Banco do Brasil registra queda de 45,4% no lucro de 2025 e projeta 2026 desafiador
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,68 bilhões em 2025, queda de 45,4%, impactado por calote de R$ 3,6 bi e alta inadimplência, e projeta 2026 como um ano desafiador.
Pontos principais
- O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil em 2025 foi de R$ 20,68 bilhões, uma redução de 45,4% em relação a 2024.
- A queda foi atribuída a um calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa e ao aumento da inadimplência no agronegócio e cartões, que cresceu cerca de 500% em 2025.
- O índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17% no final de dezembro de 2025, subindo de 3,16% em 2024.
- No 4T25, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,74 bilhões, superando as expectativas, impulsionado por um efeito tributário de R$ 1,8 bilhão.
- Para 2026, o banco projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com expectativa de retomada da rentabilidade no segundo semestre.
- O Banco do Brasil fará um aporte antecipado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e uma contribuição extraordinária de cerca de R$ 500 milhões anuais.
- Analistas questionam a qualidade do lucro do 4T25 e a sustentabilidade da recuperação, apontando para tendências subjacentes fracas e custos de crédito elevados.
- O retorno sobre patrimônio líquido do BB no 4º trimestre foi de 12,4%, abaixo de concorrentes como Itaú, Santander e Bradesco.
O Banco do Brasil encerrou o ano de 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 20,68 bilhões, representando uma queda significativa de 45,4% em comparação com o ano anterior. Essa retração foi influenciada principalmente por um calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa do segmento atacado no quarto trimestre, além do aumento da inadimplência na carteira do agronegócio e de cartões de crédito. A inadimplência no agronegócio, em particular, cresceu cerca de 500% em 2025, sendo um dos principais fatores para a redução do resultado. O índice de inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,17% no final de dezembro, impactando diretamente os resultados e as provisões do banco.
Apesar da queda anual, o desempenho do quarto trimestre de 2025 superou as expectativas do mercado, registrando um lucro líquido ajustado de R$ 5,74 bilhões, embora com uma queda de 40,1% em relação ao 4T24, impulsionado por um efeito tributário de R$ 1,8 bilhão. Analistas de diversas casas, como XP, Morgan Stanley, Itaú BBA e Genial Investimentos, questionam a qualidade do lucro do 4T25 e a sustentabilidade da recuperação, apontando para tendências subjacentes fracas e a cautela com a qualidade dos ativos e custos de crédito elevados. O retorno sobre patrimônio líquido do BB no 4º trimestre foi de 12,4%, abaixo de concorrentes como Itaú, Santander e Bradesco.
A presidente-executiva Tarciana Medeiros descreveu 2026 como um ano desafiador, mas com aprendizados de 2025. A instituição projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões para 2026, com a recuperação da rentabilidade concentrada no segundo semestre e expansão da carteira de crédito. O Banco do Brasil também anunciou um aporte antecipado de R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recompor o caixa após a liquidação do Banco Master, além de uma contribuição extraordinária de cerca de R$ 500 milhões anuais ao FGC. O banco planeja reforçar sua liderança no segmento de crédito consignado para funcionalismo público e setor privado, mantendo o compromisso com a remuneração dos acionistas, apesar do guidance ter frustrado as expectativas de algumas casas de análise, indicando uma recuperação mais lenta.
Tópicos relacionados
Cobertura da mídia
Banco do Brasil projeta 2026 como ano desafiador
Agência Brasil - EBC • 12 fev, 15:25
Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa e vê inadimplência subir
G1 - Economia • 12 fev, 16:04
BB supera projeções de lucro, mas qualidade é questionada – ainda não é inflexão
InfoMoney • 12 fev, 08:30
