Visão geral
Augusto Ferreira Lima é um empresário e banqueiro brasileiro, conhecido por sua atuação no setor financeiro e por seu envolvimento com o Banco Pleno, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil em fevereiro de 2026. Lima também foi sócio de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e esteve associado a investigações por fraudes e a figuras políticas influentes.
Contexto histórico e desenvolvimento
Augusto Lima ganhou notoriedade no cenário empresarial após adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Com essa aquisição, ele também obteve o controle do Credcesta, um cartão de benefícios inicialmente voltado para servidores públicos na Bahia. O Credcesta expandiu suas operações nacionalmente em parceria com o Banco Master, transformando-se em um produto de crédito consignado que passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras.
Uma parte significativa desses créditos, oferecidos a aposentados e pensionistas, não teria sido informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura adequados para operar conforme as regulamentações. Lima atuou como CEO do Banco Master e, em julho de 2025, obteve autorização do Banco Central para adquirir o controle do Banco Pleno.
Em novembro de 2025, Augusto Lima foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Em fevereiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). A decisão foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, deterioração da liquidez, e por infrações às normas e determinações do Banco Central. Na época da liquidação, o conglomerado representava uma parcela mínima do sistema financeiro brasileiro, com cerca de 0,04% dos ativos e 0,05% das captações.
Linha do tempo
- Julho de 2025: Augusto Lima adquire o controle do Banco Pleno, com autorização do Banco Central.
- Novembro de 2025: Augusto Lima é preso preventivamente na Operação Compliance Zero.
- Fim de 2024: Augusto Lima participa de reunião entre Daniel Vorcaro e o presidente Lula.
- 18 de fevereiro de 2026: Banco Central do Brasil decreta a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM.
Principais atores
- Augusto Ferreira Lima: Empresário e banqueiro, controlador do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master.
- Banco Pleno: Instituição financeira controlada por Augusto Lima, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.
- Banco Master: Instituição financeira da qual Augusto Lima foi CEO e sócio de Daniel Vorcaro.
- Banco Central do Brasil (BC): Órgão regulador que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno.
- Daniel Vorcaro: Dono do Banco Master e ex-sócio de Augusto Lima.
- Rui Costa (Casa Civil): Ministro e político baiano, apontado como próximo a Augusto Lima.
- Jaques Wagner (PT-BA): Líder do governo no Senado, político baiano, apontado como próximo a Augusto Lima e intermediador de contatos.
- Ricardo Lewandowski: Contratado como consultor jurídico do Banco Master por Augusto Lima.
- Polícia Federal: Responsável pela Operação Compliance Zero, que prendeu Augusto Lima.
Termos importantes
- Liquidação extrajudicial: Processo em que o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira que não tem mais condições de operar, nomeando um liquidante para vender bens e pagar credores, culminando na extinção da instituição.
- Credcesta: Cartão de benefícios e produto de crédito consignado, inicialmente para servidores públicos, expandido nacionalmente em parceria com o Banco Master.
- Operação Compliance Zero: Investigação da Polícia Federal que resultou na prisão preventiva de Augusto Lima.
- CPMI do INSS: Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que solicitou a quebra de sigilo bancário de Augusto Lima para investigar irregularidades em créditos consignados.