Um auditor da Receita Federal foi alvo de operação da PF por acessar dados da enteada de Gilmar Mendes, com a Unafisco defendendo que não houve vazamento e criticando a desproporcionalidade das medidas.
O auditor Ricardo Mansano, da Receita Federal, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal após admitir o acesso a dados de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes. Segundo o presidente da Unafisco, Kléber Cabral, Mansano não vazou informações e as medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como afastamento e uso de tornozeleira eletrônica, são desproporcionais e têm caráter intimidatório. Mansano justificou o acesso alegando que buscava verificar se Maria Carolina era esposa de um ex-colega, tendo acessado apenas a 'tela inicial' de documentos antigos.
A operação da PF foi desencadeada após uma investigação da própria Receita Federal sobre acessos irregulares a dados de ministros do Supremo Tribunal Federal e seus familiares, a pedido de Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. A Unafisco critica a forma como a apuração está sendo conduzida, argumentando que a ostensividade aumenta a chance de 'falsos positivos' e que a intimidação pode limitar futuras investigações de altas autoridades pela Receita Federal. A Receita informou preliminarmente ao STF sobre os desvios detectados, mesmo com a auditoria ainda em andamento.