifestantes na BR-040, tocando um berrante e a cantiga "Marcha Soldado". O ministro Alexandre de Moraes determina a proibição de acesso e permanência de manifestantes nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, incluindo a "Papudinha", e a remoção de acampamentos, autorizando a prisão em flagrante de quem insistir em permanecer na via. A decisão atende a um pedido da PGR e é justificada pelo risco de repetição dos atos de 8 de janeiro.
- 25 de janeiro de 2026 (domingo): Término da caminhada em Brasília (DF), na Praça do Cruzeiro. Um raio atinge manifestantes durante o encerramento do ato, deixando 72 pessoas feridas. O incidente gera críticas de parlamentares da esquerda, que responsabilizam Nikolas Ferreira pela condução "irresponsável" da manifestação. Lindbergh Farias anuncia a intenção de acionar a Polícia Federal para investigar falhas de planejamento e segurança. Nikolas Ferreira nega responsabilidade, classificando o raio como um evento natural.
Principais atores
- Nikolas Ferreira (PL-MG): Deputado federal e organizador da caminhada. Após o incidente com o raio, rejeitou a responsabilidade, afirmando que foi um evento natural.
- Jair Bolsonaro (PL): Ex-presidente, cuja prisão era um dos motivos do protesto.
- Carlos Bolsonaro (PL): Ex-vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, que se juntou à caminhada e expressou gratidão pelo apoio ao pai e aos condenados.
- Polícia Rodoviária Federal (PRF): Órgão que notificou o gabinete de Nikolas Ferreira sobre os riscos e acompanhou a movimentação, e para quem Lindbergh Farias e Rogério Correia solicitaram a interrupção da caminhada e a apuração de irregularidades.
- Lindbergh Farias (PT-RJ): Deputado federal que solicitou a interrupção da caminhada e a instauração de procedimento interno pela PRF, alegando crimes e infrações. Após o incidente com o raio, anunciou a intenção de acionar a Polícia Federal para investigar falhas de planejamento e segurança.
- Rogério Correia (PT-MG): Deputado federal que também assinou o pedido de interrupção da caminhada e apuração de irregularidades.
- Erika Hilton (PSOL-SP): Deputada federal que criticou a condução da manifestação após o incidente com o raio, classificando-a como "irresponsável".
- Partido Liberal (PL): Partido político que divulgou nota de apoio oficial à caminhada e, após o incidente com o raio, uma nota de solidariedade aos feridos.
- Fabiano Leitão ("TromPetista"): Trompetista e militante do PT que realizou contramanifestações durante a caminhada.
- Alexandre de Moraes: Ministro do Supremo Tribunal Federal que determinou a proibição de acesso e permanência de manifestantes nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda, e a remoção de acampamentos, justificando a decisão pelo risco de repetição dos atos de 8 de janeiro.
- Procuradoria-Geral da República (PGR): Órgão que indicou que o objetivo da mobilização era promover manifestações ostensivas contra decisões do STF e que solicitou a medida judicial de Alexandre de Moraes.
- Apoiadores bolsonaristas: Participantes da caminhada, incluindo:
- Senadores e deputados federais: André Fernandes (PL-CE), Carlos Jordy (PL-RJ), Filipe Barros (PL-PR), Gustavo Gayer (PL-GO), Junio Amaral (PL-MG), Luiz Lima (Novo-RJ), Senador Magno Malta (PL-ES), Senador Marcio Bittar (PL-AC), Major Vitor Hugo (PL-GO), Maurício do Vôlei (PL-MG), Sargento Fahur (PSD-PR), Sargento Gonçalves (PL-RN), Zucco (PL-RS), Cabo Gilberto Silva (PL-PB - líder da oposição na Câmara).
- Deputados estaduais e vereadores: Capitão Martim (Republicanos-RS), Chiara Biondini (PP-MG), Eduarda Campopiano (PL-SP), Fernando Holiday (PL-SP), João Pedro Pugina (PL-SP), Lucas Pavanato (PL-SP), Lucas Polese (PL-ES), Matheus Braga (DC-MG), Pablo Almeida (PL-MG), Rafael Satiê (PL-RJ), Thiago Medina (PL-PE), Thomaz Henrique (PL-SP), Ugleno Alves (PL-MG), Vile Santos (PL-MG), Guilherme Kilter (Novo-PR).
- Outros: Douglas Garcia (PL - ex-deputado estadual de São Paulo), Estefane Sampaio (influenciadora), Marcelo Bonifácio (cantor gospel), Wess Guimarães (influenciador), Guilherme Batista (pastor e influenciador), Pedro Pôncio (influenciador).
Contexto recente
A caminhada de Nikolas Ferreira ocorreu após uma série de eventos que geraram controvérsia em torno do parlamentar. Recentemente, ele havia divulgado informações falsas sobre uma suposta tributação do Pix, que foram desmentidas pela Receita Federal e criticadas pelo presidente Lula. Além disso, no ano anterior, o deputado foi alvo de críticas e cobranças de aliados do campo bolsonarista por não se manifestar em defesa da atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Esses episódios precederam a iniciativa da caminhada, que foi apresentada por Nikolas como um ato simbólico em defesa da liberdade e da justiça.
Termos importantes
- BR-040: Rodovia federal onde ocorreu parte da caminhada.
- 8 de janeiro: Referência aos eventos de 8 de janeiro de 2023, cujas prisões eram contestadas pelos manifestantes.
- DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes): Órgão responsável pela infraestrutura de transportes terrestres no Brasil, mencionado como um dos que deveriam ter sido consultados para autorização da caminhada.
- ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres): Agência reguladora do transporte terrestre no Brasil, também mencionada como órgão que deveria ter sido consultado.
- Infração aeronáutica grave: Termo usado pelos deputados petistas para descrever a conduta de pilotos de helicópteros que pousaram ao lado da rodovia.
- Artigo 261 do Código Penal: Artigo que pune ações que representem risco à segurança da navegação aérea ou a terceiros no solo, citado pelos deputados petistas em relação ao uso de helicópteros.
- UPA (Unidade de Pronto Atendimento): Unidade de saúde onde Fernando Holiday recebeu atendimento.
- Condropatia: Desgaste da cartilagem, diagnosticado em Fernando Holiday.
- Praça do Cruzeiro: Local em Brasília onde a caminhada foi concluída e onde ocorreu o incidente com o raio.
- Complexo Penitenciário da Papuda: Local onde Jair Bolsonaro está custodiado, e onde o ministro Alexandre de Moraes proibiu a permanência de manifestantes nas proximidades.
- Papudinha: Área nos arredores do Complexo da Papuda, também incluída na proibição de acampamentos e manifestações.
- Corpo de Bombeiros do Distrito Federal: Instituição que informou o número de feridos no incidente com o raio.
- Hospital de Base do Distrito Federal: Hospital para onde vítimas do raio foram encaminhadas.
- Hospital Regional da Asa Norte: Hospital para onde vítimas do raio foram encaminhadas.
