O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, critica o PL Antifacção aprovado pela Câmara, alegando que ele não alcança as grandes lideranças criminosas e compromete o financiamento do Fundo Nacional de Segurança Pública.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, manifestou forte crítica ao Projeto de Lei Antifacção aprovado pela Câmara, afirmando que a legislação falha em seu propósito principal. Segundo Sarrubbo, o texto atual não consegue atingir as grandes lideranças do crime organizado, concentrando-se apenas na base das facções. Ele ressalta que a versão da Câmara, relatada por Guilherme Derrite, rejeitou importantes alterações propostas pelo Senado, que visavam justamente combater o financiamento do crime organizado em suas esferas mais elevadas, incluindo operações em mercados financeiros.
Além de não alcançar o "andar de cima" do crime, Sarrubbo alerta que o projeto inviabiliza o financiamento do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). A Câmara, por razões políticas, removeu a taxação de bets que destinaria cerca de R$ 30 bilhões ao FNSP, prejudicando a capacidade de investimento em segurança pública nos estados. A estratégia inicial defendida por Sarrubbo era asfixiar financeiramente as facções antes de qualquer ação direta das forças de segurança, uma abordagem que, com as modificações, parece ter sido comprometida.