O desfile da Acadêmicos de Niterói homenageando Lula gerou controvérsia política e jurídica, irritou a oposição pelo financiamento e alegoria com evangélicos, e foi celebrado por apoiadores, com Lula postando fotos com todas as escolas após as críticas.
O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula na Sapucaí, acendeu um alerta no governo e na Justiça Eleitoral, repercutindo também na imprensa internacional e gerando forte irritação na oposição. O enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" é visto como de alta sensibilidade, especialmente após tentativas da oposição de barrar o evento por suposta propaganda eleitoral antecipada. A escola justificou a escolha do enredo como alinhada à tradição do Carnaval de abordar personagens políticos e temas sociais, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que o enredo não configura propaganda antecipada, mas alertou para evitar pedidos explícitos de voto. O samba-enredo não se limitou à homenagem, fazendo referências diretas a adversários políticos como Michel Temer e Jair Bolsonaro, este último chamado de 'Bozo', além de abordar pautas governamentais como a taxação de bilionários e o fim da escala 6x1. Veículos como ABC News, France24, Reuters e BBC cobriram o evento, destacando tanto o caráter celebratório quanto as controvérsias jurídicas e políticas geradas em ano eleitoral.
O desfile percorreu a trajetória de Lula em cinco setores e carros alegóricos, abordando sua infância em Pernambuco, a migração para São Paulo e a fase de operário e líder sindical. Foram destacadas políticas públicas implementadas em seus mandatos presidenciais, como Fome Zero, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. Elementos do cenário político atual, como críticas a “retrocessos”, negacionismo científico, a prisão de Lula em 2018 e a vitória em 2022, também foram incluídos. No entanto, o desfile gerou uma nova onda de controvérsia com uma alegoria que retratou a "família tradicional" e figuras associadas a evangélicos em uma "lata de conserva". Essa cena provocou forte reação de parlamentares e lideranças conservadoras, que a interpretaram como desrespeito à fé cristã. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou que acionará a Justiça por considerar a representação preconceito religioso, e a deputada federal Caroline de Toni afirmou que a cena é um ataque aos valores conservadores.
A questão do financiamento público do Carnaval, especialmente o repasse à Acadêmicos de Niterói, tornou-se um ponto central da controvérsia. A escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, parte de um total de R$ 12 milhões distribuídos entre as 12 escolas do Grupo Especial, um repasse que o governo federal defende como prática anual. No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) foi acionado para investigar, embora o ministro Aroldo Cedraz tenha rejeitado a suspensão do pagamento. A oposição questionou o uso de verbas públicas pela escola, embora o governo afirme que todas as escolas recebem a mesma quantia. Críticos também apontaram menções ao número 13, usado por Lula e o PT, na letra do samba como evidência de campanha antecipada, apesar do carnavalesco Tiago Martins defender que o enredo é uma homenagem à história de vida de um homem, não uma campanha.
Enquanto a oposição classificou o desfile como "propaganda do regime" e "abuso de poder", com o Partido Novo prometendo pedir a inelegibilidade de Lula, apoiadores do presidente celebraram o evento nas redes sociais. Após as críticas, o próprio Lula publicou fotos nas redes sociais com todas as escolas de samba que desfilaram na Sapucaí, destacando a importância do Carnaval do Rio como referência mundial de cultura, turismo e desenvolvimento. A primeira-dama Janja da Silva, por sua vez, decidiu não desfilar para evitar a "possibilidade de perseguição" ao presidente e à escola. Assessores de Lula, reconhecendo a sensibilidade política do evento, instruíram ministros a não participarem ativamente do desfile ou fazerem gestos eleitorais. O líder do governo na Câmara, José Guimarães, elogiou a homenagem da escola a Lula, destacando a arte e a resistência.
G1 Política • 16 fev, 16:21
InfoMoney • 16 fev, 15:16
InfoMoney • 16 fev, 13:29
G1 Política • 16 fev, 12:57
InfoMoney • 16 fev, 12:13
InfoMoney • 16 fev, 11:03
InfoMoney • 16 fev, 09:19
InfoMoney • 16 fev, 09:36
InfoMoney • 16 fev, 08:35
InfoMoney • 15 fev, 18:01
InfoMoney • 15 fev, 11:25
G1 Política • 15 fev, 04:01