Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que o Bolsa Família não reduz a participação feminina na força de trabalho, exceto para mães com filhos de até seis anos, destacando o potencial de crescimento econômico com maior inclusão feminina.
Um estudo recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o programa Bolsa Família não tem o efeito de afastar as mulheres do mercado de trabalho, com uma notável exceção: mães de crianças de até seis anos. Essas mulheres enfrentam uma menor participação devido às responsabilidades domésticas e familiares, dedicando, em média, dez horas a mais por semana em cuidados não remunerados do que os homens. A pesquisa destaca que metade das mulheres deixa de trabalhar fora até dois anos após o nascimento do primeiro filho, evidenciando um desafio significativo para a inclusão feminina.
Aumentar a participação feminina no mercado de trabalho é crucial para o desenvolvimento econômico do Brasil. O FMI estima que, se a diferença de participação entre gêneros cair de 20 para 10 pontos percentuais, o crescimento do PIB brasileiro pode ser elevado em meio ponto percentual até 2033. Para isso, o estudo sugere soluções como a ampliação do acesso a creches, o incentivo ao trabalho remunerado e a resolução das diferenças salariais. A relevância do papel feminino é ainda mais acentuada pelo fato de que quase 85% das famílias beneficiárias do Bolsa Família são chefiadas por mulheres, que são as responsáveis pela administração do dinheiro.