A falha no apoio dos EUA à Ucrânia e a percepção de Washington como um parceiro militar menos confiável levam países europeus a discutir, pela primeira vez desde a Guerra Fria, a criação de um arsenal nuclear próprio para garantir sua segurança contra a Rússia.
A Europa se vê diante de um dilema de segurança sem precedentes desde a Guerra Fria, impulsionado pela percepção de um apoio americano vacilante à Ucrânia. A interrupção do compartilhamento de inteligência dos EUA com Kiev a partir de 2025 acendeu um alerta sobre a confiabilidade militar de Washington, levando capitais europeias a discutir abertamente a possibilidade de desenvolver seu próprio arsenal nuclear. O chanceler alemão Friedrich Merz confirmou que o tema está "vivo" nas discussões, refletindo a preocupação com a dependência do "guarda-chuva nuclear" dos EUA e a sombria perspectiva de enfrentar a Rússia, detentora do maior arsenal nuclear, sem essa proteção.
Atualmente, apenas Reino Unido e França possuem armas atômicas na Europa, e o presidente francês Emmanuel Macron já sinalizou a intenção de oferecer a dissuasão nuclear francesa ao restante do continente. No entanto, especialistas alertam que a criação de um novo arsenal nuclear europeu é financeiramente inviável para a maioria dos países e levanta complexas questões sobre tratados internacionais e a coordenação entre as nações. A OTAN, por sua vez, reafirma o compromisso dos EUA com a aliança, mas a discussão sobre a segurança europeia por parte dos EUA foca na defesa convencional, não no guarda-chuva nuclear, evidenciando a urgência de uma solução europeia para sua própria defesa atômica.