A cientista Tatiana Sampaio, da UFRJ, revelou que a patente internacional da polilaminina foi perdida devido a cortes de verbas para pesquisa entre 2015 e 2016, comprometendo o reconhecimento da ciência nacional.
A cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), denunciou que a patente internacional da polilaminina, uma inovação brasileira com potencial para regeneração de lesões medulares, foi perdida devido a cortes de verbas para pesquisa entre 2015 e 2016. A interrupção do financiamento impediu o pagamento das taxas obrigatórias para a manutenção do registro estrangeiro, que antes era custeado pela própria universidade. A pesquisadora relatou ter utilizado recursos próprios em uma tentativa frustrada de manter a proteção internacional da descoberta.
Essa perda é particularmente grave considerando o longo processo de reconhecimento da invenção no Brasil, onde a patente nacional levou 18 anos para ser concedida, restando apenas dois anos de validade dos 20 anos totais. A polilaminina, uma versão sintética da proteína laminina, já demonstrou resultados significativos em testes, com seis de oito pacientes com lesão medular completa apresentando melhora e um deles recuperando a capacidade de caminhar. Recentemente, a Anvisa liberou a fase 1 do estudo clínico, permitindo testes de segurança em cinco pacientes, o que ressalta a relevância e o potencial terapêutico da pesquisa que agora enfrenta um revés no reconhecimento internacional.