O Banco Pleno foi uma instituição financeira brasileira que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em 18 de fevereiro de 2026, devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira, deterioração da liquidez e descumprimento de normas. Controlado por Augusto Ferreira Lima desde 2025, o banco enfrentava dificuldades após a liquidação do Banco Master e o envolvimento de Lima na Operação Compliance Zero. Apesar de buscar parceiros estratégicos e ter sua carteira concentrada em crédito consignado via Credcesta, a instituição não conseguiu reverter a crise, culminando em sua saída do sistema financeiro nacional.
O Banco Pleno foi uma instituição financeira brasileira que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil (BC) em 18 de fevereiro de 2026. A decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do banco, deterioração da liquidez e descumprimento de normas e determinações do BC. Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master, adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025. Em janeiro de 2026, o Banco Pleno estava em busca de um comprador ou parceiro estratégico, enfrentando pressão sobre sua liquidez e captação de recursos, especialmente após a liquidação do Banco Master e o afastamento de Augusto Lima da administração em meio à Operação Compliance Zero.
Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno desde julho de 2025, possui um histórico de envolvimento em questões financeiras e políticas. Ele foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero e é associado a fraudes envolvendo o Banco Master. Lima ganhou notoriedade após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), o que também lhe deu controle sobre o Credcesta. O Credcesta, um cartão de benefícios para servidores públicos, expandiu-se nacionalmente em parceria com o Banco Master, tornando-se um produto de crédito consignado. Investigações apontaram que parte desses créditos, oferecidos a aposentados e pensionistas, não foi devidamente informada às autoridades ou não possuía a estrutura necessária para operar dentro das regras.
Em 2025, Augusto Lima adquiriu o controle do Banco Pleno, com autorização do Banco Central concedida em julho do mesmo ano. A transição começou em junho de 2025, quando Augusto Ferreira Lima adquiriu o Banco Voiter S.A. e sua subsidiária, a Distribuidora Intercap de Títulos e Valores Mobiliários S.A., até então controladas pelo Banco Master. A Diretoria Colegiada do BC aprovou a operação em 24 de julho, e a mudança de nome para Banco Pleno S.A. foi formalizada em 10 de julho, durante assembleia extraordinária. Com sede na Av. Brigadeiro Faria Lima, 3.477, em São Paulo, o Pleno operava como banco comercial e fazia parte do Grupo A de recolhimento compulsório do Sistema Financeiro Nacional. A nova diretoria era composta por Antonio Nuno Henriques Cardoso Verças, Renata Leme Borges dos Santos e Ronaldo Vieira Bento, sob presidência de Lima, com mandato até 2027. O banco destacou que sua nova gestão priorizava eficiência, inovação e competitividade, com foco em nichos estratégicos como crédito corporativo e agronegócio. A cisão entre os dois bancos foi considerada um movimento estratégico para preservar o patrimônio e a credibilidade do Pleno. Enquanto o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez e um prejuízo de R$ 287 milhões no primeiro semestre de 2025, o Banco Pleno buscava construir uma imagem de solidez e confiança.
Em janeiro de 2026, plataformas de investimento como XP e BTG deixaram de oferecer títulos do Banco Pleno aos investidores, dificultando a captação de recursos pela instituição. No mercado secundário, as taxas dos títulos do Pleno chegaram a atingir 170% do CDI, refletindo o aumento da percepção de risco. Em setembro de 2025, o Pleno mantinha um passivo de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em depósitos a prazo (principalmente CDBs, a maioria com cobertura do FGC) e R$ 759,7 milhões em letras financeiras. A venda do Voiter foi a única operação do conglomerado do Master autorizada pelo Banco Central do Brasil. O Banco Pleno chegou a oferecer o ativo ao grupo J&F, que não demonstrou interesse na operação. A assessoria do banco negou um processo formal de venda, afirmando que a estratégia visava parcerias. Fontes do mercado estimavam que um investidor interessado precisaria aportar ao menos R$ 1 bilhão, e outros R$ 2 bilhões seriam necessários para o banco operar com maior folga financeira. O FGC poderia apoiar a operação por meio de linha emergencial de crédito ou subsídio. A carteira total do banco somava R$ 123 milhões em setembro de 2025, e a operação era concentrada no crédito consignado, apoiada no Credcesta.
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) foi decretada em 18 de fevereiro de 2026. O BC justificou a medida pela deterioração da situação de liquidez da instituição e pela infração às normas que disciplinam sua atividade, além da inobservância das determinações do órgão regulador. Na época da liquidação, o conglomerado representava uma parcela muito pequena do sistema financeiro brasileiro, com cerca de 0,04% dos ativos e 0,05% das captações totais.