A equipe econômica do governo Lula vê a proposta de fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho como madura para aprovação, mas o texto final pode gerar insegurança jurídica e afastar o apoio do Executivo.
A proposta de fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho está ganhando força no Congresso, com a equipe econômica do governo Lula a considerando madura para aprovação no primeiro semestre, impulsionada pelo cenário eleitoral. No entanto, o Executivo manifesta preocupação com o texto final da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), temendo que uma formulação inadequada possa gerar insegurança jurídica e afastar o apoio governamental. Especialistas alertam para os riscos de uma alteração via PEC sem diferenciação setorial e mecanismos de adaptação, o que poderia elevar custos para as empresas.
Enquanto um estudo do Ipea indica que o impacto da redução da jornada para 40 horas semanais é comparável a aumentos do salário mínimo e pode ser absorvido pela maioria das empresas, o setor privado, incluindo a CNI e o agronegócio, projeta impactos financeiros significativos. Por outro lado, o governo vislumbra potenciais ganhos de produtividade e benefícios sociais. A aprovação de um texto acordado é vista como essencial para que a medida seja concretizada ainda este ano, evitando que se torne apenas uma promessa de campanha.