O MEC revogou o edital para novos cursos de medicina e cancelou o Mais Médicos 3, gerando análises de bancos sobre impactos nas ações de empresas de educação.
O Ministério da Educação (MEC) anunciou a revogação do edital de outubro de 2023, que previa a autorização para a criação de até 95 novos cursos particulares de medicina, e o cancelamento do edital do programa Mais Médicos 3, que autorizaria 5,9 mil novas vagas. As decisões, publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), foram justificadas por alterações no cenário, incluindo a expansão de vagas por judicialização e a necessidade de garantir a qualidade da formação médica, alinhando-se à retomada do programa Mais Médicos e buscando fortalecer o SUS.
O cancelamento do Mais Médicos 3 gerou análises de bancos sobre os impactos nas ações de empresas de educação listadas na Bolsa. O Goldman Sachs avaliou a medida como levemente negativa para Afya, Yduqs, Ânima e Cogna, mas sem expectativa de reação relevante das ações, pois o mercado não precificava o opcional. O Bradesco BBI considerou o encerramento levemente negativo por eliminar potenciais vetores de valorização, mas reduzindo o risco de pressão sobre preços. Já o Itaú BBA acredita que a redução de vagas em medicina cria um ambiente competitivo mais saudável, limitando a expansão, mas eliminando excesso de oferta.
O MEC enfatizou que a revogação não interrompe a política de expansão da formação médica, mas busca consolidar um diagnóstico atualizado em coordenação com o Ministério da Saúde, considerando a implementação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e as preocupações com a qualidade dos médicos formados. Apesar de uma proibição de abertura de vagas entre 2018 e 2023, o número de cursos de medicina no país cresceu significativamente, passando de 322 para 407, e o total de vagas de 45.896 para 60.555.