A Argentina enfrentou greve geral e confrontos durante a votação da reforma trabalhista de Milei, que foi aprovada na Câmara com modificações e agora retorna ao Senado, flexibilizando férias e jornada, mas retirando pontos polêmicos.
A Argentina viveu um dia de intensa tensão com confrontos entre policiais e manifestantes em Buenos Aires, enquanto a Câmara dos Deputados discutia e votava a controversa reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Policiais utilizaram gás lacrimogêneo e canhões d'água para dispersar manifestantes que tentavam furar bloqueios em frente ao Congresso. O governo Milei emitiu um alerta de segurança incomum para a imprensa e advertiu sobre possíveis atos de violência nos protestos, evidenciando o clima de forte polarização, enquanto o presidente estava fora do país.
Simultaneamente, o país foi paralisado por uma greve geral de 24 horas, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) e outros sindicatos. A CGT afirmou que a adesão foi de 90%, impactando transporte público, bancos, comércio, produção e atividades esportivas. Ruas de Buenos Aires e de outras cidades amanheceram sem trens, metrô e com poucos ônibus. A paralisação também afetou o setor aéreo, resultando no cancelamento de 255 voos da Aerolíneas Argentinas, afetando cerca de 31 mil passageiros, e 62 voos foram suspensos nos aeroportos de Galeão e Guarulhos no Brasil. Além disso, a greve geral de 19 de fevereiro de 2026 paralisou diversas fábricas de automóveis na Argentina, incluindo operações de montadoras como Ford, Volkswagen, Toyota, Stellantis e Mercedes-Benz.
A Câmara dos Deputados aprovou a reforma trabalhista com modificações, o que significa que o texto agora retornará ao Senado para uma nova votação. Entre as alterações, o governo retirou o tópico que reduzia o salário dos trabalhadores em 50% em casos de acidentes fora do ambiente de trabalho e a permissão de pagar salários em moeda estrangeira ou carteiras digitais. A reforma visa atualizar regras trabalhistas, reduzir custos e incentivar empregos formais, mas críticos alertam para a fragilização das relações de trabalho e o enfraquecimento dos sindicatos. Entre as mudanças que permanecem estão a flexibilização das férias e a ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas diárias.
A proposta também prevê restrições a greves em setores essenciais, ampliação do período de experiência e alterações em indenizações e demissões. Jorge Sola, líder sindical, criticou a reforma como um retrocesso nos direitos trabalhistas, enquanto o governo Milei minimizou o impacto da greve, com Manuel Adorni acusando os sindicalistas de extorsão e de complicar a vida do trabalhador. Dados do Indec indicam que a Argentina tinha 13,6 milhões de pessoas ocupadas e uma taxa de desocupação de 6,6% no terceiro trimestre de 2025, com alta informalidade no mercado de trabalho, o que a reforma busca combater. A Argentina é um importante fornecedor de veículos para o Brasil, com cerca de 200 mil unidades importadas em 2025, e a interrupção afeta a produção de modelos populares no mercado brasileiro, como Ford Ranger, VW Amarok, Toyota Hilux/SW4 e Fiat Cronos/Titano.
G1 Mundo • 20 fev, 00:31
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