A saída de Marco Lavagna, chefe da agência de estatísticas argentina, devido a uma divergência metodológica sobre a inflação, gerou preocupações sobre possível interferência política nos dados econômicos do governo Milei.
A renúncia de Marco Lavagna, chefe do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina, expôs tensões significativas na estratégia econômica do governo de Javier Milei e levantou sérias preocupações sobre a integridade dos dados de inflação. A saída de Lavagna foi confirmada pelo ministro da Economia, Luis Caputo, que atribuiu a decisão a uma divergência sobre o adiamento da atualização da metodologia de cálculo da inflação. Este episódio reacende o debate sobre a autonomia das instituições e a transparência dos dados oficiais no país, que já enfrentou repreensões do Fundo Monetário Internacional em 2013 por manipulação de estatísticas.
A controvérsia é amplificada pelas acusações de parlamentares da oposição, que sugerem que o governo estaria tentando manipular os dados para proteger a imagem política de Milei, cuja plataforma eleitoral prometia combater a inflação. Especialistas e fontes de mercado indicam que a nova metodologia, se implementada, provavelmente revelaria uma taxa de inflação ligeiramente superior à atual, o que poderia impactar a percepção pública e a confiança na gestão econômica. Embora apoiadores de Milei mantenham a fé na estabilização econômica, a situação abalou a confiança de parte da população na agência de estatísticas, em um momento em que muitos argentinos ainda sofrem os efeitos da alta inflação e da diminuição do poder de compra.