Apesar do crescimento de 5% e pacotes de estímulo, a economia chinesa lida com fraca demanda interna e exporta deflação, gerando desafios para o Brasil, especialmente nos setores de commodities e agronegócio.
A economia chinesa, apesar de ter crescido 5% no último ano e de pacotes de estímulo que evitaram o colapso imobiliário, enfrenta um cenário de desequilíbrio entre oferta e demanda. Com o consumo interno fraco, evidenciado pelas vendas no varejo no ritmo mais lento desde 2020 e a inflação em apenas 0,2% em janeiro, a China está exportando deflação para o mundo, pressionando os preços internacionais.
Este cenário gera desafios significativos para o Brasil. A crise imobiliária chinesa impacta diretamente a demanda por aço e minério, afetando empresas brasileiras de commodities como a Vale, embora a transição energética possa compensar parte dessa demanda. Além disso, o agronegócio brasileiro pode enfrentar negociações mais duras, já que a China busca reduzir sua dependência de importações de carne. A situação exige cautela para investidores, que precisam de seletividade extrema devido a riscos geopolíticos e à possibilidade de uma "armadilha de valor" caso a transição para uma economia de consumo seja lenta.