Mensagens internas revelam desconforto e indícios de irregularidade na decisão que soltou um líder do PCC em 2020, agravando a situação do desembargador aposentado compulsoriamente pelo CNJ.
A decisão que resultou na soltura de Gerson Palermo, um dos líderes do PCC, em abril de 2020, e na aposentadoria compulsória do desembargador Divoncir Schereiner Maran pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ganha novos contornos com a revelação de diálogos internos. Mensagens do gabinete do desembargador indicam um claro desconforto e a percepção de irregularidade na medida, com um servidor chegando a mencionar ter feito uma "gambiarra" para viabilizar a decisão. Palermo, que cumpria pena de quase 126 anos, fugiu horas após ser beneficiado pela prisão domiciliar, concedida sob a justificativa de risco pela pandemia de Covid-19, alegação que o CNJ considerou insuficiente diante de seu histórico criminal.
O caso se agrava com a investigação do desembargador Maran na Operação Ultima Ratio, que apura a comercialização de decisões judiciais e movimentações financeiras incompatíveis com sua renda. O relator do processo disciplinar no CNJ, João Paulo Schoucair, concluiu que a conduta do desembargador violou os deveres da magistratura, ressaltando a gravidade da situação e as implicações para a credibilidade do sistema judiciário.