Bad Bunny
Adicionado evento de 14/02/2026 sobre as repercussões políticas e eleitorais das críticas de Donald Trump a Bad Bunny, incluindo análises de estrategistas e líderes hispânicos e dados de pesquisas.
Bad Bunny é um cantor porto-riquenho que se tornou uma figura de destaque na música global. Sua participação como atração musical no Super Bowl LX gerou controvérsia e reações políticas nos Estados Unidos, incluindo críticas do então presidente Donald Trump e de outros políticos, devido às suas declarações e à sua origem. Sua presença no evento foi vista por alguns como um símbolo cultural e linguístico, enquanto outros a criticaram por supostamente "semear ódio" ou desafiar a primazia do inglês. Bad Bunny é um artista premiado, com três Grammy Awards e onze Latin Grammy Awards em sua carreira.
A escolha de Bad Bunny para se apresentar no Super Bowl LX, agendado para 8 de fevereiro no Levi’s Stadium, em Santa Clara, Califórnia, provocou debates e críticas políticas. Antes mesmo do evento, o artista já havia gerado repercussão ao participar do programa Saturday Night Live. Durante seu monólogo, ele usou o espanhol para expressar sua empolgação com o Super Bowl, afirmando que quem não entendesse teria até o dia do jogo para aprender o idioma. Essa declaração levou a deputada Marjorie Taylor Greene a apresentar uma proposta para tornar o inglês a única língua oficial dos Estados Unidos, vinculando diretamente a iniciativa à escolha do artista porto-riquenho.
Posteriormente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a seleção de Bad Bunny e da banda Green Day como atrações do Super Bowl. Em uma entrevista ao New York Post e, mais tarde, ao The New York Times, Trump expressou sua desaprovação, classificando a curadoria musical como inadequada e afirmando que a escolha dos artistas "semeia ódio". Apesar das críticas, Trump declarou que não compareceria ao jogo, justificando a ausência pela distância entre Washington e a Califórnia, e não pelas atrações. No dia do Super Bowl, Trump reiterou ao The New York Times que não compareceria devido à escolha de Bad Bunny, classificando-a como uma "péssima escolha" que "semeia ódio". Após a performance de Bad Bunny no Super Bowl LX, Trump intensificou suas críticas, descrevendo o show como "uma afronta à grandeza dos Estados Unidos" e um "tapa na cara" do país. Ele também afirmou que "ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo", e classificou a dança do artista como "nojenta" e inadequada para crianças.
No dia 1º de fevereiro de 2026, Bad Bunny venceu o prêmio de Melhor Álbum Urbano no Grammy Awards pelo disco Debí Tirar Más Fotos, que contém músicas apenas em espanhol. Em seu discurso de agradecimento, o artista criticou o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) com a frase "Fora, Ice", e afirmou: "Nós não somos selvagens, não somos animais. Somos seres humanos e somos americanos". Ele também destacou a importância de não propagar o ódio, dizendo que "a única coisa mais potente que o ódio é o amor".
O show do intervalo do Super Bowl LX, com a apresentação de Bad Bunny, foi transmitido no Brasil pelos canais Sportv, Getv, ESPN, Disney+ e NFL Game Pass (DAZN), com previsão de início por volta das 22h, horário de Brasília.
As críticas de Donald Trump à performance de Bad Bunny no Super Bowl LX, especialmente em relação ao uso do espanhol, alarmaram estrategistas e líderes hispânicos republicanos. Há preocupações de que esses ataques possam corroer ainda mais o apoio de Trump entre os eleitores latinos nas eleições legislativas de novembro de 2026. Embora os hispânicos tenham sido cruciais para a reeleição de Trump em 2024, seu apoio já mostrava sinais de diminuição devido à inflação e às táticas anti-imigração do governo. Alguns aliados latinos de Trump consideraram os ataques a uma celebração da cultura latina como um erro político, especialmente em distritos com alta concentração hispânica na Califórnia, Arizona e Colorado, onde ocorrem disputas importantes para a Câmara dos Representantes dos EUA.
Vianca Rodriguez, ex-funcionária do governo Trump e vice-diretora de comunicações hispânicas do Comitê Nacional Republicano, expressou que a controvérsia "não deveria ter sido uma batalha cultural" e que isso causaria mais danos do que benefícios ao partido. Mike Madrid, estrategista republicano especialista em tendências eleitorais latinas, manifestou perplexidade com a decisão de Trump de "dobrar a aposta em alienar o eleitorado mais crítico de que precisam para sobreviver".
Pesquisas realizadas pelo Pew Research Center indicam uma queda de 12 pontos percentuais no apoio a Trump entre os eleitores latinos que o apoiaram em 2024. Em janeiro de 2025, 93% dos latinos que votaram nele aprovavam seu trabalho, mas esse número caiu para 81% dez meses depois. Javier Palomarez, presidente do Conselho Empresarial Hispânico dos EUA, relatou que a crença de que Trump era o melhor candidato para consertar a economia, que era de 70% entre os membros de sua organização antes das eleições de 2024, caiu para 40%. Ele e Ramiro Cavazos, presidente da Câmara de Comércio Hispânica dos Estados Unidos, apontaram que muitos proprietários de pequenas empresas latinas se sentem desiludidos, citando a falta de redução de preços e o impacto da repressão à imigração nas vendas.
Denise Galvez Turros, cofundadora do Latinas for Trump, concordou com as críticas de Trump ao artista e defendeu os comentários do presidente sobre o uso do espanhol por Bad Bunny, mas ressaltou que "todos concordam que gostaríamos que ele controlasse sua boca e seu temperamento e fosse menos impulsivo". Há planos para Trump viajar para distritos com grande população latina e de fronteira para tentar reconquistar o eleitorado, e republicanos são aconselhados a usar porta-vozes em espanhol para abordar questões como imigração e buscar ativamente o voto latino.